domingo, 16 de janeiro de 2011

O "ANA MARIA" – O ÚNICO LUGRE BACALHOEIRO Á VELA NA CAMPANHA DE 1957 E "MENINO QUERIDO" DA PRAÇA DO PORTO

O ANA MARIA em manobras de amarração à lingueta do Bicalho, Massarelos, quando da sua primeira campanha, 1941, pelo armamento da praça do Porto / foto de autor desconhecido - colecção F. Cabral /.


A 17/04/1957 saiu da barra do Douro o lugre ANA MARIA, um lugre bacalhoeiro que toda a gente conhecia, e ainda hoje lembrado, pois era um verdadeiro símbolo bastando dizer-se que era o único navio da pesca do bacalhau que não era equipado com motor auxiliar, navegando sempre à força do vento, o único "combustível" que "abastecia" o seu velame.

Quando o ANA MARIA regressava da sua faina, era mais do que certo que tinha um numeroso público a esperá-lo, constituído, não só pela família e amigos dos tripulantes e pescadores e pelos seus armadores, como também pelos amadores fotográficos, que ali iam levados pelo desejo de recolher a imagem do belo e alvinitente navio com as suas velas enfunadas, confundindo-se com uma enormíssima ave marinha.

Desde alguns dias que já havia noticias da largada do ANA MARIA dos mares do grandes bancos da Terra Nova – 21/03 – e pelos cálculos feitos já ele deveria ter chegado. No entanto como os ventos foram um pouco desfavoráveis, retardaram-lhe a viagem e só a 09/09 ele foi avistado a Noroeste da barra do Douro, como não poderia deixar de ser, de velas desfraldadas, e tendo o vento de feição, em pouco tempo estava à barra. Recebido o prático, e estabelecida a amarreta com o rebocador VANDOMA, e ferrado o pano, fez-se à barra.


O ANA MARIA demanda a barra do Douro a reboque do VANDOMA a 09/09/1957 / foto de Rui Amaro /.


O ANA MARIA foi acompanhado por terra enquanto subia o rio até à amarração, no lugar do cais das Pedras, Massarelos, por muita gente, que o fora aguardar á barra, e pelo rio seguido por bateiras do centro piscatório da Afurada, dado que da companha faziam parte pescadores daquela localidade Gaiense.

Depois das manobras de amarração, auxiliadas por uma lancha dos pilotos, da visita a bordo dos agentes da Sanidade Marítima, Policia Marítima e Policia Internacional, foi autorizado o desembarque dos tripulantes e pescadores, dando-se como sempre as cenas de franca alegria entre eles e as pessoas de família e amigos.

O ANA MARIA, "Menino Querido" da praça do Porto, que trazia de lotamento 38 homens dentre tripulantes e pescadores, era pertença dos armadores Veloso, Pinheiro & Cia. Lda., da Avenida dos Aliados e comandado pelo capitão Joaquim Agonia da Silva, de Vila do Conde, e tinha como piloto, o capitão José Fernandes Pereira, mais conhecido por "Zé Lau", um pequeno corpo mas grande na coragem para quem o mar não tem segredos e que dizia querer tanto ao ANA MARIA como se ele fosse mesmo seu, pois nele passara muitas campanhas e muitos anos de vida.

Da equipagem do ANA MARIA que trazia um carregamento completo, apenas adoeceu um moço, mas não fora coisa de cuidado.

Terminada a descarga no lugar do cais das Pedras, o "velho lugre" cambou, também auxiliado por um rebocador para o Quadro dos Navios Bacalhoeiros, Massarelos, afim de hibernar e iniciar os fabricos para a próxima campanha da "Faina Maior", sem que antes os pilotos não deixassem de ter o necessário cuidado de reforçar as suas amarras, tanto para o rio como para terra, afim do lugre suportar eventuais cheias no rio ou qualquer ciclone, como já ocorreu na década de 40 com ele e com os seus companheiros de ancoradouro, que garraram e andaram uns contra os outros, e o PAÇOS DE BRANDÃO afundou-se mesmo.

