sábado, 1 de agosto de 2009

RECORDANDO O PAQUETE ALEMÃO “GENERAL OSORIO” – 1929/1947


O paquete GENERAL OSORIO passando junto da Ilha Fernando Noronha /postal artistico da HAPAG - m/c


Pelas 15h30 de 03/07/1929, vindo do Norte, estava à vista do porto de Leixões um navio de grande porte de duas chaminés, que era nem mais nem menos do que uma das mais modernas unidades da Marinha Mercante Germânica, o paquete GENERAL OSORIO, que realizava a sua viagem inaugural ao Brasil e Rio da Prata e procedia de Hamburgo, de onde saíra a 29/06 e de Vigo cerca de três horas antes, com carga diversa e passageiros, na sua maior parte emigrantes, sobretudo espanhóis, alemães e nacionais de países bálticos.

Entretanto, com a aproximação do GENERAL OSORIO, a lancha de pilotos P1, cruzava os molhes ao encontro daquele belíssimo navio, para o abordar, a fim de subir a bordo o piloto da barra José Fernandes Amaro Júnior, que iria conduzir as manobras de entrada e amarração.


O paquete GENERAL OSÓRIO no porto de Hamburgo /postal da HAPAG - m/c


Às 16h30 cruzava os molhes e pouco tempo depois fundeava ao Norte, a dois ferros, baixando a escada de portaló, começando de imediato, após a entrada a bordo das autoridades sanitárias/marítimo/alfandegárias, agência e estivadores, o desembarque de alguns passageiros destinados à região do Porto, e iniciava o embarque daqueles outros, mais deles emigrantes, da sua bagagem, correio e alguma carga, através de barcaças e lanchas que andavam num rodopio entre o cais do porto de serviço e o paquete.

Pelas 21h00 do mesmo dia, conduzido pelo piloto Alfredo Pereira Franco, manobrava de largada de rumo ao porto de Lisboa, seguindo daí para vários portos do Brasil, Montevideu e Buenos Aires e assim continuou a escalar os portos de Leixões e Lisboa por muitos mais anos, tanto nas viagens para a América do Sul como para Hamburgo, seu porto de armamento.


GENERAL OSORIO - gravura da HAPAG- m/c


GENERAL OSORIO, 160,80m/ 11.590tb/ calado 8,53m/ 2 motores diesel MAN 12 cilindros 7.400HP/ 2 hélices de quatro pás cada/ 2 chaminés/ velocidade de cruzeiro 15 nós/ tripulantes 223/ passageiros 1022 (2ª classe 272 e turística 750); 22/12/1927 assentamento da quilha; 20/03/1929 entregue pelo estaleiro Bremer Vulkan Werft, Vegesack, ao armador Hamburg Amerika Linie (Hapag), Hamburgo; 08/08/1931 tendo captado um rádio de pedido de socorro de bordo do paquete americano WESTERN WORLD, 163m/13.712tb, ao serviço da Munson Steamship Lines, Nova Iorque, que saíra na véspera de Santos, e que encalhara no local da Ponta do Boi, no litoral de São Sebastião, pelo que rumou à costa resgatando 88 passageiros e parte da tripulação do WESTERN WORLD, que voltou a flutuar quatro dias depois. 1933 iniciavam-se as mudanças políticas na Alemanha, que levariam à Segunda Guerra Mundial e a navegação comercial, que gerava grande percentagem de divisas à Alemanha, era controlada por um típico cartel. Era o que sucedia com as três importantes companhias alemãs da linha da América do Sul, Hamburg Amerika Linie, Nortdeutscher Lloyd e Hamburg Sud; 1934 aquelas três companhias, de comum acordo e sob orientação sindical, reestruturaram os seus serviços através de um relançamento radical das respectivas frotas e assim a Hamburg Sud, como detentora da linha da América do Sul recebeu, a titulo de afretamento em 01/11/1934, juntamente com outros navios das suas duas concorrentes, o GENERAL OSORIO, contudo em 30/06/1936 foi adquirido, em definitivo, pela Hamburg Sud, tendo sido alterada a sua silhueta, particularmente a elevação das duas chaminés em cerca de três metros; 1939 com o início da guerra é retirado do serviço comercial; 10/04/1940 é colocado como unidade naval da “Kriegsmarine”, em Kiel, para acomodação e apoio à tripulações da arma submarina do “Reich”; 24/07/1944 bombardeado por ataque aéreo da RAF acabando por se incendiar, ficando bastante danificado, soçobrando de popa. Tempos depois foi reparado pela própria tripulação e equipas especiais; 02/10/1944 foi posto a flutuar; 09/04/1945 novo ataque aéreo aliado a Kiel, e desta vez o paquete é atingido com bastante violência e afundou-se, e apenas por um mês não sobreviveu à guerra; 29/08/1947 os britânicos resgataram-no do fundo do porto de Kiel, sendo mais tarde vendido à British Iron & Steel Corporation (Salvage) Ltd.; 07/09/1947 o GENERAL OSORIO, em estado irrecuperável chegava ao Inverkeithing, perto de Glasgow, para demolição pelos sucateiros T.W.Ward.,Ltd.


