quinta-feira, 4 de março de 2010

NAVIO-ESCOLA “GORCH FOCK”(1) / “TOVARISCH” / NAVIO-MUSEU “GORCH FOCK I”




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A perda do navio-escola Alemão NIOBE, uma barca de três mastros que naufragou em 25/07/1932 no Mar Báltico, perto de Fehrmann, com a perda de 68 homens, levaram a Marinha de Guerra Alemã a decidir-se pela construção dum novo navio-escola para dar treino de mar aos seus cadetes, sargentos e marinheiros. O contrato foi celebrado com o estaleiro Blohm & Voss, em Hamburgo, e assim a cerimónia do assentamento da quilha foi realizada em 02/12/1932, tendo a sua construção levado cem dias.
Em 03/05/1933, numa cerimónia pública que contou com 300 entidades civis e militares, 720 convidados – entre os quais se encontravam os pais de Johann Kinau, escritor Germânico que embarcado como marinheiro, faleceu em combate a bordo do cruzador WIESBADEN, durante a batalha naval de Skagerrak de 31/05/1916, e que havia escrito diversos contos e poemas, sob o pseudónimo de GORCH FOCK – e ainda cerca de 1.000 espectadores, o novo navio-escola foi lançado à água e baptizado de GORCH FOCK em homenagem aquele escritor, tendo sido entregue à “Reichsmarine”, a Marinha Alemã, em 27/06/1933.

O GORCH FOCK armou em barca de tês mastros, tinha velas redondas no mastro do traquete ou de vante, assim como no principal ou do meio, e no da mezena ou da ré usava velas latinas, mezena e gave-tope, sendo as restantes triangulares. O casco era de aço com um cff de 82,1m, cpp 73,64m, boca 12m, calado 5,2m, deslocamento 1.760 tons. O seu mastro principal tem 41,30m de altura acima do pavimento e carrega 23 velas num total de 1.753m2. Equipado com um motor de 550Hp, 45 tripulantes e 180 cadetes.
O navio foi projectado para ser especialmente robusto e seguro para aguentar mar tempestuoso: mais de 300tons de lastro de aço na quilha dão-lhe um movimento de braço grande e suficiente para trazê-lo de volta à posição vertical mesmo quando o balanço ou inclinação vai aos 90º.
O GORCH FOCK serviu como um navio de treino para a “Reichsmarine” tendo realizado várias viagens de instrução. Em 1935 a Marinha de Guerra Alemã passou a ser denominada de "Kriegsmarine" e o GORCH FOCK transitou para a nova Armada, contudo no inicio do conflito manteve-se atracado em Stralsund, onde a bordo continuou a ser ministrada instruções de marinharia e navegação, até que voltou a navegar, depois de lhe ter sido instalado um novo e mais potente motor. Até ao final da guerra efectuou várias viagens de instrução e participou no transporte de tropas, quando os Alemães retiraram dos estados Bálticos.

Em 01/05/1945 a equipagem afundou-o em águas pouca profundas ao largo de Rugen, na tentativa de evitar a sua captura pelas forças invasoras Russas.
No final da Guerra, na partilha dos navios Alemães pelos vencedores de guerra, o navio coube à USSR, no entanto em 1947, os Russos puseram-no a flutuar e recuperaram-no, e entre 1948 e 1950 foi restaurado, inicialmente em Wismar e mais tarde em Rostock. Em 1951 recebeu o nome de TOVARISCH (“camarada” em língua Portuguesa), e de novo colocado como navio-escola de treino, desta vez ao serviço da Escola Náutica de Odessa, no Mar Negro, para ser utilizado em viagens de instrução de cadetes da Marinha Mercante Soviética.
Sob o nome de TOVARISCH participou em muitas competições da “Tall Ships’ Races” e tem cruzado com alguma regularidade os “Sete Mares”. Em 1957 realizou uma viagem de circum-navegação e ainda foi o vencedor das “Operations Sail Races” de 1974 e 1976.
Após a dissolução da União Soviética em 1991, o TOVARISCH passou a navegar sob bandeira da Ucrânia, e ao serviço de treino dos futuros marinheiros e pilotos da Marinha Mercante daquele novo país, passando a ter o porto de Kherson como base até 1993, quando foi desactivado e imobilizado devido a falta de verbas para a sua reparação e fabricos. Em 1995 deixou a sua base de Kherson, na Ucrânia, de rumo a Newcastle-upon-Tyne, Escócia, onde patrocinadores privados pretendiam repará-lo e colocá-lo a navegar novamente, tendo o empreendimento fracassado, devido aos custos elevados estimados, após o navio ter entrado em doca seca, e que não estavam previstos.
Em 1999 a Associação Alemã dos Grandes Veleiros conseguiu arranjar financiamento para os fabricos exigidos, e assim o navio foi para o porto de Wilhemshaven, na Alemanha, onde permaneceu imobilizado durante quatro anos, até que finalmente em 2003, depois de beneficiado, voltou ao seu porto de origem, Stralsund, Alemanha, transportado a bordo do navio-doca (float on - float off) CONDOCK V, de bandeira Gibraltina.


