terça-feira, 5 de janeiro de 2010
sábado, 12 de dezembro de 2009
O NAUFRÁGIO DO LUGRE-MOTOR PORTUGUÊS «S. JUDAS TADEU» Á VISTA DE SANTO ANTÓNIO DO ZAIRE
Durante duas longas horas a tripulação se lançou à desesperada tarefa, contudo sem sucesso. Por isso que, cerca da 16h00, já o barco podia-se considerar, irremediavelmente perdido. Pouco depois, repercutia-se por todo o navio a ordem para o abandonar. E os tripulantes – cinco Europeus e cinco Africanos – correram para as baleeiras, afastando-se, penosamente do lugre prestes a submergir-se.
O S. JUDAS TADEU arrastado pela corrente, alcançara, entretanto o mar alto, escoltado pelas baleeiras dos náufragos esperançados, ainda, num milagre que lhes permitisse senão recuperar o navio, pelo menos voltar a bordo e salvar os seus modestos haveres. Pelas 21h00 o mar abria-se para dar sepultura ao navio e a essas esperanças da tripulação. Esta perdera tudo no naufrágio. E ainda se arriscara para salvar os documentos de bordo, um cão e um gatito ladino que mesmo em momento de tamanha aflição havia de brincar às escondidas. Depois foi a luta pela vida, por horas mortas da noite, nas frágeis baleeiras. Dezoito horas seguidas tiveram os náufragos, esgotados pelo esforço feito para tentarem salvar o seu velho lugre, de remar até alcançarem o porto de Cabinda, em cuja Delegação Marítima o capitão do lugre apresentou o seu protesto de mar. Foram horas de grande ansiedade as que viveu a tripulação, como, também, a boa gente de Santo António do Zaire que chegou a recear pela sorte dos náufragos, sabido que a costa é ali particularmente perigosa devido às fortes correntes marítimas.
O S. JUDAS TADEU pertencia à Sociedade Naval e Comercial de Lisboa e havia sido construído num dos estaleiros da Figueira da Foz em 1923. Durante largo tempo esteve adstrito à frota bacalhoeira com o nome JOÃO JOSÉ SEGUNDO. Saíra em 11 de Agosto de Lisboa para Matadi, com escala por Dacar e S. Tomé e regressava agora de Benguela e Lobito com um carregamento de sal e peixe seco, que deveria ser descarregado em Cabinda, por se destinar ao Congo Belga. De Cabinda seguiria para Lisboa transportando uma carga de madeiras daquele enclave.
Os seus tripulantes eram: Artur Belo de Morais, de 70 anos de idade, natural da freguesia das Mercês, Lisboa, que comandava o navio; José Fernando de Sousa, de 36 anos de idade, de Setúbal. 1º motorista; António da Cruz Pinto, de 43 anos de idade, de Ílhavo, 2º motorista; Francisco Alves de Castro, de 36 anos de idade, de Viana do Castelo, contra-mestre; António Ferreira Correia, de 56 anos de idade, de Ílhavo; marinheiro; António de Jesus Padre, de 17 anos de idade, de Ílhavo, moço de câmara. Além destes, havia mais cinco indivíduos Africanos colocados nos serviços auxiliares. O S. JUDAS TADEU fazia nos últimos tempos, apenas serviço de cabotagem ao longo da costa Angolana, principalmente entre o Lobito e Matadi, no Congo Belga, e anteriormente trafegava entre portos Portugueses, particularmente ao longo da costa continental.
S. JUDAS TADEU – 46,6m/262,5tb/9nós; 04.03.1923 lançado à água por António Maria Bolais Mónica, Figueira da Foz, como HÉRCULES, lugre bacalhoeiro à vela, por encomenda da Companhia Fomentadora Marítima Figueirense, Figueira da Foz; 1926 JOÃO JOSÉ, Costa & Cia., Figueira da Foz; 1933 JOÃO JOSÉ SEGUNDO, Sociedade de Pesca Luso Brasileira, Lda., Figueira da Foz, tendo-lhe sido instalado motor auxiliar e a partir de então, alterna as campanhas da pesca do bacalhau com o tráfego comercial até 1942, ano em que passa definitivamente para o comércio; 19__ S. JUDAS TADEU, Sociedade Naval e Comercial de Lisboa, Lisboa.
Fontes: Jornal O Comércio do Porto - J. Barrote Júnior; Lloyds Register of Shipping; Blogue Navios e Navegadores.
Rui Amaro
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
« SAUDAÇÕES FESTIVAS »
NAVIOS Á VISTA
BOAS FESTAS E FELIZ ANO NOVO
FELICES PASCUAS Y PROSPERO ANO NUEVO
JOYEUX NOEL ET MEILLEURS VOUEX DE NOUVEL ANNÉE
MERRY CHRISTMAS AND HAPPY NEW YEAR
EIN PROPER WEINACHTSFEST UND EIN GUT NEUE JAHR
AUGURI DI BUON NATALE ET FELICE ANNO NUOVO
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
RECORDANDO OS ARRASTÕES BACALHOEIROS ESTRANGEIROS QUE NAS DÉCADAS DE 50/60 ACOSTAVAM AO PORTO DE LEIXÕES
O JOÃO CORTE REAL demandando o porto de Leixões, década de 50 /(c) Foto Mar - Leixões /.
Na década de 50 era normal assistir-se no porto de Leixões, e talvez, igualmente noutros portos nacionais, além dos arrastões bacalhoeiros de nacionalidade Portuguesa, ainda a chegada de unidades do armamento pesqueiro Alemão e Francês, dentre os quais, os arrastões COLONEL PLEVEN, 73,1m/1.662tb; CAPITAINE PLEVEN, 71,6m/1.543tb; ALEX PLEVEN, 77,5m/1,750tb; BOIS ROSÉ, 74m/1.492tb, e muitos outros mais, de cujos nomes já não me recordo, que descarregavam as suas capturas do “fiel amigo” nos cais daquele porto Nortenho. Os arrastões Alemães eram de pouco porte em relação aos Portugueses e Franceses, que eram maiores e mais possantes.
No pós guerra, mais própriamente em 1947, foram construidos nos EUA, pelo estaleiro Bath Iron Works, Quincy-Massachusset, uma série de arrastões encomendados pelo Governo Francês e entregues a armadores Franceses como reparação de guerra, dentre os quais o COLONEL PLEVEN.
Em 08/1950, também demandou a barra do Porto, o pequeno vapor de arrasto Francês AVANT GARDE, 66m/791tb, que veio descarregar bacalhau, produto da sua campanha no Noroeste do Atlântico. Curiosamente uma grande parte dos arrastões Franceses, apenas possuíam o mastro de vante, jamais encontrei explicação para isso!
Lembro-me de na década de 60, um ou outro arrastão Alemão escalarem Leixões para desembarque da sua companha de pescadores Portugueses. Um deles era o TUBINGEN, 87,7m/2.557tb, congelador, que fundeou a meio da bacia, sendo aquela companha e a sua bagagem transportada para terra por lanchas, e de seguida abandonava o porto de rumo ao seu porto de armamento. Cuxhaven.
O navio de investigação das pescas Alemão ANTON DOHRN (1), 62,3m/999tb, também era um dos visitantes do porto de Leixões, para descanso da sua equipagem.
Rui Amaro
Noticia da escala do ALEX PLEVEN (1) no Jornal de Noticias.