Postal da Hamburg Sud -m/c


A Hamburg Sud (Hamburg Sudamerikanische Dampfs. Ges.) no Brasil e em Portugal era mais identificada como Companhia Hamburguesa.

O paquete ostentava o nome de um destacado cabo de guerra e senador do Brasil, que alcançou a patente de General e Marechal de Exército.



(c) Fotos gentilmente cedidas pelo Eng.Otto Triebe, de São Paulo, Brasil


Fontes: Miramar Ship Index, Plimsoll Ship Data (LR), HAPAG, Hamburg Sud e Novo Milénio (Rota do Ouro e da Prata/navio General Osório.

Rui Amaro

domingo, 26 de julho de 2009

RECORDANDO A VISITA AO PORTO DE VIANA DO CASTELO DE DOIS VASOS DE GUERRA DA “MARINE NATIONALE” NO ANO DE 1974




A meio da tarde de 25/02/1974 demandaram a barra do porto de Viana do Castelo em visita de rotina os draga-minas costeiros franceses ANTARES e CASSIOPÉE, pertencentes à Marine Nationale, que ficaram atracados na doca comercial, a cujas manobras de atracação assistiram muitos curiosos devido à raridade da presença de unidades navais estrangeiras naquela porto do Alto Minho. Logo após a sua atracação, o Vice-Cônsul da França em Viana do Castelo, Dr. Corrêa Botelho, subiu a bordo, em missão de cortesia. Seguiram-se os cumprimentos de estilo às autoridades locais, tanto civis como militares.

Eram de 80 o total de marinheiros e oficiais que compunham as duas guarnições, os quais nos dois dias seguintes à chegada realizaram passeios turísticos pela região do Alto-Minho. Na vila vizinha de Ponte de Lima foi-lhes oferecida uma prova de vinhos.

Também num desses dias, em que os dois navios estiveram patentes ao público minhoto, das 14h00 às 18h00, as tripulações assistiram a uma exibição de folclore local, em sua honra, que foi motivo de muito agrado das mesmas, e durante a estadia dos dois vasos de guerra, viam-se parte das duas guarnições espalhadas pela cidade, particularmente as praças, com as suas vistosas fardas, exibindo os característicos “pompom rouges” dos seus bonés, imprimindo natural colorido ao ambiente citadino.

FS ANTARES (M703) – Draga-minas costeiro do tipo “D”, 46,40m, 440td, 3.000cv, 422 Tpc, casco em duralumínio e madeira, Tag e gerador SIGMA, 15 NÓS, guarnição 38, símbolo de costado M623, 07/02/1955 M703, 01/01/1976 P703; 04/03/1952 (D3) encomendado; 07/02/1955 reclassificado como draga-minas tipo MSC (minesweeper coastal); 26/02/1955 entregue à “Marine Nationale” pelo estaleiro CMN-Costructions Mécaniques de Normandie, Cherbourg, ficando adstrito à 10ª Divisão de Draga-minas da 1ª esquadrilha e começa a operar em exercícios de dragagem/rocegagem na Mancha e Mar do Norte com períodos de descanso na Bélgica, Holanda, Alemanha e Grã-Bretanha; 1972 incorporado na 34ª Divisão de Draga-minas; 01/01/1976 reclassificado como patrulha, equipamento de dragagem/rocegagem desembarcado, operações de patrulha afectas ao Centre d’Essais des Landes e do Groupage Naval d’Essais et de Messures, La Pallice; 07/02/1977 colocado em situação de reserva; 1986 abatido ao efectivo da frota e desmantelado.