Em 29/11/2003 voltou a ostentar o seu primitivo nome de GORCH FOCK, servindo actualmente como navio-museu, contudo estão sendo feitos esforços para o colocar de novo a navegar, se bem que seja duvidoso que volte ao mar, mas pelo menos deixou de ser desmantelado para sucata.
Gémeos com pequenas diferenças: EAGLE ex HORST WESSEL; SAGRES (3), ex GUANABARA, ex ALBERT LEO SCHLAGTER; MIRCEA; HERBERT NORKUS; GORCH FOCK (2).
Fontes: wwwknowledgerush.com; wwwe.s.y.s.com; Revista da Armada de Fev. 2004-1TEN António Manuel Gonçalves.
Imagens: Imprensa diária Polaca de 17/07/1974 (Obrazy: dziennik Polski 17 lipca 1974).
Rui Amaro

domingo, 28 de fevereiro de 2010

PROGRAMA JOVENS E O MAR DA “APORVELA”



Caros amigos,

A APORVELA criou o programa Jovens e o Mar que visa levar jovens portugueses a bordo de grandes veleiros em regatas internacionais de tall ships. É nosso objectivo que cada vez mais jovens recebam treino de mar.

Este programa tem vindo a crescer nos últimos anos mas a sua divulgação continua a ser fundamental.

Pedimos, por isso, a melhor divulgação do press-release anexo. Juntamos ainda o logótipo do programa e três fotografias a título de exemplo.

Toda a informação está disponível no site e no blog da Aporvela.

Com os nossos agradecimentos,

Rui Santos

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Travessa do Conde da Ponte, nº 8 r/c

1300-141 Lisboa

Tel: +351 218 876 854

Fax: +351 218 873 885

Mob: +351 934 081 112

caravela@aporvela.pt

www.aporvela.pt

aporvela.blogspot.com

Facebook: Aporvela



Descubra como embarcar num grande veleiro e numa aventura inesquecível!

Press Release: Programa 2010 “Os Jovens e o Mar” da Aporvela

22/02/2010

caravela@aporvela.pt

218 876854

Rui Santos



A Aporvela – Associação Portuguesa de Treino de Vela - criou o programa Jovens e o Mar, que proporciona aos jovens a partir dos 15 anos uma experiência de mar e simultaneamente uma experiência de vida, onde os desafios são constantemente superados.

O programa Jovens e o Mar oferece aos tripulantes a oportunidade de embarcar num grande veleiro, com jovens de diferentes nacionalidades e participar numa experiência inesquecível: viver a bordo e em equipa, partilhando tarefas e responsabilidades, fazendo amigos para a vida.

Recentes estudos universitários demonstram que a participação em programas de treino de vela representam um importante contributo na formação e desenvolvimento pessoal e social dos jovens, sobretudo nas áreas da liderança, espírito de equipa, responsabilidade e assertividade.

Em 2010 os jovens portugueses têm à sua disposição quatro regatas e quinze veleiros: Garibaldi Tall Ships Regatta; Historical Seas Tall Ships Regatta; Tall Ships Races 2010 e North Sea Tall Ships Regatta 2010.

Em 2012 é a vez de Lisboa acolher uma destas regatas. Serão cerca de 100 grandes veleiros e milhares de tripulantes.

A lista dos veleiros, os seus percursos, preços e a ficha de inscrição estão disponíveis no site da Aporvela em www.aporvela.pt

SEMANA SOBRE A PIRATARIA NO SECULO XXI



NO PRÓXIMO DIA 9 DE MARÇO, TERÁ LUGAR PELAS 09h30 NO IDN DE LISBOA UM SEMINÁRIO SOBRE “A PIRATARIA NO SÉCULO XXI”.

