segunda-feira, 2 de maio de 2011

A VISITA DE CORTESIA DA VEDETA "NRP DOURADA" À CIDADE DE AVEIRO ENTRE 1954 e 1959

A vedeta NRP DOURADA acostada ao cais da Pirâmides, cidade de Aveiro.


Entre 1954 e 1959, a vedeta NRP DOURADA demandava a barra de Aveiro em visita de cortesia, acostando ao cais das Pirâmides, na cidade.
Acedendo ao convite do seu comandante 1º tenente Manuel de Sousa Barbosa, os representantes em Aveiro dos jornais diários, e os directores dos semanários locais estiveram à tarde a bordo desta elegante unidade da nossa Marinha de Guerra.
Recebidos pelo oficial em referência e pelo 2º tenente Fernando Fernandes Neto, foi-lhes mostrado todo o interior do navio primorosamente asseado e dispondo do mais moderno apetrechamento para a função a que se destinava.
Acompanhados na visita pelo capitão do porto, comandante Silva Braga, que fez as apresentações, os convidados foram acumulados das maiores gentilezas, tendo-lhes sido servido no final um "Porto de Honra".
Aos brindes usou da palavra o comandante do navio, que saudou a imprensa e os seus representantes, agradeceu a acedência ao convite que lhe dirigiu, manifestando a sua gratidão pelo relevo que foi dado nos jornais à vinda da vedeta á cidade de Aveiro. Essa visita, segundo afirmou, foi para ele e para guarnição motivo de muito grande satisfação.
Em nome dos visitantes, falou o jornalista Eduardo Cerqueira, que agradeceu o convite saudando o 1º tenente Manuel de Sousa Barbosa, a guarnição da vedeta e a Armada Nacional.
A NRP DOURADA, foi aumentada ao efectivo da Armada em 01/06/1945, competindo-lhe a fiscalização aduaneira e de pesca na zona costeira compreendida entre Caminha e S. Pedro de Muel.
Principais características: Deslocamento máximo 281 tons/ comprimento ff 42,5m/ boca 6,5m/ pontal 4,86m/ calado 2,2m/ propulsão 2 motores diesel, com 2,400 bhp, 2 veios/ raio de acção 2.470 milhas a 11 nós ou 850 milhas a 17 nós/ capacidade para combustível gasóleo 25 tons/ armamento 2 metralhadoras de 20mm aa, 2 metralhadoras de 7,29mm aa/ calhas para lançamento de bombas de profundidade/ guarnição 3 oficiais e 28 sargentos e praças. 
Fonte e imagem: Jornal de Noticias.
Rui Amaro

quinta-feira, 21 de abril de 2011

AS LANCHAS DE FISCALIZAÇÃO DAS PESCAS "NRP CORVINA" e "NRP DOURADA"



Classe NRP AZEVIA / desenho Telmo Gomes /.


A NRP CORVINA amarrada em Massarelos, logo após a sua chegada ao rio Douro, em 08/06/1945 / imagem do jornal O COMÉRCIO DO PORTO /.