FS CASSIOPÉE (M740) – Draga-minas costeiro lançado à água como AMS246, do tipo “D”, 43,90m, 375td, 14nós, guarnição 38, casco duralumínio e madeira, propulsão 880 Shp General Motors Diesel, 2 hélices, 16/11/1953 reclassificado pela US NAVY como draga-minas costeiro MSC246; 17/02/1954 entregue pelos estaleiros At. Et Chant. Penhoet, St. Nazaire, sob o Pacto Militar de Assistência Mutua de Defesa, à “Marine Nationale”; 18/09/1954 entrou em comissão de serviço como M740; 17/04/1955 reclassificado como Coastal Minesweeper MSC246; 1976 colocado na situação de reserva; 1977 abatido ao efectivo da frota e desmantelado.

Fontes: Imprensa diária, NavSource on-line – US Navy, Dictionaire, Marine Nationale e Miramar Ship Index.

Rui Amaro

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O PAQUETE “CUYABÁ” DA COMPANHIA DE NAVEGAÇÃO LLOYD BRASILEIRO (Património Nacional)



Paquete CUYABÁ /(C) Foto de autor desconhecido/.


A Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro fundada em 19/02/1890 e inicialmente disputando o tráfego de passageiros e carga da costa do Brasil e o serviço flúvio-marítimo do rio Amazonas, rotas essas, que mais tarde foram estendidas ao Mediterrâneo, Rio da Prata, Costa leste da América do Norte e Central, e ainda ao norte da Europa, e como não poderia deixar de ser Portugal também, escalando os portos de Lisboa e Leixões.

Durante os dois conflitos mundiais alguns navios da sua importante frota foram afundados pelos alemães, particularmente pelos famigerados “U-Boots” e em face dessas perdas o governo brasileiro apossou-se dos muitos navios mercantes internados em portos brasileiros devido à situação de guerra, tendo uma grande parte deles vindo a ser geridos e mais tarde a fazer parte da frota da Lloyd Brasileiro, dentre os quais o alemão HOHENSTAUFEN que se tornaria no CUYABÁ.

A Lloyd Brasileiro como outras companhias de navegação estrangeiras vocacionadas para o tráfego da emigração da Europa para o Brasil, nomeadamente a partir dos portos de Hamburgo, Le Havre, Leixões e Lisboa, país aquele que era muito demandado pelos emigrantes que procuravam ter uma vida mais desafogada e ainda pelo óptimo acolhimento prestado aos nacionais de outros países, também no período de 1922/26, a companhia escalava os Açores, com os seus paquetes, a fim de transportar para o Brasil, o grande fluxo de emigrantes açoreanos e o CUYABÁ era um desses paquetes. A esse serviço, a publicidade da época denominava-o da “Viagens ou Linha da Direitura”.



Paquete RUY BARBOSA demandando o porto de Leixões no inicio da década de 30. Perdeu-se por encalhe devido ao denso nevoeiro na praia de Pampelido, 3 mn ao norte de Leixões /Postal ilustrado local/.


CURVELLO mais tarde denominado de CANTUÁRIA GUIMARÃES e de SIQUEIRA CAMPOS; POCONÉ, BAGÉ, SANTARÉM, RUY BARBOSA, RAUL SOARES, ALMIRANTE ALEXANDRINO, ALMIRANTE JACEGUAY e mais um ou outro juntamente com o CUYABÁ faziam parte desses tráfegos. O RAUL SOARES era conhecido pelo “Chaminé e Safadesa” devido ao seu descomunal canudo.



Paquete BAGÉ fundeado na bacia do porto de Leixões /Postal ilustrado local da década de 30/.


O meu pai, um piloto da barra de Leixões, conduziu de entrada ou saída todos aqueles paquetes e ainda os vapores COMANDANTE LYRA, COMANDANTE PESSOA e alguns “Bombas” da série Nações das Américas, tipo LOIDE AMERICA, navios esses que tive a oportunidade de visitar, e alguns dos seus comandantes e oficiais eram naturais de Portugal. O BAGÉ teve como imediato Francisco Campos Evangelista, natural de Fão, concelho de Esposende, que mais tarde foi colega de meu pai, como piloto da barra da Corporação de Pilotos do Douro e Leixões, atingindo o importante posto de piloto-mor. Na minha actividade profissional na assistência a navios no porto de Leixões, também atendi o navio SANTO ANDRÉ do armador L. Figueiredo, Santos, da linha Manaus, Pará, Leixões, Norte da Europa, cujo capitão era natural de Gondomar, distrito do Porto, e também um meu tio-avô foi chefe de máquinas dos ITAS da Companhia Nacional de Navegação Costeira, Rio de Janeiro, na primeira metade do século XX, chegando a inspector daquela companhia e mais tarde parece ter ingressado no Lloyd Brasileiro.



