terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O NAVIO-MOTOR BACALHOEIRO “SAM TIAGO” DEIXA A BARRA DO LIMA

O SAM TIAGO na doca Comercial /(c) Diário do Norte /.


A saída do novo navio da pesca do bacalhau à linha SAM TIAGO a 17.04.1955, posto a flutuar nas cerimónias da flutuação do navio de apoio à frota bacalhoeira GIL EANNES em 11.03.1955, fez atrair à doca comercial centenas de pessoas que admiraram a nova unidade pesqueira, impecavelmente pintada de branco, como manda a tradição da “Portuguese White Fleet”, oferecendo um soberbo aspecto.
No mastro da ré já flutuava a bandeira representativa da SNAB – Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau, Lisboa, empresa a quem se destina. A saída, prevista para as 10h00, só se verificou perto das 12h00, mesmo assim, esse atraso não diminuiu o interesse dos numerosos curiosos que ali se mantiveram para ver a largada de mais um bacalhoeiro construído nos abalizados estaleiros de Viana do Castelo.


O SAM TIAGO saindo da doca Comercial /(c) Joranl de Noticias /.

À partida compareceram as autoridades portuárias e administradores daqueles estaleiros que apresentaram cumprimentos de despedida ao capitão da nova unidade, o cmte José Teiga Gonçalves Leite.
Foi pois com sentida emoção que o SAM TIAGO começou a deslizar suavemente pelo canal de acesso à doca, impulsionado pela sua máquina de 950 BHP. Fora da barra, já depois de desembarcado o respectivo prático, com a máquina em pleno rendimento, a moderna unidade tomou rumo ao porto de Lisboa, onde se foi aparelhar para iniciar a sua primeira campanha de pesca dos mares gelados do Noroeste do Atlântico, dentro de dias.

O GIL EAANNES, á esquerda, e o SAM TIAGO, à direita, nas doscas dos estaleiros Vianenses /(c) imagem de autor desconhecido /.


O SANTIAGO já transformado em arrastão sia do porto de Leixões de rumo ao Douro em 29/06/1967 / Rui Amaro /.


SAM TIAGO – imo 5308524/ 67,2m/ 1.184tb/ 17.000 quintais/ 26 tripulantes/ 74 pescadores/ 10nós; 04/1955 entregue pelos ENVC – Estaleiros Navais de Viana do Castelo, Viana do Castelo, à SNAB – Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau, Lisboa; 1962 SAM TIAGO, convertido num arrastão classico lateral;1970 Parceria Marítima Esperança, Aveiro; 2008 SAM TIAGO, American Shipbuilding, Lorain, EUA.
Subsequente história não encontrada.
Navio gémeo e do mesmo armador: NOSSA SENHORA DA VITÓRIA
Fonte: Imprensa diária
Rui Amaro

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

RECORDANDO O ABALROAMENTO DO NAVIO-MOTOR “MIRA TERRA” COM O NAVIO-TANQUE “CLÁUDIA” NO INICIO DA DÉCADA DE 60


Com o fim de descarregar gasolina e outros combustíveis, encontrava-se em Leixões em ??, atracado ao cais do molhe Sul, o navio-tanque CLÁUDIA, pertencente à SOPONATA, e ao serviço da Sacor. Cerca das 06h00, e após a descarga dos combustíveis, o CLÁUDIA foi fundear na Bacia, aguardando a todo momento, que o espesso nevoeiro que dominava em toda a costa, se dissipasse. Eram 09h05 precisas, quando a atmosfera se desanuviou um pouco. O comandante Álvaro Garrido Pedro, ordenou imediatamente que se levantasse ferro, e com o piloto da barra dirigindo a manobra, fez-se ao mar.Navegava aquele navio-tanque com as máximas precauções, apitando amiudadas vezes como manda o regulamento marítimo, quando a seis milhas e meia da costa, ao mar de Espinho, lhe surgiu na amurada por bombordo, o navio-motor MIRA TERRA, da Sociedade Geral, capitaneado pelo Cmte António Camarate Carrilho, já muito perto, que navegava para Leixões, só se ouvindo nessa altura o sinal característico de aproximação.

