domingo, 26 de julho de 2009

RECORDANDO A VISITA AO PORTO DE VIANA DO CASTELO DE DOIS VASOS DE GUERRA DA “MARINE NATIONALE” NO ANO DE 1974




A meio da tarde de 25/02/1974 demandaram a barra do porto de Viana do Castelo em visita de rotina os draga-minas costeiros franceses ANTARES e CASSIOPÉE, pertencentes à Marine Nationale, que ficaram atracados na doca comercial, a cujas manobras de atracação assistiram muitos curiosos devido à raridade da presença de unidades navais estrangeiras naquela porto do Alto Minho. Logo após a sua atracação, o Vice-Cônsul da França em Viana do Castelo, Dr. Corrêa Botelho, subiu a bordo, em missão de cortesia. Seguiram-se os cumprimentos de estilo às autoridades locais, tanto civis como militares.

Eram de 80 o total de marinheiros e oficiais que compunham as duas guarnições, os quais nos dois dias seguintes à chegada realizaram passeios turísticos pela região do Alto-Minho. Na vila vizinha de Ponte de Lima foi-lhes oferecida uma prova de vinhos.

Também num desses dias, em que os dois navios estiveram patentes ao público minhoto, das 14h00 às 18h00, as tripulações assistiram a uma exibição de folclore local, em sua honra, que foi motivo de muito agrado das mesmas, e durante a estadia dos dois vasos de guerra, viam-se parte das duas guarnições espalhadas pela cidade, particularmente as praças, com as suas vistosas fardas, exibindo os característicos “pompom rouges” dos seus bonés, imprimindo natural colorido ao ambiente citadino.

FS ANTARES (M703) – Draga-minas costeiro do tipo “D”, 46,40m, 440td, 3.000cv, 422 Tpc, casco em duralumínio e madeira, Tag e gerador SIGMA, 15 NÓS, guarnição 38, símbolo de costado M623, 07/02/1955 M703, 01/01/1976 P703; 04/03/1952 (D3) encomendado; 07/02/1955 reclassificado como draga-minas tipo MSC (minesweeper coastal); 26/02/1955 entregue à “Marine Nationale” pelo estaleiro CMN-Costructions Mécaniques de Normandie, Cherbourg, ficando adstrito à 10ª Divisão de Draga-minas da 1ª esquadrilha e começa a operar em exercícios de dragagem/rocegagem na Mancha e Mar do Norte com períodos de descanso na Bélgica, Holanda, Alemanha e Grã-Bretanha; 1972 incorporado na 34ª Divisão de Draga-minas; 01/01/1976 reclassificado como patrulha, equipamento de dragagem/rocegagem desembarcado, operações de patrulha afectas ao Centre d’Essais des Landes e do Groupage Naval d’Essais et de Messures, La Pallice; 07/02/1977 colocado em situação de reserva; 1986 abatido ao efectivo da frota e desmantelado.

FS CASSIOPÉE (M740) – Draga-minas costeiro lançado à água como AMS246, do tipo “D”, 43,90m, 375td, 14nós, guarnição 38, casco duralumínio e madeira, propulsão 880 Shp General Motors Diesel, 2 hélices, 16/11/1953 reclassificado pela US NAVY como draga-minas costeiro MSC246; 17/02/1954 entregue pelos estaleiros At. Et Chant. Penhoet, St. Nazaire, sob o Pacto Militar de Assistência Mutua de Defesa, à “Marine Nationale”; 18/09/1954 entrou em comissão de serviço como M740; 17/04/1955 reclassificado como Coastal Minesweeper MSC246; 1976 colocado na situação de reserva; 1977 abatido ao efectivo da frota e desmantelado.

Fontes: Imprensa diária, NavSource on-line – US Navy, Dictionaire, Marine Nationale e Miramar Ship Index.

Rui Amaro

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O PAQUETE “CUYABÁ” DA COMPANHIA DE NAVEGAÇÃO LLOYD BRASILEIRO (Património Nacional)



Paquete CUYABÁ /(C) Foto de autor desconhecido/.


A Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro fundada em 19/02/1890 e inicialmente disputando o tráfego de passageiros e carga da costa do Brasil e o serviço flúvio-marítimo do rio Amazonas, rotas essas, que mais tarde foram estendidas ao Mediterrâneo, Rio da Prata, Costa leste da América do Norte e Central, e ainda ao norte da Europa, e como não poderia deixar de ser Portugal também, escalando os portos de Lisboa e Leixões.