Vapor COMANDANTE LYRA/COMANDANTE PESSÔA /(C) autor desconhecido/.



O navio-motor SANTO ANDRÉ demandando o porto de Leixões, finais da década de 60, procedente de Manaus, Ilhas do Amazonas e Belém do Pará /(c) Foto de Rui Amaro/.


Lembro-me, logo após o términos da 2ª guerra mundial, ter visto o paquete ALMIRANTE ALEXANDRINO vindo de Hamburgo, completamente cheio de passageiros emigrantes de nacionalidades nórdicas, na sua maioria alemã e polaca, embarcando em Leixões emigrantes portugueses destinados a terras acolhedoras dos “Brasis” entre os quais familiares meus que para lá (Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul) como os nórdicos foram refazer as suas vidas.



Um grupo de emigrantes alemães e austriacos a bordo do CUYABÁ, dos quais um deles é bisavô do Eng. Otto Triebe, que me disponibilizou a (c) foto tirada em 12/09/1921.


Muitas vezes visitei alguns desses navios e era engraçado quando se pedia aos tripulantes, bastante simpáticos, autorização para subir a bordo, as expressões eram as seguintes:

Eh patrício, será que se pode visitar seu navio!? Pode sim, visite navio à vontade, vire navio da proa para a popa, de boreste para bombordo, mas não leva navio para casa, não!

A Companhia Nacional de Navegação Costeira, que como o nome o diz, fazia o serviço de carga e passageiros em toda a costa do Brasil, e fora estabelecida em 1882, ainda com a razão social de Lage & Irmãos, por descendentes de um armador luso, emigrados no Brasil. Em 1942 foi estatizada e mais tarde integrada na Lloyd Brasileiro. Quanto a esta, que chegou a ser a maior armadora da América do Sul e das mais importantes a nível mundial, acabou por ser extinta em 15/10/1997 devido a problemas de insolvência, apesar da excelente e moderna frota que possuía, incluindo os navios da ex Companhia Nacional de Navegação Costeira, a da Cruz de Malta pintada na chaminé preta, entre os quais alguns excelentes paquetes.



Paquete ANA NERY /Postal da Cia. Nacional de Navegação Costeira/.



O CUYABÁ encalhado na penedia das Ilhas Berlengas /(c) Imagem de autor desconhecido - Colecção F. Cabral /.


O paquete CUYABÁ, 129m/6.489tb, entregue em 10/1906 como HOHENSTAUFEN pelo estaleiro Bremer Vulkan, Vegesack, para a Hamburg Amerika Linie, Hamburgo, destinado ao seu serviço de passageiros e carga para a linha da costa leste da América do Sul; 08/1914 internado pelos alemães no porto do Rio de Janeiro, devido à situação da 1ª guerra mundial; 01/06/1917 foi apossado pelo governo passando a chamar-se CUYABÁ, tendo a Lloyd Brasileiro sido incumbida da sua gestão; 1927 comprado pelos gestores e continuando na linha Brasil/Europa/Brasil com escalas regulares nos portos portugueses de Lisboa e Leixões; 27/07/1937 vindo do Norte da Europa para Lisboa, sofreu um grave encalhe na costa Portuguesa, mais propriamente nas Ilhas Berlengas, perto do porto piscatório de Peniche, devido ao denso nevoeiro, mais tarde foi assistido por vários vapores de pesca e posto a flutuar, tendo seguido para Lisboa sob assistência de um rebocador; 15/02/1941 devido à forte ondulação e à força eólica de ciclone e por se terem quebrado as duas amarras e mesmo com as máquinas a trabalhar a todo vapor, apesar das manobras orientadas pelo prático Tito dos Santos Marnoto, acabou por garrar e encalhar na bacia do porto de Leixões, quase se atravessando na entrada da então recém construída doca nº 1, mas ainda por inaugurar; 17/09/1942 o CUYABÁ juntamente com o BAGÉ zarparam do porto do Rio de Janeiro para o porto de Lisboa, transportado os embaixadores da Alemanha e da Itália, bem como demais funcionários diplomáticos e súbditos dos dois países, sem escolta, contudo nua seus costados levavam assinalados grandes dizeres que indiciavam a sua missão diplomática; 25/08/1943 o CUYABÁ sofreu um grave acidente, quando navegava em comboio naval durante a noite com as luzes apagadas, a fim de evitar os “U-boots”, juntamente com o SIQUEIRA CAMPOS sob escolta naval brasileira, tendo ambos sofrido graves rombos e avarias devido a colisão. Os dois paquetes rumaram de imediato para a costa. O CUYABÁ arribou ao porto de Fortaleza, onde foi varado numa praia. O SIQUEIRA CAMPOS foi fundear num baixio, junto a uma praia, no entanto dado que as bombas de bordo não davam vazão à entrada de água, acabou por ser abandonado, afundando-se no local onde ainda hoje parte da sua estrutura é visível; Pós-guerra o CUYABÁ passou a servir os portos da imensa costa do Brasil, não mais voltando a escalar Lisboa e Leixões; 1960 o nome foi alterado para CUIABÁ; 1963 vendido a sucateiros algures em qualquer porto brasileiro.



