domingo, 10 de abril de 2011

RECORDANDO A VISITA AO PORTO DE LEIXÕES DA FRAGATA "HNLMS VAN ZIJLL (F811)" DA MARINHA REAL HOLANDESA


 Jaque da Koninklijke Nederlandse Marine



 HNLMS VAN ZIJLL no porto de Leixões a a 05/07/1957 / F. Cabral, Porto /.


A 05/07/1957, pelas 15h00, demandou o porto de Leixões, vindo em visita de cortesia, a fragata HNLMS VAN ZIJLL (F811), que andava em viagem de instrução de aspirantes, e procedia da base naval de Den Helder, sob o comando do capitão-de-fragata M. Pontier.
A sua guarnição era composta por doze oficiais, oitenta e seis sargentos e praças, e cento e dezoito aspirantes.
A fragata, uma excelente unidade de combate da Koninklijke Nederlandse Marine, depois do porto de Leixões seguiu para as Ilhas Baleares, e voltou a escalar o porto de Leixões, tempos mais tarde, por uma ou duas vezes.


 HNLMS VAN ZIJLL no porto de Leixões a a 05/07/1957 /Imprensa diária/


 HNLMS VAN ZIJLL (F811), classe CANNON contratorpedeiro de escolta, 93,26m/ 1.240td/ 21nós/ propulsão Diesel-Electric Tandem motor drive 4 GM Mod.16-278A diesel engines with electric drive (1500 hp/ea. = 6000 hp); 2 veios; 2 hélices/  Guarnição 215; Armamento: 3 x 3"/50 Mk22 (1x3), 1 twin 40mm Mk1 AA, 8 x 20mm Mk 4 AA, 3 x 21" Mk15 TT (3x1) tubos lança-torpedos; 1 lança morteiros Mk10 (144 rounds), 8 Mk6 cargas de profundidade, 2 Mk9 lança cargas de profundidade; 12/08/1943 lançamento água pelo estaleiro Federal Shipbuilding & Deydock, Port Newark, NJ, USA; 31/10/1943 entregue à US Navy como USS STERN (DE 187); 01/12/1943 aumentado ao efectivo dos navios da Navy; 2ª Guerra Mundial, operou em vários frentes de teatro de guerra, tais como no Atlântico Norte e Pacifico, particularmente em patrulhas e no acompanhamento de comboios marítimos, e nos desembarques de Iwo Jima e Leyte; 26/04/1946 depois de um grande período de imobilização na base naval de Norfolk, Virgínia, passou a fazer parte da Esquadra de Reserva do Atlântico, acostando a Green Cove Springs, Florida; 01/03/1951 reactivado e, juntamente com mais cinco outras unidades da sua classe, foi transferido sob o Programa de Assistência Militar ao Governo da Holanda; 07/03/1951 foi aumentado ao efectivo da Koninklijke Nederlandse Marine, como HNLMS VAN ZIJLL (F811); entre 24/07/1950 e 24/01/1955, sob a égide das Nações Unidas,  tomou parte no teatro de guerra da Corea, em conjunto com as seguintes unidade navais da Koninklijke Nederlandse Marine: HNLMS EVERTSEN, VAN GALEN, PIET HEIN, DUBOIS e JOHAN MAURITS VAN NASSAU; 15/12/1967 foi devolvido à US NAVY; 02/1968 vendido aos sucateiros Simonsen Slepsslooperis NV, Roterdão para desmantelamento.
Gémeos: HNLMS VAN AMSTEL, DE BITTER, VAN EWIJCK, DUBOIS, DE ZEEUW.
Fontes: Imprensa diária; Navsource Naval History, Koninklijke Nederlandse Marine.
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
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domingo, 27 de março de 2011

A NAVEGABILIDADE NO PORTO COMERCIAL DO DOURO EM TEMPOS IDOS JAMAIS PARALIZOU POR FALTA DE BÓIAS DE SINALIZAÇÃO

 O vapor Inglês DARINO, conduzido pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, enfrenta a forte corrente de cheia entre as bóias da Cantareira/Arribadouros, que se encontravam afogadas ou desaparecidas em 28/12/1927  / foto de autor desconhecido - colecção Rui Amaro /.