Durante os dois conflitos mundiais alguns navios da sua importante frota foram afundados pelos alemães, particularmente pelos famigerados “U-Boots” e em face dessas perdas o governo brasileiro apossou-se dos muitos navios mercantes internados em portos brasileiros devido à situação de guerra, tendo uma grande parte deles vindo a ser geridos e mais tarde a fazer parte da frota da Lloyd Brasileiro, dentre os quais o alemão HOHENSTAUFEN que se tornaria no CUYABÁ.

A Lloyd Brasileiro como outras companhias de navegação estrangeiras vocacionadas para o tráfego da emigração da Europa para o Brasil, nomeadamente a partir dos portos de Hamburgo, Le Havre, Leixões e Lisboa, país aquele que era muito demandado pelos emigrantes que procuravam ter uma vida mais desafogada e ainda pelo óptimo acolhimento prestado aos nacionais de outros países, também no período de 1922/26, a companhia escalava os Açores, com os seus paquetes, a fim de transportar para o Brasil, o grande fluxo de emigrantes açoreanos e o CUYABÁ era um desses paquetes. A esse serviço, a publicidade da época denominava-o da “Viagens ou Linha da Direitura”.



Paquete RUY BARBOSA demandando o porto de Leixões no inicio da década de 30. Perdeu-se por encalhe devido ao denso nevoeiro na praia de Pampelido, 3 mn ao norte de Leixões /Postal ilustrado local/.


CURVELLO mais tarde denominado de CANTUÁRIA GUIMARÃES e de SIQUEIRA CAMPOS; POCONÉ, BAGÉ, SANTARÉM, RUY BARBOSA, RAUL SOARES, ALMIRANTE ALEXANDRINO, ALMIRANTE JACEGUAY e mais um ou outro juntamente com o CUYABÁ faziam parte desses tráfegos. O RAUL SOARES era conhecido pelo “Chaminé e Safadesa” devido ao seu descomunal canudo.



Paquete BAGÉ fundeado na bacia do porto de Leixões /Postal ilustrado local da década de 30/.


O meu pai, um piloto da barra de Leixões, conduziu de entrada ou saída todos aqueles paquetes e ainda os vapores COMANDANTE LYRA, COMANDANTE PESSOA e alguns “Bombas” da série Nações das Américas, tipo LOIDE AMERICA, navios esses que tive a oportunidade de visitar, e alguns dos seus comandantes e oficiais eram naturais de Portugal. O BAGÉ teve como imediato Francisco Campos Evangelista, natural de Fão, concelho de Esposende, que mais tarde foi colega de meu pai, como piloto da barra da Corporação de Pilotos do Douro e Leixões, atingindo o importante posto de piloto-mor. Na minha actividade profissional na assistência a navios no porto de Leixões, também atendi o navio SANTO ANDRÉ do armador L. Figueiredo, Santos, da linha Manaus, Pará, Leixões, Norte da Europa, cujo capitão era natural de Gondomar, distrito do Porto, e também um meu tio-avô foi chefe de máquinas dos ITAS da Companhia Nacional de Navegação Costeira, Rio de Janeiro, na primeira metade do século XX, chegando a inspector daquela companhia e mais tarde parece ter ingressado no Lloyd Brasileiro.



Vapor COMANDANTE LYRA/COMANDANTE PESSÔA /(C) autor desconhecido/.



O navio-motor SANTO ANDRÉ demandando o porto de Leixões, finais da década de 60, procedente de Manaus, Ilhas do Amazonas e Belém do Pará /(c) Foto de Rui Amaro/.


Lembro-me, logo após o términos da 2ª guerra mundial, ter visto o paquete ALMIRANTE ALEXANDRINO vindo de Hamburgo, completamente cheio de passageiros emigrantes de nacionalidades nórdicas, na sua maioria alemã e polaca, embarcando em Leixões emigrantes portugueses destinados a terras acolhedoras dos “Brasis” entre os quais familiares meus que para lá (Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul) como os nórdicos foram refazer as suas vidas.



Um grupo de emigrantes alemães e austriacos a bordo do CUYABÁ, dos quais um deles é bisavô do Eng. Otto Triebe, que me disponibilizou a (c) foto tirada em 12/09/1921.


Muitas vezes visitei alguns desses navios e era engraçado quando se pedia aos tripulantes, bastante simpáticos, autorização para subir a bordo, as expressões eram as seguintes:

Eh patrício, será que se pode visitar seu navio!? Pode sim, visite navio à vontade, vire navio da proa para a popa, de boreste para bombordo, mas não leva navio para casa, não!