ANA MARIA – 50,86m/ 270,64tb/ 5.058 quintais/ 9 tripulantes/ 29 pescadores; 1873 construído pelos estaleiros Dundee Shipbuilding & Co., Dundee, como ARGUS para William Thomson, Dundee; 1885 ARGUS (1), Bensaúde & Cia, Lisboa, comprado pela importância de 13.500$000 reis; 1891 ARGUS (1) Parceria Geral de Pescarias, Lisboa, transferido para empresa parente, conservando sempre o mesmo nome; 1924 reconstruído, mas nunca chegou a ser equipado com motor auxiliar; 1941 ANA MARIA, Veloso, Pinheiro & Cia., Lda., Porto, comprado por 215.000$00, continuando na indústria da pesca do bacalhau; 08/09/1958 ANA MARIA, naufragou com água aberta, quando no termo da campanha se preparava para rumar à Pátria, contando a bonita idade de 85 anos, 73 dos quais sob as cores nacionais de Portugal e 18 ao serviço do armador Portuense, salvando-se toda a tripulação que fora recolhida por dois arrastões Espanhóis.

Consta que fora construído para "Royal Navy" como navio-escola denominado HMS ARGUS, nome muito utilizado pela Marinha de Guerra de Sua Majestade Britânica, contudo pelas minhas pesquisas não encontrei nada que o confirmasse. Agora poderá ser que tivesse sido fretado ao seu armador Escocês para essa função.

Fontes: Jornal de Noticias

Rui Amaro

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sábado, 15 de janeiro de 2011

O REGRESSO DO LUGRE "ANA MARIA" QUE TROUXERA A BORDO 14 NÁUFRAGOS DO LUGRE "PAÇOS DE BRANDÃO" ENTRE OS QUAIS UM RAPAZ DE 14 ANOS, CLANDESTINO


O ANA MARIA amarrado à lingueta do Bicalho, Massarelos, após a sua chegada de mais uma campanha nos Bancos da Terra Nova /Diário de Noticias /.


De regresso dos Bancos da Terra Nova, de onde zarpara precisamente haviam 15 dias com carregamento completo de bacalhau, e após uma singradura sem qualquer novidade, com bom tempo e vento de feição, entrou a 27/08/1951, cerca do meio-dia, no rio Douro, amarrando depois à lingueta do Bicalho, Massarelos, o puro lugre á vela de 3 mastros ANA MARIA, comandado pelo capitão José Gonçalves da Silva, de Ílhavo, e propriedade dos armadores Veloso Pinheiro & Cia., Lda., sedeados na praça do Porto.

A bordo vinham 14 dos náufragos – um dos quais clandestino, de 14 anos há poucos dias feitos! - do também puro lugre à vela de 3 mastros PAÇOS DE BRANDÃO, pertencente ao mesmo armador do ANA MARIA, que no passado, dia 3, conforme fora noticiado, se afundara na Terra Nova, quando andava na rude faina da pesca. Eram eles: João André Alão, de Ílhavo, capitão; José Manuel dos Santos Alves Nilo, de Portimão, piloto; José Sousa, contra-mestre; Domingos Gomes Ferreira Júnior, cozinheiro; Jaime da Silva Catarino, encarregado dos motores de serviços – todos de Ílhavo; os pescadores Alberto Gonçalves Ribeiro; José dos Santos Viana, e Manuel da Silva Sancadas, de Vila do Conde; Jesuino Martins e Adolfo Ferreira Arteiro, da Póvoa do Varzim; Eduardo dos Santos Coutinho, da Afurada; e João Nunes Pelicas, de Ílhavo; e o moço de câmara José Paulo Gomes Pena, de Ílhavo. Um total de 13 elementos da companha do PAÇOS DE BRANDÃO, que era composta de 32 tripulantes, incluindo o capitão. Faltando portanto ainda 19 homens, que vieram a bordo do JULIA 1º, onde foram recolhidos, e que se destinava a Lisboa, seu porto de armamento.


O PAÇOS DE BRANDÃO amarrado junto da lingueta do Bicalho, Massarelos, logo após a chegada de mais uma campanha nos bancos da Terra Nova / Jornal de Noticias /.