Eram precisamente 10h10, o comandante do navio-tanque que atento ao mar, na ponte de comando, com o imediato, Vasco Correia, e 1º maquinista Mário Fernandes e os marinheiros Bento José dos Santos Arcadinho, este ao leme, e Manuel António Henriques, ao verificar que o navio de carga ia abalroar com seu barco pelo través, o que era um perigo enorme, visto que nos tanques havia muitos gazes, dando mostras duma grande perícia, ordenou prontamente ao timoneiro que rodasse o leme todo a bombordo, enquanto com as máquinas a toda a força o CLÁUDIA tentava escapar. Como não podia deixar de ser, deu-se a colisão, felizmente sem grande perigo. O MIRA TERRA embateu com a proa por bombordo do CLÁUDIA, produzindo-lhe um extenso rombo. A colisão que foi violenta, apanhou no beliche, apenas o tripulante José Ramos Carrelo, de 27 anos, da Cova da Piedade, em Almada, que com a violência da pancada, foi projectado, ferindo-se no frontal e coxa esquerda.

Logo que se deu o embate, as duas embarcações entraram em contacto com as autoridades marítimo-portuárias de Leixões, que tomou imediatas providências, entrando neste porto, ambos os barcos, cerca das 12h00, fundeando na Bacia e sendo o tripulante sinistrado conduzido aos serviços de urgência do Hospital de Matosinhos.


CLÁUDIA em Leixões / (c) Foto-Mar, Leixões /.

CLÁUDIA – Navio-tanque costeiro, 56m/638tb, 2 hélices; 1944 entregue pelo estaleiro Odenbach Shipbuilding Corp., Rochester, NY, como Y80 para a US Army Tankers; 1946 CLÁUDIA, Cia. Marítima Caralaga SA, Honduras; 1951 CLÁUDIA, SOPONATA - Soc. Portuguesa de Navios Tanques, Lisboa, que o colocou no tráfego costeiro nacional, particularmente fretado à Sacor Marítima, Lisboa; 1961 CLÁUDIA, Sacor Marítima, Lisboa; 1972 CLÁUDIA, interesses Portugueses, convertido em areeiro e passando a operar na extracção de areia ao largo da Ilha da Madeira, tendo vindo mais tarde para o rio Douro, zona de Entre Rios/Castelo de Paiva; 2010 ainda em serviço.


MIRA TERRA cruzando a barra do Douro de saída em 14/07/1966 /(c) Rui Amaro /.

MIRA TERRA (2) – 55,81m/562,31tb; 15/03/1957 entregue pela CUF – Companhia União Fabril (Estaleiro Naval da AGPL – Rocha), Lisboa, á Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, Lisboa; 1967 transferido para o tráfego inter-lhas de Cabo verde; 25/07/1970, perdeu-se por encalhe no baixio do Galeão, Norte da Ilha do Maio, sem perda de vidas.

Navios gémeos: SILVA GOUVEIA (3) e MARIA CRISTINA (2).

Fonte: Jornal O COMÉRCIO DO PORTO, Lloyd’s Register of Shjpping.

Rui Amaro

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

REBOCADORES DO PORTO DE VIANA DO CASTELO

Os rebocadores MONTE DE SÃO BRÁS e MONTE XISTO, empresa Tinita, atracados ao cais comercial do porto de Viana do Castelo - Dezembro de 2009 / (c) José Rui Amaro /.

sábado, 12 de dezembro de 2009

O NAUFRÁGIO DO LUGRE-MOTOR PORTUGUÊS «S. JUDAS TADEU» Á VISTA DE SANTO ANTÓNIO DO ZAIRE

Lugre S. JUDAS TADEU /Imprensa diária- Cortesia Luis Filipe Morazzo/.

A 13.11.1966, uma Terça-feira, dia aziago para os supersticiosos, mas também para todos os tripulantes do lugre-motor Português S. JUDAS TADEU, supersticiosos ou não. O que se sabe é apenas isto: que a embarcação navegava normalmente, aprestando-se a tripulação para descansar um pouco, após o almoço, quando foi recebido na casa do leme o alarme, vindo da casa da máquina. O navio estava a fazer água, cada vez em maior volume. Eram, precisamente, 13h30 e o lugre navegava a cerca de 3 milhas da Ponta da Moita Seca, à vista de Santo António do Zaire. Todos correram aos seus postos. Procedeu-se a uma minuciosa busca nos porões, para se descobrir o rombo, para se localizar a rotura e tentar obturá-la. Mas tudo em vão. A água inundava, já, a casa das máquinas, dificultando todos os serviços. Procurou-se, então, impedir que a inundação progredisse perigosamente, pondo-se a funcionar quatro bombas para o escoamento. Pretendia-se, assim, equilibrar a entrada de água com o seu escoamento, possibilitando o salvamento pelo menos da tripulação.