A Companhia Nacional de Navegação Costeira, que como o nome o diz, fazia o serviço de carga e passageiros em toda a costa do Brasil, e fora estabelecida em 1882, ainda com a razão social de Lage & Irmãos, por descendentes de um armador luso, emigrados no Brasil. Em 1942 foi estatizada e mais tarde integrada na Lloyd Brasileiro. Quanto a esta, que chegou a ser a maior armadora da América do Sul e das mais importantes a nível mundial, acabou por ser extinta em 15/10/1997 devido a problemas de insolvência, apesar da excelente e moderna frota que possuía, incluindo os navios da ex Companhia Nacional de Navegação Costeira, a da Cruz de Malta pintada na chaminé preta, entre os quais alguns excelentes paquetes.



Paquete ANA NERY /Postal da Cia. Nacional de Navegação Costeira/.



O CUYABÁ encalhado na penedia das Ilhas Berlengas /(c) Imagem de autor desconhecido - Colecção F. Cabral /.


O paquete CUYABÁ, 129m/6.489tb, entregue em 10/1906 como HOHENSTAUFEN pelo estaleiro Bremer Vulkan, Vegesack, para a Hamburg Amerika Linie, Hamburgo, destinado ao seu serviço de passageiros e carga para a linha da costa leste da América do Sul; 08/1914 internado pelos alemães no porto do Rio de Janeiro, devido à situação da 1ª guerra mundial; 01/06/1917 foi apossado pelo governo passando a chamar-se CUYABÁ, tendo a Lloyd Brasileiro sido incumbida da sua gestão; 1927 comprado pelos gestores e continuando na linha Brasil/Europa/Brasil com escalas regulares nos portos portugueses de Lisboa e Leixões; 27/07/1937 vindo do Norte da Europa para Lisboa, sofreu um grave encalhe na costa Portuguesa, mais propriamente nas Ilhas Berlengas, perto do porto piscatório de Peniche, devido ao denso nevoeiro, mais tarde foi assistido por vários vapores de pesca e posto a flutuar, tendo seguido para Lisboa sob assistência de um rebocador; 15/02/1941 devido à forte ondulação e à força eólica de ciclone e por se terem quebrado as duas amarras e mesmo com as máquinas a trabalhar a todo vapor, apesar das manobras orientadas pelo prático Tito dos Santos Marnoto, acabou por garrar e encalhar na bacia do porto de Leixões, quase se atravessando na entrada da então recém construída doca nº 1, mas ainda por inaugurar; 17/09/1942 o CUYABÁ juntamente com o BAGÉ zarparam do porto do Rio de Janeiro para o porto de Lisboa, transportado os embaixadores da Alemanha e da Itália, bem como demais funcionários diplomáticos e súbditos dos dois países, sem escolta, contudo nua seus costados levavam assinalados grandes dizeres que indiciavam a sua missão diplomática; 25/08/1943 o CUYABÁ sofreu um grave acidente, quando navegava em comboio naval durante a noite com as luzes apagadas, a fim de evitar os “U-boots”, juntamente com o SIQUEIRA CAMPOS sob escolta naval brasileira, tendo ambos sofrido graves rombos e avarias devido a colisão. Os dois paquetes rumaram de imediato para a costa. O CUYABÁ arribou ao porto de Fortaleza, onde foi varado numa praia. O SIQUEIRA CAMPOS foi fundear num baixio, junto a uma praia, no entanto dado que as bombas de bordo não davam vazão à entrada de água, acabou por ser abandonado, afundando-se no local onde ainda hoje parte da sua estrutura é visível; Pós-guerra o CUYABÁ passou a servir os portos da imensa costa do Brasil, não mais voltando a escalar Lisboa e Leixões; 1960 o nome foi alterado para CUIABÁ; 1963 vendido a sucateiros algures em qualquer porto brasileiro.



O CUYABÁ. após a sua reflutuação, atracado ao cais norte da nova doca nº 1 do porto de Leixões, antes da sua inaugurAção. Na imagem vê-se o rebocador GUADIANA e a draga ADOLPHO LOUREIRO dos Serviços Hidráulicos e ainda um vapor que julgo seja de nacionalidade grega /(c) Foto de autor desconhecido - Colecção F. Cabral/.



O LOIDE HAITY da série nações das Américas, tipo LOIDE AMERICA, demandando o porto de Leixões década de 50 /(c) FOTO MAR - LEIXÕES/.