Juntamente com os 13 náufragos então, chegados, veio também um rapaz – um autêntico "lobo do mar" em embrião – chamava-se ele Adriano Neves da Silva, de 14 anos – feitos em 1 de Maio – e é um dos 9 filhos de Júlio de Sousa e de Iva de Jesus Neves, que lá estavam, á chegada do navio, na lingueta, presos de emoção, para receberem o filho pródigo… O pequeno, claro, entregue à autoridade competente, a PIDE, que iria resolver o seu caso de harmonia com as leis, não seguiu para sua casa, localizada ali numa rua junto do seu navio – mas agora já em terra firme, para sua tranquilidade. Nas instalações da PIDE fora interrogado se alguém o teria aliciado a embarcar clandestinamente no PAÇOS DE BRANDÃO, como não houvesse nada de interesse foi mandado em paz, e nem poderia ser de outra maneira.

O Adriano, que era de Massarelos, ali mesmo à borda de água, foi recebido como um "herói" pelos seus amigos e companheiros de escola e traquinices. Recepção triunfal! E ele – ao que nos garantiram, regressado muito mais homem, tanto no porte, como no físico – contou ao jornalista a sua odisseia:

Desde pequeno que ali, à beira-rio, onde brincava, assistia às partidas, e chegadas dos navios bacalhoeiros. E gostava "daquilo"! À noite, sonhava com o mar, vendo-se a comandar grandes navios!... E foi assim, a pouco e pouco, que no seu espírito se foi criando a iniciativa de embarcar clandestinamente – para a aventura…

Traçou os seus planos com todo o cuidado – e como alvo escolheu o PAÇOS DE BRANDÃO, que estava ali mais à terra, por bombordo do ANA MARIA. Então, na barafunda das despedidas foi muito sorrateiro (tão franzino era então que o pode fazer!) alojando-se numa "loca", uma espécie de pequeno armário à proa do lugre, onde se guardava carvão.

Só após alguns dias de viagem deram com ele – quase desfalecido por causa do enjoo.

"Está aqui um gato!" – foi a primeira exclamação do tripulante que o encontrou. Mas não era…

Gaiato sempre pronto para todos os serviços por mais duros que eles fossem: O pequeno Adriano, sempre disponível a ajudar, em pouco tempo ganhou a simpatia de cada um dos tripulantes do PAÇOS DE BRANDÃO. E assim foi indo, até que deu uma queda da verga da vela do traquete, fracturando um braço. Mas não chorou! Deixou-se tratar como um homem – ou melhor como nem todos os homens! E, curou-se, até que novamente ele pôs bem à prova a sua coragem e a sua valentia de autentico "lobo do mar". Foi quando do naufrágio do PAÇOS DE BRANDÃO. Quis ser dos últimos a abandonar o seu navio e ajudou um pescador que estava em risco de vida a abandonar o navio sinistrado, já sob violento incêndio – e só chorou (também à maneira dos marinheiros), quando o viu afundar-se!...


O PAÇOS DE BRANDÃO por terra do ANA MARIA, seguindo-se o AVIZ e o SENHORA DA SAÚDE amarrados no quadro do navios bacalhoeiros, Massarelos, local onde o ousado pequeno "lobo do mar" conseguiu embarcar clandestinamente / F. Cabral - Porto /.


Depois recolhido pelo ANA MARIA, foi entregue, de harmonia com as leis marítimas, ao capitão do porto, nos Mares da Terra Nova e Groenlândia, a bordo do GIL EANES, comandante Tavares de Almeida. Já então as suas façanhas se haviam tornado conhecidas, e o Adriano breve conquistava as simpatias da equipagem do famoso navio de apoio à frota. Seguindo nele desembarcou no porto Canadiano de Sidney, onde ao conhecer-se a sua aventura, o envolveram em exuberantes manifestações de carinho. Vestiram-no, deram-lhe muitos brinquedos e não faltavam famílias que queriam tomar conta dele!

Mas outro teria de ser o destino do Adriano, que foi depois embarcado no lugre ANA MARIA, que acabara de chegar, tendo sido apresentado às autoridades marítimas, que por certo, e se tal tivesse sido possível, não o deixariam de matricular na Escola dos Pescadores, o que não se concretizou.