 A NRP DOURADA amarrada em Massarelos, rio Douro, em 1948 / F. Cabral, Porto /.
A classe NRP AZEVIA foi um modelo de lanchas de fiscalização ao serviço da Marinha Portuguesa, entre 1941 e 1976, sendo mais tarde classificadas como patrulhas, e foram construídas em Portugal, no Arsenal do Alfeite, em plena Segunda Guerra Mundial, tendo sido até então as únicas projectadas para a fiscalização das pescas ao largo da costa de Portugal Continental. Foram encomendadas sendo ministro da Marinha o vice-almirante Ortins de Bettencourt, e dirigiu o seu projecto o 1º tenente e.c.n. Fernando Campos Araújo, que foi bastante feliz na sua concepção, pois no meu entender foi um modelo de vaso de guerra de linhas muito harmoniosas.
As seis lanchas, também chamadas de "Vedetas de Alto Mar", pelo menos no norte do país, além da fiscalização das pescas relativas às infracções das artes nacionais, mas sobretudo às embarcações de outras nacionalidades, tais como arrastões e traineiras Espanholas e chalupas lagosteiras Francesas que vinham fainar em águas territoriais Portuguesas, que à época julgo eram aquelas dentro das doze milhas, as infracções às leis e regulamentos aduaneiros, fiscais e de insegurança sanitária ou de outra natureza, e o controlo da poluição no mar. A busca e salvamento marítimo, e ainda a assistência a pequenas embarcações, particularmente de pesca, que se faziam aos seus portos ou centros piscatórios de armação em ocasiões de forte agitação marítima, era também uma importante função dessas relevantes lanchas, assim como serviam para se realizar os exames práticos dos candidatos a pilotos da barra da Corporação de Pilotos do Douro e Leixões, e possivelmente de outros portos vizinhos, também os pilotos da barra daquela corporação que cometiam graves irregularidades, por decisão do capitão do porto recolhiam a bordo da vedeta que se encontrava  surta no rio Douro como detidos durante o número de dias a que tivessem sido condenados.  
As lanchas NRP CORVINA e NRP DOURADA, sob o comando dos tenentes Sousa Pinto, Tengarrinha Pires, Cabido de Ataíde e Gormicho Boavida, afectas ao Departamento Marítimo do Norte, fizeram trabalhos importantes sobre as pescas e roteiros da costa. As outras quatro pertenciam a outros departamentos marítimos, se bem que a FATAÇA também passou algum tempo no norte do pais em substituição das duas acima referidas, quando se encontravam em fabricos.
Foram baptizadas com nomes de peixes, e primitivamente a letra inicial indicava o nome do navio nas amuras, mais tarde foi substituída pelos números NATO, conforme segue: (A) NRP AZEVIA (P595 ex A), comissão 1941/1975; NRP BICUDA (P596 ex B), comissão 1941/1975; NRP CORVINA (P597 ex C), comissão 1943/1975; NRP DOURADA (P598 ex D), comissão 1943/1975; NRP ESPADILHA (P599 ex E), comissão 1945/1969; NRP FATAÇA (s/ número por se ter perdido por encalhe na costa de Sines a 22/01/1949 - ex F).
Principais características: Deslocamento máximo 281 tons/ comprimento ff 42,5m/ boca 6,5m/ pontal 4,86m/ calado 2,2m/ propulsão 2 motores diesel, com 2,400 bhp, 2 veios/ raio de acção 2.470 milhas a 11 nós ou 850 milhas a 17 nós/ capacidade para combustível gasóleo 25 tons/ armamento 2 metralhadoras de 20mm aa, 2 metralhadoras de 7,29mm aa/ guarnição 3 oficiais e 28 sargentos e praças. Os motores das duas primeiras eram MAN mas por causa da guerra, houve necessidade de equipar as restantes com motores SULZER, o que atrasou muito o seu aprontamento.
As vedetas NRP CORVINA e a NRP DOURADA vieram substituir as velhas canhoneiras NRP ZAIRE e NRP MANDOVY, que prestaram excelentes serviços sob a jurisdição do Departamento Marítimo do Norte, e por volta de 1974 foram substituídas pelas patrulhas costeiros da classe NRP CACINE, da qual uma unidade continua em serviço activo.
O serviço de fiscalização na costa, cuja área ia de Caminha ao Cabo Mondego ou mesmo S. Pedro de Muel, era quinzenal, enquanto uma das lanchas estava baseada no porto de Leixões, realizando daí as saídas diárias para o mar, a outra permanecia amarrada às bóias do quadro dos navios de guerra, no lugar do cais do Bicalho, em Massarelos, no rio Douro, para descanso da guarnição, e enquanto no porto de Leixões não metiam piloto da barra, no rio Douro já era requisitado, talvez pela complexidade da sua barra.