A navegabilidade no porto comercial do Douro, ou seja entre a barra e a ponte D. Luis, em tempos idos jamais foi paralisada por falta de bóias de sinalização, mesmo em condições de cheias em que essas balizas portuárias eram levadas barra fora devido à intensa corrente fluvial ou ficavam afogadas pela subida vertiginosa das águas, que como é sabido chegavam a inundar as margens ribeirinhas, causando prejuízos sem conta. A própria bóia da barra, que assinalava o resguardo necessário para se evitar as pedras do Dente e a da Forcada, devido à forte ondulação desaparecia ou deslocava-se mais das vezes para local impróprio e a sua reposição também era bastante demorada. Usualmente as bóias idas barra fora, mais tarde davam às praias vizinhas.
Dizia-me o meu pai, um piloto da barra, que aqueles meios de sinalização faziam bastante jeito, mas não era pela falta deles que o piloto-mor fechava a barra, pois não era motivo de preocupação, porque confiava nos seus subalternos pelo seu profundo conhecimento e experiência da navegabilidade e manhas da barra e do rio, e não foi por falta de bóias que houve qualquer acidente, aliás houveram acidentes sim, pelo desgoverno dos navios sobre essas balizas e as suas amarras pegarem-se nas hélices ou nas portas do leme. Note-se que no antigamente as cinco bóias, então existentes não eram luminosas como hoje em dia, e mesmo assim não eram motivo impeditivo para que a navegação do tráfego local deixasse de se movimentar na barra e no rio, antes do alvor ou já depois da vinda da noite, e aquela de maior porte, cuja navegação estava interdita durante a noite, somente em caso de muita necessidade, também o fazia com segurança suficiente, apesar do rio Douro ser bastante estreito. Está claro, que os pilotos orientavam-se pelas suas referências em terra, fosse de dia ou de noite.
Em caso de extrema necessidade, não para substituir qualquer bóia mas sim para demarcar um imprevisto banco de areia, arranjavam-se alguns pedaços de cortiça sobrepostos, levando no meio uma vara de madeira ostentando no topo um pano vermelho a servir de bandeirola e cordame suficiente amarrado a uma pesada poita, a qual era lançada à água e que durante a maré serviria de baliza ou então, a embarcação do piloto-mor ou da assistência ficava a sinalizar o local, de pendão ao alto, com a bandeira da corporação de pilotos.
No local critico do rio, particularmente em ocasiões de águas de cima ou ventos fortes, que é o lugar das Lobeiras de Gaia, penedia a sul estendida para o estreito canal de navegação, com uma curvatura deveras acentuada, delimitado a norte pelo banco de areia denominado da Porta Nova, Banhos ou Porto-A, diante do edifício da capitania do Douro, local onde um simples descuido ou guinada a ambos os bordos já originou que navios tivessem de lançar ferro, a fim de evitar o seu encalhe, e alguns acabaram mesmo por ficar em seco durante horas, não existia qualquer bóia de sinalização, como hoje lá estão, então os pilotos também se guiavam pelas suas marcas em terra.


 
Da esquerda para a direita, NRP ESPADARTE, NRP GOLFINHO e NRP DELFIM, amarrados no lugar da Ribeira, Porto, vendo-se o NRP DOURO amarrado ao cais do Terreiro /foto de autor desconhecido - colecção F. Cabral - Porto /.

As bóias faziam um certo jeito, em navegação com nevoeiro, como no episódio que se relata:
02/07/1946, pelas 06h30, no lugar da Ribeira, margem direita do Douro, estavam prontos para largar com destino ao porto de Viana do Castelo, os submarinos da armada nacional, NRP DELFIM, NRP GOLFINHO e o NRP ESPADARTE, todos eles em 14' de calado, que juntamente com o contratorpedeiro NRP DOURO, que largaria no dia seguinte de rumo ao Tejo, estavam de visita à cidade do Porto, a fim  de representar a Marinha nas festas da cidade, o São João do Porto, a que se juntara também a lancha de fiscalização das pescas NRP DOURADA, afecta ao Departamento Marítimo do Norte. O nevoeiro era cerradíssimo sem que se vislumbrasse maneira de se dissipar, e os submarinos tinham de sair naquela manhã, muito cedo.
Chegado perto das 09h00, o nevoeiro desvaneceu um pouco, e como os pilotos não poderiam esperar mais, porque a maré estava-lhes a fugir, aproveitaram e conferenciando com os comandantes, decidiram-se por largar pelos seus próprios meios, não necessitando da assistência de rebocadores.
O primeiro a desandar proa à barra foi o NRP DELFIM, piloto José Fernandes Amaro Júnior, meu pai, que entretanto se vê embaraçado com o recrudescimento da névoa, ficando incapaz de distinguir ambas as margens para uma boa orientação, mas agora há que seguir enfrente e silvando, seguido dos outros dois. A lancha das amarrações toma a dianteira, para prevenir qualquer obstáculo, pois somente no lugar do Ouro, é que se posicionavam as primeiras bóias.
José Fernandes Amaro Júnior, piloto da barra, 1955

