

Rui Amaro
Blog para troca de impressões sobre navios e portos


O ARGUS em provas de mar, 1939
Pois é verdade, no trabalho que postei no meu Blogue Navios à Vista, “Temos Navio, Temos o Santa Maria Manuela, é da Pascoal!”, agora com a aquisição do Polynesia, lá em St. Maartens, nas Arubas, pela Pascoal & Filhos, já poderemos afirmar “Temos Navios, Temos o Santa Maria Manuela e o Argus também, são da Pascoal!”.
O navio é de muito boa construção, até porque foi preparado para campanhas extensas nos mares dos gelos da Terra Nova, Labrador e da Groenlândia. Note-se que o Polynesia, como navio de cruzeiros, tinha manutenção regular e apenas há algum tempo foi abandonado pelo armador, tendo, ultimamente permanecido arrestado, o que sucede, frequentemente com muitos desse tipo de navios.
Se prolongássemos de braço dado o NTM Creoula com os seus dois gémeos, o que seria interessante um dia ocorrer, teríamos a verdadeira imagem do trio dos “Lugres do Gelo” ou “Cisnes Brancos do Noroeste do Atlântico”, três dos últimos quatro representantes da mundialmente conhecida “Portuguese White Fleet”.
Estão de parabéns todos aqueles que se interessam por estas coisas do mar e dos navios, antigos capitães, pilotos, maquinistas, pescadores dos navios bacalhoeiros, que todos eles sofreram na pele os rigores da Faina Maior, Portugal e sobretudo a empresa Pascoal & Filhos, que de certeza irá ter grande sucesso no empreendimento, que está a levar a cabo.
Uma surpresa destas, até parece milagre! Allan Villiers lá nos Céus deve ter feito alguma prece!
Agora o que é deveras lamentável, é os nossos governantes ainda não se terem pronunciado pelo menos com uma simples palavra de estímulo, só lhes ficaria bem! Devem andar atarefados com as penhoras a torto e a direito e com o ridículo prolongamento da idade das reformas dos trabalhadores baseados na “esperança de vida dos Portugueses enriquecida de maleitas”!
Imagem: (c) autor desconhecido
Robert Simper was the responsible by “Sail Review” of the SEA BREEZES, the British Magazine of ships and the Sea, which I gave my collaboration in this small work inserted in that magazine.

The CREOULA and ARGUS anchored in river Coina, Tagus estuary, near her owner's plant, 1972
It seems that one of the last stronghold of vessels using sail is finally doomed.
Every April the cod “liner” schooners of Portugal have sailed to the Grand Banks, but for several years this has been increasingly uneconomic and the owners are now converting to pure motor-ships using drift nets.
In March I boarded the 1.195 gross ton motor-ship NEPTUNO at
The Parceria Geral de Pescarias still have the schooners ARGUS and CREOULA which I was able to see their cod-drying plant at
From what I could gather in
The side trawler INVICTA, motor-ships SENHORA DO MAR and VILA DO CONDE were transferred for other ports. As recently as 1956
Of the Portuguese coastal traders only five former sailing vessels are still trading as motor-ships. These are the JAIMESILVA, SADINO, VITORIOSO, VIANENSE and
Vessels that appear to thriving are the River Tagus fragata. These gaff sloop sailing barges carry freights from
The fragata are expertly handled and in dock everything is stowed neatly. In recent years I have been accustomed to looking at working craft reminded me just how much of the mystic is lost when a craft stops trading.

The CREOULA as motor-vessel anchored in the River Coina, Tagus Estuary, ready for 1972 cod fishing season.