Simpático, de modos resolutos, forte (bem diferente do que era antes da sua aventura) o Adriano Neves da Silva, envergando a indumentária característica do pescador, parecia um "velho lobo do mar", ao lado de uma das irmãs e entre o pai e a mãe, que carinhosamente, e com as lágrimas nos olhos queria ver o braço partido do seu menino---

O jornalista falando com alguns dos náufragos, todos foram unânime em afirmar que o Adriano fora um verdadeiro marinheiro, que soube enfrentar a odisseia por si vivida, sobretudo na ocasião do temporal que os apanhou quando se encontravam ancorados no pesqueiro denominado "Virgin Rocks". Foi um ciclone tremendo! Perdemos tudo, incluindo as roupas que vinham em 6 dóris que se voltaram. Valera-lhes a rapidez dos socorros, prestados pelos lugres ANA MARIA, MARIA FREDERICO, JÚLIA 1º, CRUZ DE MALTA e SÃO JACINTO. Uma hora mais tarde, e não haveria possibilidade para chegarmos a bordo de qualquer deles. Estaríamos irremediavelmente perdidos – afirmaram.

No momento do naufrágio, o PAÇOS DE BRANDÃO tinha já 3.200 quintais de bacalhau – ou seja o carregamento quase completo.

Depois de cumpridas as formalidades legais, os náufragos do PAÇOS DE BRANDÃO e a maior parte da companha do ANA MARIA juntaram-se aos seus familiares e amigos que de longe os haviam vindo esperar e abraçar e seguiram para as suas respectivas localidades, para um descanso de alguns dias, antes de retomaram as suas lides pesqueiras artesanais.

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/outros/domingo/as-confissoes-de-um-pirata

Não haja dúvida, que aqueles dois belíssimos lugres de madeira, "os meninos bonitos da praça do Porto", amarrados ali em Massarelos, no quadro dos navios bacalhoeiros, tão pertinho da margem, e ainda para mais navios à vela, e na altura da largada de ambos no mesmo dia, um atrás do outro, de velas enfunadas pela nortada fresca, rumando directamente aos pesqueiros do Noroeste do Atlântico, sem estarem presentes na cerimónia religiosa da Benção dos Bacalhoeiros, que todos os anos se realizava no estuário do Tejo, por Abril ou Maio, frente a Belém, onde marcavam presença os seus companheiros de hibernação no rio Douro, BISSAYA BARRETO (1), COMANDANTE TENREIRO (1), INFANTE DE SAGRES TERCEIRO, AVIZ, CONDESTÁVEL, SENHORA DA SAÚDE, COIMBRA, SÃO JACINTO e o SENHORA DO MAR, seduziam o rapazio ribeirinho, e eu que o diga, a tentar a aventura, como consta que em tempos recuados já ocorrera, pois sempre era uma ajudinha para o cozinheiro de bordo.

Fontes: Jornal de Noticias

Rui Amaro


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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

NA DÉCADA DE 70, OS CAPACITADOS " ESTALEIROS NAVAIS DE VIANA DO CASTELO" ENTREGARAM À POLÓNIA UMA IMPORTANTE ENCOMENDA DE CINCO NAVIOS DE GRANDE PORTE


O MAJOR SUCHARSKI ainda numa das docas de flutuação dos ENVC /gravura de O COMERCIO DO PORTO /.


Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, que têm desempenhado um papel de relevo no panorama da construção naval Portuguesa, na década de 70, entregaram à CENTROMOR, Instituição Polaca, ainda existente, responsável pela actividade de várias indústrias, nomeadamente a da construção naval, o primeiro de cinco navios de grande porte, que lhe foram encomendados.


MAJOR SUCHARSKI / postal da POL /.


Tratava-se de navios de carga geral de 12.200tdw, com 133m de comprimento, 11,63m de pontal, 9,05m de calado carregado, com uma velocidade 18nós e uma potência de 7.200BHP; pois eram navios muito semelhantes ao PORTO e ao MALANGE, que foram construídos há já alguns anos pelos estaleiros de Viana do Castelo para a Companhia Colonial de Navegação. Esses novos navios foram os seguintes: MAJOR SUCHARSKI – const. 92 e MARIAN BUCZEK - const. 92a, para o armador Polaco Polskie Linie Oceaniczne, de Gdynia; ARYA SUN – const. 93, ARYA SEEM – const. 94 e ARYA ZAR - const. 95, para o armador iraniano Arya National Shipping Lines, Teerão.