A SESSÃO É ABERTA AO PÚBLICO EM GERAL E SERÁ TRANSMITIDA POR VIDEO CONFERÊNCIA PARA O IDN PORTO.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O PAQUETE PORTUGUÊS “PATRIA”(1) DA ANDRESEN LINE

P A T R I E


O vapor misto (passageiros/carga) Português PATRIA (1); cff 115m?/ cpp 110,2m/ 3.152tb/ 2.197tl/ máquina tripla expansão/ 10 nós; 30/09/1890 lançado à água e em 11/1890 e entregue pelo estaleiro J. L. Thompson & Sons, Sunderland, como KEEMUN À China Shippers Mutual Steam Navigation Co. Ltd., Londres; 1892 KEEMUN, China Mutual Steam Navigation Co., Ltd., Londres; 1897 KEEMUN, Donaldson Bros, Ltd., Glasgow; 1900 PATRIE, G. Tonnelier & F. Scheppen, Antuérpia; 1901 PATRIA, J. H. Andersen, Sucrs, Lda. (Andresen Line), Porto; 1905 PATRICIA, G.S. Patrikios & Sons, Argostoli, Greece; 18/01/1907 naufragou a cerca de 7 milhas náuticas do barco-farol de Habsborough, Norfolk, quando em rota de Hull para Alexandria, transportando um carregamento de carvão, devido a colisão com o vapor Norueguês MORINGEN, 568tb, construído em 1871. O PATRIA como PATRIE transportou tropas expedicionárias para a China, a fim de combaterem na guerra dos Boxers, entre 1890 e 1900.

J. H. Andersen & Sons., Lda, um dos mais importantes armadores nacionais, com uma enorme frota de vapores e navios de vela, empregou o PATRIA no tráfego de passageiros e carga da sua carreira entre Portugal, Açores e Nova Iorque, particularmente no tráfego de emigrantes, que iam procurar melhor vida na América do Norte, tendo realizado entre outras as seguintes escalas em Nova Iorque: 13/09/1901, 04/11/1901, 06/06/1902 e 16/09/1902 juntamente com os paquetes DONA MARIA, DONA AMÉLIA e OEVENUM, da Andresen Line e o PENINSULAR, da Empresa Insulana de Navegação (Insular Line), Lisboa.

O PATRIA era um dos vapores de grande deslocamento, senão o maior, que cruzava a barra do Douro, sem qualquer percalço, mesmo quando, por vezes estava à barra bastante carregado em 18,5 pés de água, e mesmo 19 pés, equivalente a cerca de 6 metros. Está claro, com uma barra larga e condições de tempo favoráveis. Actualmente isso parecerá inverosímil! O certo é que era a realidade!

O primeiro porto nacional que escalou foi o do rio Douro, em 30/07/1901 para descarga de carvão de Gales, procedente de Newport em 18,5 pés de calado, e a 15/08/1901 saiu para Lisboa, de onde partiu no dia 19 na sua primeira viagem comercial com destino a Nova Iorque, com escala pelo arquipélago Açoreano.

LINHA DE NAVEGAÇÃO DE J. H. ANDRESEN / ANDRESEN LINE

A Linha de Vapores Portugueses, também conhecida por “Linha de Navegação de J. H. Andresen” ou “Andresen Line” foi iniciada no ano de 1840 com uma pequena frota de navios de vela. O primeiro vapor foi adquirido em 1860, o DUQUE DO PORTO, 268tb, para um serviço de carga com o Brasil. O serviço de passageiros foi inaugurado num serviço triangular entre Antuérpia, Porto, Rio de Janeiro e Nova Iorque em 1887. Mais tarde passaram a escalar os Açores, Reino Unido e portos do Amazonas. Devido à concorrência bastante intensa, e também pelo falecimento de J. H. Andresen, seu fundador, a companhia cessou a actividade no ramo da navegação marítima, continuando a prevalecer o negócio do vinho do Porto, ainda hoje existente em Vila Nova de Gaia.

Fontes: F. Cabral, The Ships List, Miramar Ship Index, Belgische Koopvaardij.

Imagem: autor desconhecido – Colecção de F. Cabral.

Rui Amaro