Fontes: Miramar Ship Index; Imprensa diária; As Viagens da Direitura dos Açores ao Brasil 1922/26; Novo Milénio - Rota de Ouro e Prata; Os memoráveis ITAS – Cia Costeira, de Laire José Giraud.

http://www.portogente.com.br/texto.php?cod=23483

http://www.comunidadesacorianas.org/artigo.php?id_artigo=56&idioma=PT

Rui Amaro

domingo, 21 de junho de 2009

CHAMAVA-SE «RENAISSANCE ONE» O PRIMEIRO NAVIO DE CRUZEIROS A ESCALAR O PORTO DE AVEIRO


RENAISSANCE


O paquete de luxo italiano RENAISSANCE ONE, um yacht cruiser, com cerca de uma centena de turistas de várias nacionalidades, demandou a barra do porto de Aveiro pelas 08h00 de 27/05/1991, tendo atracado ao cais comercial Norte onde permaneceu até cerca das 18h00 do mesmo dia, após os passageiros terem realizado um circuito turístico pela região e visitado os principais pontos de interesse de Aveiro e Ílhavo.

Aquele belo navio, que veio consignado aos agentes Garland, Laidley, da praça do Porto, representados no porto de Aveiro pela casa A. J. Gonçalves de Moraes, primitivamente destinava-se ao porto da Figueira da Foz, contudo devido a horas de marés desencontradas com o tempo de estadia e alguma ondulação na barra, rumou ao porto de Aveiro, tendo sido festivamente acolhido pelas autoridades locais, tal e qual como numa anterior escala àquela cidade portuária do rio Mondego, se bem que nesta já não era novidade, uma vez que no século XIX os vapores do correio Porto/Lisboa, transportando passageiros e carga, por vezes demandavam a barra do Mondego, caso do vapor PORTO, que se perdeu na barra do Douro em 29/03/1852 e em que pereceram 36 vidas e salvaram-se miraculosamente apenas 15.

Contra o que hoje em dia se passa no porto da ria de Aveiro, com a visita frequente de paquetes de cruzeiro, tais como o PRINCESS DANAE, de maiores dimensões, à época a escala do mini-paquete RENAISSANCE ONE fora uma agradável e inédita surpresa.

O RENAISSANCE ONE, Imo 8708646, 88,30m/3.990tb, 15 nós; 12/1989 entregue pelo estaleiro Cantieri Navale Ferrari, La Spezia, ao armador Renaissance Cruises, Itália, como RENAISSANCE, tendo sido o primeiro de uma série de oito unidades construídas no período de 1989/92, todos eles ostentando o nome de RENAISSANCE seguido do respectivo cardinal por extenso, dos quais quatro foram construídos pelo estaleiro Nuovi Cantieri Apuania, Marina di Carrara, com ligeiras diferenças; 31/08/1998 THE MERCURY; 19/06/2004 LEISURE WORLD I; 2007 DUBAWI; 2009 continua operacional como “Dubai Royal Yacht” dos Emiratos Árabes Unidos.

Fontes: Comunicação Social, Equasis, Vesseltracker.com e Miramar Ship Index.

Imagem: cartão postal da Renaissance Cruises.

Rui Amaro

domingo, 14 de junho de 2009

ARRASTÃO BACALHOEIRO “SANTA PRINCESA” ex CHALUTIER MORUTIER “SPTIZBERG”


“SANTA PRINCESA”


O SANTA PRINCESA, vindo dos Bancos da Terra Nova e Groenlãndia. demanda o porto de Leixões na década sw 50 /(c) Foto-Mar- Leixões/.


O navio-motor bacalhoeiro da pesca de arrasto SANTA PRINCESA (A628N), Imo 5312769, 69,98m/1.188,47tb/16.995 quintais, Motor Polar Atlas, lançado ao mar em 30/03/1930 como SPITZBERG (F717) pelo estaleiro Cox & Co. (Engineers), Ltd, Falmouth, por encomenda do armador La Morue Française et Sécheries de Fécamp, Fécamp, contudo em 1935 tomou o pavilhão e as cores da Compagnie Générale de Grande Pêche, Le Havre, por sucessão.

Após ter sofrido um violento incêndio em 19/06/1936 em Le Barachois, causado por curto-circuito, que lhe destruiu a casa da máquina, ficando semi-submerso devido à enorme quantidade de água entrada a fim de se extinguir as chamas, foi posto a flutuar em 26/06/1936 e logo a seguir colocado à venda como sucata em Saint Pierre de Miquelon. Em 1939 é comprado pela Empresa de Pesca de Aveiro, Lda (EPA), e devido aos enormes danos sofridos, foi trazido para Aveiro a reboque e em 1939/40 é reconstruído pelos Estaleiros Navais de São Jacinto, Aveiro, tendo regressado à pesca de arrasto no noroeste do Atlântico como SANTA PRINCESA, porém motivado pela falta de transportes marítimos, devido à guerra, realiza algumas viagens comerciais, das quais duas a Cabo Verde para transportar sal.