Durante duas longas horas a tripulação se lançou à desesperada tarefa, contudo sem sucesso. Por isso que, cerca da 16h00, já o barco podia-se considerar, irremediavelmente perdido. Pouco depois, repercutia-se por todo o navio a ordem para o abandonar. E os tripulantes – cinco Europeus e cinco Africanos – correram para as baleeiras, afastando-se, penosamente do lugre prestes a submergir-se.

O S. JUDAS TADEU arrastado pela corrente, alcançara, entretanto o mar alto, escoltado pelas baleeiras dos náufragos esperançados, ainda, num milagre que lhes permitisse senão recuperar o navio, pelo menos voltar a bordo e salvar os seus modestos haveres. Pelas 21h00 o mar abria-se para dar sepultura ao navio e a essas esperanças da tripulação. Esta perdera tudo no naufrágio. E ainda se arriscara para salvar os documentos de bordo, um cão e um gatito ladino que mesmo em momento de tamanha aflição havia de brincar às escondidas. Depois foi a luta pela vida, por horas mortas da noite, nas frágeis baleeiras. Dezoito horas seguidas tiveram os náufragos, esgotados pelo esforço feito para tentarem salvar o seu velho lugre, de remar até alcançarem o porto de Cabinda, em cuja Delegação Marítima o capitão do lugre apresentou o seu protesto de mar. Foram horas de grande ansiedade as que viveu a tripulação, como, também, a boa gente de Santo António do Zaire que chegou a recear pela sorte dos náufragos, sabido que a costa é ali particularmente perigosa devido às fortes correntes marítimas.

O S. JUDAS TADEU pertencia à Sociedade Naval e Comercial de Lisboa e havia sido construído num dos estaleiros da Figueira da Foz em 1923. Durante largo tempo esteve adstrito à frota bacalhoeira com o nome JOÃO JOSÉ SEGUNDO. Saíra em 11 de Agosto de Lisboa para Matadi, com escala por Dacar e S. Tomé e regressava agora de Benguela e Lobito com um carregamento de sal e peixe seco, que deveria ser descarregado em Cabinda, por se destinar ao Congo Belga. De Cabinda seguiria para Lisboa transportando uma carga de madeiras daquele enclave.

Os seus tripulantes eram: Artur Belo de Morais, de 70 anos de idade, natural da freguesia das Mercês, Lisboa, que comandava o navio; José Fernando de Sousa, de 36 anos de idade, de Setúbal. 1º motorista; António da Cruz Pinto, de 43 anos de idade, de Ílhavo, 2º motorista; Francisco Alves de Castro, de 36 anos de idade, de Viana do Castelo, contra-mestre; António Ferreira Correia, de 56 anos de idade, de Ílhavo; marinheiro; António de Jesus Padre, de 17 anos de idade, de Ílhavo, moço de câmara. Além destes, havia mais cinco indivíduos Africanos colocados nos serviços auxiliares. O S. JUDAS TADEU fazia nos últimos tempos, apenas serviço de cabotagem ao longo da costa Angolana, principalmente entre o Lobito e Matadi, no Congo Belga, e anteriormente trafegava entre portos Portugueses, particularmente ao longo da costa continental.

S. JUDAS TADEU – 46,6m/262,5tb/9nós; 04.03.1923 lançado à água por António Maria Bolais Mónica, Figueira da Foz, como HÉRCULES, lugre bacalhoeiro à vela, por encomenda da Companhia Fomentadora Marítima Figueirense, Figueira da Foz; 1926 JOÃO JOSÉ, Costa & Cia., Figueira da Foz; 1933 JOÃO JOSÉ SEGUNDO, Sociedade de Pesca Luso Brasileira, Lda., Figueira da Foz, tendo-lhe sido instalado motor auxiliar e a partir de então, alterna as campanhas da pesca do bacalhau com o tráfego comercial até 1942, ano em que passa definitivamente para o comércio; 19__ S. JUDAS TADEU, Sociedade Naval e Comercial de Lisboa, Lisboa.

Fontes: Jornal O Comércio do Porto - J. Barrote Júnior; Lloyds Register of Shipping; Blogue Navios e Navegadores.

Rui Amaro