O CUYABÁ. após a sua reflutuação, atracado ao cais norte da nova doca nº 1 do porto de Leixões, antes da sua inaugurAção. Na imagem vê-se o rebocador GUADIANA e a draga ADOLPHO LOUREIRO dos Serviços Hidráulicos e ainda um vapor que julgo seja de nacionalidade grega /(c) Foto de autor desconhecido - Colecção F. Cabral/.



O LOIDE HAITY da série nações das Américas, tipo LOIDE AMERICA, demandando o porto de Leixões década de 50 /(c) FOTO MAR - LEIXÕES/.


Fontes: Miramar Ship Index; Imprensa diária; As Viagens da Direitura dos Açores ao Brasil 1922/26; Novo Milénio - Rota de Ouro e Prata; Os memoráveis ITAS – Cia Costeira, de Laire José Giraud.

http://www.portogente.com.br/texto.php?cod=23483

http://www.comunidadesacorianas.org/artigo.php?id_artigo=56&idioma=PT

Rui Amaro

domingo, 21 de junho de 2009

CHAMAVA-SE «RENAISSANCE ONE» O PRIMEIRO NAVIO DE CRUZEIROS A ESCALAR O PORTO DE AVEIRO


RENAISSANCE


O paquete de luxo italiano RENAISSANCE ONE, um yacht cruiser, com cerca de uma centena de turistas de várias nacionalidades, demandou a barra do porto de Aveiro pelas 08h00 de 27/05/1991, tendo atracado ao cais comercial Norte onde permaneceu até cerca das 18h00 do mesmo dia, após os passageiros terem realizado um circuito turístico pela região e visitado os principais pontos de interesse de Aveiro e Ílhavo.

Aquele belo navio, que veio consignado aos agentes Garland, Laidley, da praça do Porto, representados no porto de Aveiro pela casa A. J. Gonçalves de Moraes, primitivamente destinava-se ao porto da Figueira da Foz, contudo devido a horas de marés desencontradas com o tempo de estadia e alguma ondulação na barra, rumou ao porto de Aveiro, tendo sido festivamente acolhido pelas autoridades locais, tal e qual como numa anterior escala àquela cidade portuária do rio Mondego, se bem que nesta já não era novidade, uma vez que no século XIX os vapores do correio Porto/Lisboa, transportando passageiros e carga, por vezes demandavam a barra do Mondego, caso do vapor PORTO, que se perdeu na barra do Douro em 29/03/1852 e em que pereceram 36 vidas e salvaram-se miraculosamente apenas 15.

Contra o que hoje em dia se passa no porto da ria de Aveiro, com a visita frequente de paquetes de cruzeiro, tais como o PRINCESS DANAE, de maiores dimensões, à época a escala do mini-paquete RENAISSANCE ONE fora uma agradável e inédita surpresa.

O RENAISSANCE ONE, Imo 8708646, 88,30m/3.990tb, 15 nós; 12/1989 entregue pelo estaleiro Cantieri Navale Ferrari, La Spezia, ao armador Renaissance Cruises, Itália, como RENAISSANCE, tendo sido o primeiro de uma série de oito unidades construídas no período de 1989/92, todos eles ostentando o nome de RENAISSANCE seguido do respectivo cardinal por extenso, dos quais quatro foram construídos pelo estaleiro Nuovi Cantieri Apuania, Marina di Carrara, com ligeiras diferenças; 31/08/1998 THE MERCURY; 19/06/2004 LEISURE WORLD I; 2007 DUBAWI; 2009 continua operacional como “Dubai Royal Yacht” dos Emiratos Árabes Unidos.

Fontes: Comunicação Social, Equasis, Vesseltracker.com e Miramar Ship Index.

Imagem: cartão postal da Renaissance Cruises.

Rui Amaro