Neste caso a construção só foi parcialmente realizada em Portugal, correspondendo ao casco completo com superstruturas, veio, hélice, leme e todo o aprestamento necessário para não necessitar de docagem posterior, sendo a montagem do restante aprestamento e maquinaria, executada no estaleiro de Gdynia para onde o casco já seguiu a reboque. Para o mesmo estaleiro, em devido tempo, foram mais três e um outro para o estaleiro de Gdansk.

O MARIAN BUCZEK, foi entregue pelos ENVC a construir nos Estaleiros da Lisnave, estuário do Tejo, possivelmente para cumprir prazos de entrega.

Para a operação de reboque MAJOR SUCHARSKI, realizada pela Polratox – Polish Ship Salvage Co., Szczecin, firma Polaca especializada, deslocou-se a Viana do Castelo o rebocador oceânico SWAROZYC, que por falta de fundos, não pode dar entrada no porto Minhoto, indo arribar a Leixões.


O SWAROZYC na bacia do porto de Leixões 07/1973 / foto de Rui Amaro /.


Foi necessária a colaboração dos rebocadores MONTE CRASTO e MONTE XISTO, da APDL, vindos de Leixões, para fazer a entrega do navio ao largo da barra, manobra que decorreu duma maneira impecável, e que mostrou bem a perícia dos pilotos da barra que dirigiram as manobras, dados os condicionalismos da barra e porto, de então.

Mais uma vez, durante as operações e manobras de saídas, ressaltaria os problemas e dificuldades do porto de Viana do Castelo no que se referia à facilidade de manobra e fundeamento para a entrega de navios daquelas dimensões.

O protocolo de entrega do MAJOR SUCHARSKI, nome de um herói Polaco da Segunda Guerra Mundial, foi assinado em Viana do Castelo, estando os estaleiros Polacos representados por uma comissão de recepção constituída pelo presidente, o engenheiro construtor naval Wladyslaw Sudwoj, e os Slawomir Rejment, Edmund Winstewski e Wladyslaw Szymanski; os eataleiros de Viana estavam representados pelos seus Administradores Dr. Luis Lacerda e Eng. Francisco Eugénio Martins.

Todos os ensaios de recepção decorreram com plena satisfação sendo a qualidade da construção Portuguesa muito elogiada pelos técnicos Polacos. Referiram também o seu apreço pela capacidade de construção demonstrada pelos ENVC, ao fazerem a entrega anteciparam-se ao prazo contratual.

No decorrer das reuniões realizadas nos estaleiros foi apresentada ao técnicos Polacos a maqueta e exposto o plano de desenvolvimento e de expansão a realizar nos anos que se seguiriam, em dependência com o desenvolvimento futuro do porto de Viana do Castelo. Foi especialmente ressaltado que, dentro do planeamento existente, era possível ter, a curto prazo, na primeira fase de expansão uma doca de flutuação e um cais de aprestamento que permitiriam receber novas encomendas e realizar em Viana todo o acabamento.

A fabricação dos restantes quatro cascos, que prosseguia activamente nas diversas oficinas, foi também apreciada pelos técnicos Polacos que novamente mostraram o seu inteiro agrado pela qualidade e nível técnico da construção.


MARIAN BUCZEK / postal da POL /.


A entrega do último navio estava prevista para Dezembro de 1974, completando-se assim uma das maiores encomendas para exportação executadas por estaleiros Portugueses de que muito se pôde orgulhar Viana do Castelo.

Alguns destes navios já escalaram portos Portugueses, incluindo LEIXÕES, nomeadamente o MAJOR SUCHARSKI empregue no tráfego inter-oceânico regular.

http://www.shipsnostalgia.com/gallery/showphoto.php/photo/242105/title/major-sucharski/cat/510

MAJOR SUCHARSKI – Constr. 92/ Imo 7325851/ 153m/ 8.756tb/ 18 nós; 04/07/1973 flutuação nos E.N.V.C., Viana do Castelo; 23/07/1973 entrega do casco e superstruturas à Centromor, Polónia; 01/01/1974 entrega da construção completa pelo estaleiro Stocznia Gdynia, Gdynia, à Polish Ocean Lines, Gdynia; 1997 DIAMOND RAY, interesses estrangeiros; 07/10/1998 chegava a Alang, Índia, para desmantelamento.

http://www.shipspotting.com/gallery/photo.php?lid=142723

http://www.shipsnostalgia.com/gallery/showphoto.php/photo/263895/title/marian-buczek/cat/510

MARIAN BUCZEK - Constr. 92a/ Imo 7362794/ 153m/ 8.756tb/ 18 nós; -- / -- / 1974 flutuação na LISNAVE, Almada, Lisboa; -- / -- / 1974 entrega do casco e superstruturas à Centromor, Polónia; 08/1974 entrega da construção completa pelo estaleiro Stocznia Gdynia, Gdynia, à Polish Ocean Lines, Gdynia; 1997 MARIAN, nome encurtado para a viagem de entrega aos sucateiros; 15/11/1997 chegava a Alang, Índia, para desmantelamento.