Em 1949 é instalado um novo motor diesel FIAT, 12 nós. A sua última campanha do bacalhau realizou-se em 1967, tendo sido vendido para Bissau, e dado que o pagamento da compra não foi finalizado, ficou o SANTA PRINCESA imobilizado em Lisboa. A 04/1974 chegava a Bilbau para desmantelamento em sucata. Primitivamente o seu nome foi de SANTA PRINCEZA e o número oficial era B-231, tendo mais tarde o nome sido alterado para SANTA PRINCESA, possivelmente devido a novas regras ortográficas.


“SPITZBERG”


O SPITZBERG deixa o porto de Fécamp na década de 30 /(c) Cortesia de Jack Daussy-Fécamp/.



(c) Autor Jack Daussy / imagens L. Briand


Terceira unidade da série, o SPITZBERG demanda o porto de Fécamp a 21/03/1930. Ele é de todo idêntico ao SAINT-MARTIN LEGASSE e ao PRÉSIDENT HOUDUCE que, entretanto, já tinham zarpado para os pesqueiros da Terra Nova. O capital investido é importante, e o arrastão prepara-se rapidamente para se fazer ao mar a 4 de Abril seguinte, sob o comando do capitaine Lafon, que o foi buscar a Inglaterra.

Como a maior parte dos arrastões do armador La Morue Française, o SPITZBERG raramente vinha a Fécamp. Na maior parte das vezes, descarregava o produto das suas capturas em La Rochelle, onde o armador possuía uma sucursal.

Em 1933, o capitaine Jean Heuzé descarregou uma tonelagem recorde de pescado. A título de comparação, a imprensa local anunciava que ele precisaria de um comboio de 160 vagões de 10 toneladas cada para transportar o pescado do SPITZBERG. O cálculo é muito legitimo e o comboio seria efectivamente impressionante, mas também é interessante saber que á sua época o ZAZPIAKBAT, que era o maior navio à vela do armador La Morue Française, fazia campanhas de pesca anuais de 800 toneladas, que eram consideradas como muito boas capturas.

Em 1936 vislumbra-se o fim da carreira francesa daquela bela unidade de pesca. No mês de Abril, quando fainava nos bancos da Terra Nova, uma avaria do motor faz com que não consiga alcançar Saint-Pierre pelos próprios meios, pelo que é rebocado pelo JACQUES CARTIER. As reparações duram um mês, depois em Junho nova avaria, e nova escala em Saint-Pierre.

A 19 de Junho encontrava-se em Le Barachois, a equipagem tinha vindo para terra. Pela manhã, um violento incêndio deflagrou a bordo, sem dúvida provocado por um curto-circuito pegando fogo ao combustível na casa das máquinas. O sinistro tomou tais proporções que se tornou impossível combatê-lo pelos meios convencionais. Muito rapidamente se tomou a decisão de abrir as entradas de água para afundar o navio e assim extinguir o incêndio. Lentamente o arrastão submergiu e assentou no fundo do Le Barachois.

Alguns dias mais tarde os ensaios de reflutuação são tentados, mas houve necessidade chamar uma empresa canadiana da especialidade, que envia o rebocador FOUNDATION FRANKLIN; ele obtém êxito com a ajuda das suas potentes bombas e coloca o SPITZBERG a flutuar.


Páginas 115/116 da obra de Jack Daussy – Les Chalutiers Fécampois Morutiers.



O SPITZBERG naufragado devido a incêndio em Le Barachois - Sain-Pierre de Miquelon /(c) L. Briand - Colecção Jack Daussy/.


http://www.fecamp-terre-neuve.fr/LivresDiffuses/Chalutiers.html

http://www.fecamp-terre-neuve.fr/Navires/Houduce.html

http://www.fecamp-terre-neuve.fr/Navires/Zaza2.html

http://www.shipmodelco-op.com/ffpay.htm


Fontes: Association Fécamp Terre-Neuve, Jack Daussy, Léon Briand, Plimsol ship data/LR, Miramar Ship Index e Blogue dos Navios e do Mar/Luís Miguel Corrreia.

Rui Amaro