Seguem rio abaixo, orientando-se pelos barulhos de terra, já de há muito conhecidos. Ruídos da intensa faina fluvial, da Alfandega, dos carros eléctricos, da Central da Carris, da Fundição de Massarelos, das várias oficinas metalúrgicas, dos estaleiros navais, até que a lancha buzina, assinalando que tem a bóia do Ouro pela proa, e pouco depois a da Ínsua, seguindo-se-lhe a da Cantareira, e passa diante do cais do Marégrafo (Pilotos) e do dique da Meia Laranja sem conseguir descortinar terra, contudo vale-se do toque do sino do farolim da barra, situado no molhe de Felgueiras, que lhe vai servindo de orientação para passar safo da bóia da barra, e entretanto, o comandante é informado via rádio, que o NRP  ESPADARTE e o NRP  GOLFINHO por receio dos respectivos comandantes fundearam. O primeiro junto da Afurada, e o segundo no lugar do Ouro, contra vontade dos seus pilotos, respectivamente Joaquim Alves Matias e Bento da Costa. O NRP DELFIM já fora da barra, desembarca o piloto. Note-se que naquele tempo, aqueles submarinos não estavam providos de radar, também pouco ou nada ajudaria.
O NRP ESPADARTE, após o nevoeiro se dissipar um pouco, e já com a maré a descer passa a barra, sem qualquer percalço. No que respeita ao NRP GOLFINHO, parece que depois de já se encontrar fundeado junto à margem, com o vento e a corrente do rio descaiu e sem que se desse por isso, por falta de visibilidade, ficou encalhado num banco de lodo, muito junto à margem, safando-se e saindo a barra ao final do dia, sem mais novidade.
Aqueles três submarinos da 2ª esquadrilha, 69m/ 854td à superfície/ 1.105td em imersão, foram construídos de acordo com o programa naval de 1930, da responsabilidade do ministro da marinha vice-almirante Magalhães Correia, pelos estaleiros Ingleses Vickers-Armstrongs Ltd, Barrow-in-Furness, e foram entregues à Marinha de Guerra Portuguesa conforme segue: NRP DELFIM, 01/12/1934; NRP ESPADARTE, 09/01/1935 e o NRP GOLFINHO, 20/02/1935.
Esta esquadrilha viria a desenvolver a sua intensa actividade até finais de 1950, na qual se realça a participação em todas a manobras e exercícios da nossa Marinha de Guerra, nas águas do continente, Açores e Madeira, a viagem de estudo e soberania realizada pelo NRP GOLFINHO  à Guiné em 1939 e a visita do NRP GOLFINHO e do NRP DELFIM a Sevilha nas vésperas de eclodir a 2ª Guerra Mundial.


O NRP DELFIM rumando à doca comercial do porto de Viana do Castelo em 02/07/1946 / Jornal O COMÉRCIO DO PORTO/.

 Durante este período conturbado da História Mundial garantiram também o treino e a experimentação de novas tácticas anti-submarinas às nossas unidades de superfície. Não será demais afirmar que a esquadrilha de submarinos, embora fazendo parte de uma Nação não beligerante se mantinha pronta para combate.
No dia 07/12/1950 efectuava-se a cerimónia de desarmamento daqueles três submarinos, que foram vendidos a um sucateiro com estaleiro localizado numa das margens do estuário do Tejo, depois de se ter negociado com o governo Inglês, a cedência de três submarinos com um pouco mais de três anos de serviço, que foram rebaptizados de NRP NARVAL, NRP NAUTILO e NRP NEPTUNO, e passaram a pertencer à 3ª esquadrilha. O NRP GOLFINHO sofreu um violento incêndio quando do seu desmantelamento.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Marinha de Guerra Portuguesa
Rui Amaro

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segunda-feira, 14 de março de 2011