O casco e superstruturas do MARIAN BUCZEK por subcontrato dos E,N,V.C.

ARYA SUN – Constr. 93/ Imo 7362835/ 153m/ 9.206tb/ 18 nós; -- / -- / 1974 flutuação nos E.N.V.C., Viana do Castelo; -- / -- /1974 entrega do casco e superstruturas à Centromor, Polónia; 06/1974 entrega da construção completa pelo estaleiro Stocznia Gdynia, Gdynia, à Arya National Shipping Lines, Teheran; 1980 IRAN SEEYAM, mesmo armador; 1999 registo retirado do LR.

http://www.shipspotting.com/gallery/photo.php?lid=321486

http://www.photoship.co.uk/JAlbum%20Ships/Old%20Ships%20I/slides/Iran%20Kalam-01.html

ARYA SEEM – Constr. 94/ Imo 7385150/ 153m/ 9.206tb/ 18 nós; 28/06/1974 flutuação nos E.N.V.C., Viana do Castelo; -- / -- / 1974 entrega do casco e superstruturas à Centromor, Polónia; 01/1975 entrega da construção completa pelo estaleiro Stocznia Gdynia, Gdynia, à Arya National Shipping Lines, Teheran; 1980 IRAN KALAM, mesmo armador; 23/12/1989 chegava Gadani Beach, Paquistão, para desmantelamento.

http://www.shipspotting.com/gallery/photo.php?lid=575517

ARYA ZAR – Constr. 95/ Imo 7385162/ 153m/ 9.206tb/ 18 nós; 08/01/1975 flutuação nos E.N.V.C., Viana do Castelo; -- / -- / 1975 entrega do casco e superstruturas à Centromor, Polónia; 06/1975 entrega da construção completa pelo estaleiro Gdanska Lenina, Gdansk, à Arya National Shipping Lines, Teheran; 1980 IRAN SALAM, mesmo armador; 28/06/2003 chegava a Mumbai, India, para desmantelamento.

http://www.shipspotting.com/gallery/photo.php?lid=177152

SWAROZYC – Rebocador/Quebra Gelos de alto-mar/ Imo 5346801/ 50,04m/ 712tb/ 1.850 Ihp/ 10nós; 1944 lançado à água como FAIRPLAY XX, Fairplay Schlepperdampfsschiffs – Reederei Richard Burchard, Hamburgo; 04/1948 entregue por Amsterdamsche Droogdok Mij, Amesterdão, como SWAROZYC à Polimex – Polish Export & Import Co. Szczecin; 1951 SWAROZYC, Governo polaco, gestores Polratox – Polish Ship Salvage Co., Szczecin; 196x SWAROZYC, Polratox – Polish Ship Salvage Co., Szczecin; 03/1979 chegava a Gdansk para desmantelamento pelo sucateiro Raduna Repair Yard.

Fontes: O Comércio do Porto, Lloyd's Register of Shipping, Polship, Ships Nostalgia; Shipspotting-

Rui Amaro

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

« SAUDAÇÕES FESTIVAS »

2010 / 2011



NAVIOS À VISTA


Galera de quatro mastros correndo ao tempo em gáveas / galeria de arte assinada por Thomas Somerscales /.


BOAS FESTAS E FELIZ ANO NOVO

FELICES PASCUAS Y PROSPERO ANO NUEVO

JOYEUX NOEL ET MEILLEURS VOUEX DE NOUVEL ANNÉE

MERRY CHRISTMAS AND HAPPY NEW YEAR

EIN PROPER WEINACHTSFEST UND EIN GUT NEUE JAHR

AUGURI DI BUON NATALE ET FELICE ANNO NUOVO


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