The ARGUS on laid up, anchored in the River Coina, Tagus estuary, in 1972

The NEPTUNO of 1958 anchored in Belem, Tagus estuary, ready for a new cod fishing season /(c) unknown Photographer/




O BRAVO (2), que escalara o porto de Londres vindo do Mediterrâneo, portos Italianos, Franceses, Espanhóis e também de Portugal, Lisboa e Leixões e rumava ao porto Norueguês de Aalesund, a fim de ali descarregar uma importante partida de sal destinado à cura do bacalhau, quando em 22/02/1954 no Mar do Norte ficou envolvido numa violenta tempestade, que lhe arrebatou o leme, ficando o navio sem governo, à deriva e à mercê do mau tempo. O seu capitão tratou de avaliar a delicada situação, contudo não pediu assistência de rebocador.
Como o navio tem só um hélice, não pode socorrer-se do sistema, pouco tempo antes utilizado por outro navio Norueguês, o paquete STAVANGERFJORD, da Norske Amerika Linje, que, tendo também perdido o leme, em pleno Atlântico, conseguiu por meio de sucessivas manobras alternadas de inversão do movimento dos dois hélices trazer o navio ao porto de Oslo, a onde se destinava.
Quando uma alterosa volta de mar quebrou o leme do BRAVO, o capitão, valorosamente secundado pela sua tripulação, mandou imediatamente preparar um longo cabo, que foi fixado na popa do navio e lançado ao mar, à guisa de longa cauda. Em seguida foram descidos os dois paus de carga da ré, um para fora de cada borda, com espias de aço que das pontas iam fixar-se no longo cabo à popa. Manobrando então os paus de carga puxava-se o cabo quer para um lado, quer para o outro, conseguindo-se assim orientar o navio até perto da costa Norueguesa. Então, com outro pau de carga e com pranchas retiradas das escotilhas, construi-se um leme de recurso que, suspenso à popa, permitiu governar o navio até ao ancoradouro no porto de Stavanger, onde arribou.

Capitão Erik Lindstol
O capitão, Erik Lindstol, é natural de Risor, tradicional terra de marinheiros, no Sul da Noruega, e, abordado pelos jornalistas à chegada a Stavanger, esquivou-se, modestamente a fazer declarações, dizendo que apenas tinha cumprido o seu dever, utilizando todas as possibilidades disponíveis para trazer o navio a bom porto. Procurando dissimular o cansaço, causado por uma permanência de 36 horas na ponte de comando, afirmou, que apenas atribuía o seu êxito a muitíssima sorte
Após as necessárias reparações o BRAVO voltou ao mar e escalou o Tejo, como antes comandado pelo capitão Erik Lindstol, que pelo seu feito foi condecorado com a Ordem do Santo Olavo, pelo Rei da Noruega, e aquele oficial da Marinha Mercante Norueguesa mereceu a admiração geral, que teve repercussão em todo o mundo – e valeu-lhe como acima se disse ser condecorado pelo próprio Rei dos Noruegueses.

O BRAVO no porto de Lisboa, vendo-se dois dos paus de carga, que foram lançados à água para ajudar o navio a governar. (Gravura de noticia da Imprensa diária nacional).

O navio italiano GIUSEPPEEMME, ex BRAVO, largando do porto de Leixões em 15/07/1967 (foto de Rui Amaro).
O BRAVO que era muito conhecido
O BRAVO, m/1.864tb; 1171943, as ATLAS, retido pelos Alemães enquanto n carreira do estaleiro Holandês Pot Gebroeders NV. Bolnes, para entrega à KNSM, Amesterdão, tendo sido denominado pela “Kriegsmarine” SPERRBRECHER 181; 1944 seriamente danificado por ataque da RAF e varado em praia; 1946 posto a flutuar e baptizado como AKSLSUND pelos salvadores Ludv. Fladmarks Salvage, Sonner, Alesund; 1952 BRAVO (2), Den Norske Middelhavslinje, Fred Olsen A/S, Oslo; 1967 GIUSEPPEEMME, Ignazio Messina S.p.a., Genoa; 1974 Managro, F.S.Panachrantos, Piraeus; 19/03/1979 chegou a Brindisi para demolição.
Fontes: Imprensa Diária, Miramar Ship Index e Kroonvaarders (KNSM).