LINGUA E ORTOGRAFIA PÁTRIA PORTUGUESA
 

Este blogue vai continuar a ser redigido de acordo com a ortografia da língua pátria Portuguesa, que foi aquela que me foi ensinada por meus pais, meus mestres-escola e professores, e que é aquela que se fala e escreve em Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Timor-Leste, e também por muitos naturais de Goa, Damão, Diu e Macau e ainda por muitos núcleos de  Portugueses espalhados por esse mundo fora, incluindo muitos emigrantes nacionais em terras de Vera Cruz.
Continuarei a escrever fato em vez de terno e paletó; facto em vez de fato; paquete ou rapaz de escritório em vez de office-boy; Pai Natal em vez de Papa Noel; intelectual em vez de inteletual; baptismo em vez de batismo; Polaco em vez de Polonês; espingarda em vez de fuzil; fábrica em vez de usina; contentores em vez de conteiners; rapariga, o feminino de rapaz, palavra natural Portuguesa, que não tem absolutamente nada de ofensiva ou escandalosa, etc.

Acordo Ortográfico ... em «direito comparado»
Vejam alguns exemplos:
Em Latim
Em Francês
Em Espanhol
Em Inglês
Até em Alemão, reparem:
Velho Português (o que desleixámos)
O novo Português (o importado do Brasil)
Actor
Acteur
Actor
Actor
Akteur
Actor
Ator
Factor
Facteur
Factor
Factor
Faktor
Factor
Fator

Tact
Tacto
Tact
Takt
Tacto
Tato
Reactor
Réacteur
Reactor
Reactor
Reaktor
Reactor
Reator
Sector
Secteur
Sector
Sector
Sektor
Sector
Setor
Protector
Protecteur
Protector
Protector
Protektor
Protector
Protetor
Selection
Seléction
Seleccion
Selection

Selecção
Seleção

Exacte
Exacta
Exact

Exacto
Exato



Except

Excepto
Exceto
Baptismus
Baptême

Baptism

Baptismo
Batismo

Exception
Excepción
Exception

Excepção
Exceção



Optimum

Óptimo
Ótimo














Rui Amaro

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O LUXUOSO IATE DE RECREIO INGLÊS "VIRGINIA" ESTEVE NO RIO DOURO EM 1956


Num dia de meados do ano de 1956, pelas 16h00, entrou no rio Douro, o luxuoso iate de recreio Inglês VIRGINIA, que trazia a bordo, além do seu dono, lord Camrose, um barão da imprensa escrita Britânica e proprietário do afamado jornal Londrino "Daily Telegraph", o príncipe e a princesa Dimitri da Rússia e a princesa Aga Khan, filha do famoso arquimilionário Aga Khan.

Lord Camrose a bordo do VIRGINIA / Jornal de Noticias /.

Aquela magnifica embarcação, que desde há bastantes anos tem realizado cruzeiros privados, nomeadamente cruzeiros pelo Mediterrâneo, Báltico e outros mares longínquos, ficou atracada ao então, recentemente inaugurado cais do Vinho do Porto, V. N. de Gaia, levou como seria natural, devido â sua originalidade, grande afluência de curiosos à zona ribeirinha.
Aquele iate clássico, que tinha uma tripulação de 26 elementos era uma das maiores embarcações de recreio do mundo, e a maior até então que demandou o porto do Douro.
Lord Camrose, aproveitando a sua estadia no Porto, realizou, acompanhado pelos seus hóspedes, uma digressão turística pela região Minhota.

O VIRGINIA atracado ao cais do Vinho do Porto, rio Douro, V. N. de Gaia / Rui Amaro /.

VIRGINIA – 60m + -/ 712tb/ motores diesel/ ..nós/ acomodações para 12 hóspedes; projectado por G. L. Watson & Co., Ltd; 06/1950 entregue pelo estaleiro Wm. Beardmore & Co., Ltd., Dalmuir, Upper Clyde, família Cortauld; 1939 HMY VIRGINIA, requisitado pelo Almirantado para servir a Royal Navy como iate de luta anti-submarina, baseado em Liverpool e algures fora do Reino Unido: 1945 VIRGINIA, família Cortauld; 1948 VIRGINIA, Lord Camrose, Londres; 1960 LIBERIAN, Governo da Libéria, Monróvia, utilizado como iate presidencial. O VIRGINIA findou os seus dias como um casino flutuante na Serra Leoa, onde um fogo devorador precipitou o seu fim.
Fontes: Jornal de Noticias: G. L. Watson & Co. Ltd.
Rui Amaro

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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

RECORDANDO A ESCALA DO N/M HOLANDÊS "SPURT" NO PORTO DE AVEIRO EM 1953

O SPURT na ria de Aveiro em 20/12/1953, distinguindo-se na adriça de bombordo a bandeira do armador da "Portugal Lijn", a companhia Van Nievelt, Goudriaan & Co's, a par do pavilhão nacional de Porugal, içado a estibordo /foto de autor desconhecido - Porto de Aveiro /.