Naquele ancoradouro fluvial de Massarelos suportaram imensas cheias, e em 23/02/1960, cerca das 19h30, já sob escuridão da noite, quando dois marinheiros da NRP DOURADA, através dum sistema de cabo de vaivém, tomavam e manobravam o caico para virem buscar à margem um seu camarada, a embarcação devido à impetuosidade da corrente, e um imprevisto forte estoque de água que então se formara, fez com que a pequeno bote se voltasse, projectando os dois homens nas águas revoltas, tendo os mesmos se agarrado aos cabos. Um deles a nado conseguiu alcançar terra, e resgatado por populares, e foi levado ao Hospital Geral de Santo António, tendo sobrevivido, quanto ao outro, desgraçadamente desapareceu nas águas traiçoeiras da cheia, apesar dos esforços feitos de bordo para o salvar.    
Aquando das festas da cidade Invicta, o S. João do Porto, a Marinha de Guerra fazia-se representar no rio Douro, por uma ou mais unidades navais de destaque, que amarravam no lugar do cais do Terreiro, Ribeira do Porto, mas por vezes isso era-lhe impossível, e então cabia aquelas pequenas unidades essa representação, e a propósito, estou-me a recordar, que a 30/06/1948, cerca das 21h00, o meu pai, piloto da barra, foi cambar a NRP DOURADA do seu ancoradouro de Massarelos para o lugar do cais do Terreiro, ali junto à Ponte D. Luis, para que convidados do Chefe do Departamento Marítimo, e seus familiares fossem assistir ao fogo de artificio das festas da cidade, espectáculo deslumbrante, que teria lugar por volta da meia-noite, e levou-me com ele, e enquanto o meu pai tratava das manobras, o menino Rui, com os seus 11 anos, ficou-se pelo convés, junto da acanhada cozinha, situada por ré da ponte de comando, saboreando algumas guloseimas e uns refrigerantes, que o cozinheiro lhe dera, e o qual andava num rodopio coadjuvado por mais dois elementos da guarnição de faxina à cozinha, a servir os convidados, é que naquele tempo não estávamos no "triste e ridículo ano de 2011", nem existia o tribunal de contas, e nem tão pouco havia o FMI, etc, etc…..
Acabado o espectáculo do fogo de artificio, a NRP DOURADA mudou para Massarelos, a fim de desembarcar os convidados, que foram transportados para terra, pelo caíco de apoio e pela lancha dos pilotos, e eu e meu pai chegamos a casa na Foz do Douro, pelas 02h30.
A 20/03/1955, pelas 03h00, a NRP CORVINA que se encontrava fundeada na bacia do porto de Leixões, devido a um golpe de vento e alguma agitação marítima garrou, acabando por encalhar num pequeno areal, junto ao molhe Norte, tendo sido posta a flutuar, no mesmo dia pelas 15h00, auxiliada pelo rebocador MONTALTO e pela lancha RAMALHEIRA, indo acostar à doca nº 1 – norte, junto do submarino NRP NEPTUNO. Este acidente deu origem ao encalhe e perda do navio-motor VILA DO PORTO, contra o molhe Norte, mais propriamente na penedia denominada Leixão Grande, devido a um projector colocado em terra, para auxiliar os trabalhos de desencalhe da NRP CORVINA, e que fez o capitão do VILA DO PORTO se confundir com o farol do Esporão, á entrada do porto.
A 08/06/1945, estava eu na sala de aula da escola primária, ali junto à praia das Pastoras, com vista aberta para a barra do Douro, e demanda a barra uma embarcação esquisita, de cor cinzento escura, jamais vista na barra, distinguindo-se uma letra C na amura de estibordo, silvando bastante forte, mais parecia a sirene dum transatlântico. Dos alunos e professor Silva, uns diziam que era um lorde de recreio, outros um submarino ou uma canhoneira, e por aí fora, pois na verdade era a NRP CORVINA na sua primeira demanda do rio Douro, também dois anos mais tarde, entra a barra a traineira de arrasto Galega EVANGELINA, precedida pela NRP DOURADA que a deteve ao largo da costa, por se encontrar com as artes na água, dentro das doze milhas das águas territoriais Portuguesas. O piloto que conduziu a traineira foi o meu pai, e como o pescado iria ser apreendido, o "patron" fez entregar à lancha de pilotos várias cestas de pescado, e não faltou em minha casa peixe de várias espécies, e como nesse tempo não havia arcas congeladoras, a vizinhança também ficou abastecida.
Numa outra ocasião, que não tenho registo da data, mas que deve ter sido em finais da década de 40, a vedeta NRP CORVINA fez, na verdade, boa caça às traineiras Galegas, pois que, no decurso de poucos dias, aprisionara nada mais nada menos do que trinta daqueles "pesqueros", pois duma só vez capturou doze, a saber: EVANGELINA, MARIA DEL CONSUELO, OLGITA, ANTÓNIO VIEIRA, PACUCHO, SANTOÑA, ASSUNCIÓN PAZ, CARMEN, PEJERREY, MANUEL, JOSÉ BENITO PUGA, MASUL GUILÓN, cujos "patrons" ficaram a aguardar a conclusão do processo que lhes fora instaurado no Tribunal Marítimo de Leixões. Ao todo encontravam-se no porto de Leixões vinte e cinco daqueles "pesqueros", visto que cinco dos aprisionados, já haviam seguido para os seus portos de armamento, depois de liquidarem as respectivas multas.
Quanto ao destino final das seis lanchas classe NRP AZEVIA é-me inteiramente desconhecido.