A 20/12/1953 demandou a barra de Aveiro, agenciado pela Garland, Laidley, da praça do Porto, o navio-motor Holandês SPURT, 47m/399tb/559dwt, do armador Fiege & Hoff, de Roterdão, gerido por Scheepvaartbedrijf Gruno, de Amsterdão, e ao serviço do grupo CPL (Cornelder Lijn, Portugal Lijn e Lusitania Lijn). O carregamento de cerca de 600 toneladas de cubos de granito destinados ao mercado Belga, foi a razão daquele navio escalar o porto de Aveiro, o que foi notícia da imprensa diária, por ser uma raridade a visita de uma embarcação comercial àquele porto da laguna Aveirense, e após o inicio das obras de melhoramentos da sua barra. O Spurt foi atendido pelo caixeiro de mar Domingos Rodrigues Brandão.

Deve-se acrescentar que à altura daquele interessante evento, para o porto de Aveiro, o SPURT (1) encontrava-se fretado em regime "bareboat charter" ao importante armador Van Nievelt, Goudriaan & Co's, de Roterdão, que com a sua "Portugal Lijn" servia os portos de Lisboa, Douro e Leixões, com duas saídas semanais para Vigo, Anvers e Roterdão. Em 1965 o SPURT (1) foi substituído por uma nova tonelagem e mais oferta de espaço de carga, o SPURT (2), ex ARAK, de 1946/53,64m/499tb/680dwt/9,5nós/2 mastros.

A Garland, Laidley, além do SPURT, já levou alguns navios ao porto de Aveiro, entre os quais, PAULA BUSCHER, Alemão, atendido por Manuel Spratley da Silva e Rui Amaro; BRANDARIS, Holandês, por Joaquim Augusto Rodrigues Azeredo; NIEUWLAND, Holandês, por Fernando Marques dos Santos; ADELHEID SIBUM, Alemão, por Luis Pimenta Povoas, que também atendeu o RENAISSANCE ONE, que foi o primeiro ou talvez o único navio de cruzeiro a visitar aquele porto, o qual pertencia à Renaissance Cruises. Outros navios estiveram à barra, contudo devido à agitação marítima se deteriorar, prosseguiram viagem para o porto do Douro ou Leixões.

O porto de Aveiro, com a sua imensa e bela ria, que hoje em dia está capacitado a receber navios para cima dos 150m cff e tem tido um movimento marítimo comercial crescente, já rivalizando com o porto de Leixões e outros portos nacionais e mesmo a nível peninsular. Naqueles tempos, como já tenho frisado, era um porto de armamento de navios de pesca, nomeadamente bacalhoeiros e a sua barra era muito problemática. Note-se, que os próprios navios bacalhoeiros, que calavam bastante, chegando alguns aos 19 pés, em muitas campanhas estavam à barra e por esta não ter água suficiente ou existência de ondulação perigosa na barra valiam-se do rio Douro e da bacia do porto de Leixões, de forma a aliviarem a sua carga para reduzirem o seu calado de água, a fim de poderem demandar em segurança o ancoradouro do lugar da Gafanha da Nazaré, numa próxima maré grande. A sua carga era transportada para Aveiro em batelões de pouco calado.

Muitos daqueles navios já vinham de rumo ao rio Douro, onde ficavam a hibernar. Tais contingências, não eram só do porto de Aveiro mas também dos portos de Viana do Castelo e Figueira da Foz. Houve anos de barra assoreada, que até as traineiras da sardinha, encalhavam e o lugre-motor bacalhoeiro de quatro mastros Primeiro Navegante encalhou e perdeu-se na barra em 10/1946 e outros ficavam encalhados em bancos de areia da ria, até alcançarem os seus ancoradouros da Gafanha da Nazaré.

Fontes: Imprensa diária; Groninger Kustvaart.

Rui Amaro


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