A NRP CORVINA amarrada às bóias em Massarelos, rio Douro, década de 50 / F. Cabral, Porto /.


A NRP CORVINA prestando assistência às pequenas embarcações de pesca em dificuldade à entrada do porto de Leixões e que vinham acossadas pela mau tempo em 29/02/1952 / imagem do jornal O COMÉRCIO DO PORTO /.

 
A NRP CORVINA encalhada na bacia do porto de Leixões em 21/03/1955 / imagem do jornal O COMÉRCIO DO PORTO/.



A NRP CORVINA preparando-se para subir ao plano inclinado do porto de Leixões em 03/1955, a fim de receber reparações, devido às avarias sofridas originadas pelo encalhe / colecção F. Cabral, Porto /.


A NRP CORVINA saindo do porto de Leixões para mais uma missão de fiscalização na costa em 06/05/1960 / Rui Amaro /.


NRP DOURADA, finais da década de 40 / foto de autor desconhecido/.


A NRP DOURADA amarrada ao seu ancoradouro da doca nº 1 Sul, porto de Leixões, década de 50 / foto F. Cabral, Porto /.


A NRP DOURADA amarrada às bóias do quadro dos Vasos de Guerra, Massarelos, rio Douro,  nos primeiros anos da década de 60, vendo-se o inicio da construção da Ponte da Arrábida / coleção F. Cabral, Porto /.
 

 
   
 Fontes: Revista de Marinha, Wikipédia, Imprensa Diária, Lista Ilustrada das Unidades Navais 1955.
 Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
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domingo, 10 de abril de 2011

RECORDANDO A VISITA AO PORTO DE LEIXÕES DA FRAGATA "HNLMS VAN ZIJLL (F811)" DA MARINHA REAL HOLANDESA


 Jaque da Koninklijke Nederlandse Marine



 HNLMS VAN ZIJLL no porto de Leixões a a 05/07/1957 / F. Cabral, Porto /.


A 05/07/1957, pelas 15h00, demandou o porto de Leixões, vindo em visita de cortesia, a fragata HNLMS VAN ZIJLL (F811), que andava em viagem de instrução de aspirantes, e procedia da base naval de Den Helder, sob o comando do capitão-de-fragata M. Pontier.
A sua guarnição era composta por doze oficiais, oitenta e seis sargentos e praças, e cento e dezoito aspirantes.
A fragata, uma excelente unidade de combate da Koninklijke Nederlandse Marine, depois do porto de Leixões seguiu para as Ilhas Baleares, e voltou a escalar o porto de Leixões, tempos mais tarde, por uma ou duas vezes.


 HNLMS VAN ZIJLL no porto de Leixões a a 05/07/1957 /Imprensa diária/


 HNLMS VAN ZIJLL (F811), classe CANNON contratorpedeiro de escolta, 93,26m/ 1.240td/ 21nós/ propulsão Diesel-Electric Tandem motor drive 4 GM Mod.16-278A diesel engines with electric drive (1500 hp/ea. = 6000 hp); 2 veios; 2 hélices/  Guarnição 215; Armamento: 3 x 3"/50 Mk22 (1x3), 1 twin 40mm Mk1 AA, 8 x 20mm Mk 4 AA, 3 x 21" Mk15 TT (3x1) tubos lança-torpedos; 1 lança morteiros Mk10 (144 rounds), 8 Mk6 cargas de profundidade, 2 Mk9 lança cargas de profundidade; 12/08/1943 lançamento água pelo estaleiro Federal Shipbuilding & Deydock, Port Newark, NJ, USA; 31/10/1943 entregue à US Navy como USS STERN (DE 187); 01/12/1943 aumentado ao efectivo dos navios da Navy; 2ª Guerra Mundial, operou em vários frentes de teatro de guerra, tais como no Atlântico Norte e Pacifico, particularmente em patrulhas e no acompanhamento de comboios marítimos, e nos desembarques de Iwo Jima e Leyte; 26/04/1946 depois de um grande período de imobilização na base naval de Norfolk, Virgínia, passou a fazer parte da Esquadra de Reserva do Atlântico, acostando a Green Cove Springs, Florida; 01/03/1951 reactivado e, juntamente com mais cinco outras unidades da sua classe, foi transferido sob o Programa de Assistência Militar ao Governo da Holanda; 07/03/1951 foi aumentado ao efectivo da Koninklijke Nederlandse Marine, como HNLMS VAN ZIJLL (F811); entre 24/07/1950 e 24/01/1955, sob a égide das Nações Unidas,  tomou parte no teatro de guerra da Corea, em conjunto com as seguintes unidade navais da Koninklijke Nederlandse Marine: HNLMS EVERTSEN, VAN GALEN, PIET HEIN, DUBOIS e JOHAN MAURITS VAN NASSAU; 15/12/1967 foi devolvido à US NAVY; 02/1968 vendido aos sucateiros Simonsen Slepsslooperis NV, Roterdão para desmantelamento.
Gémeos: HNLMS VAN AMSTEL, DE BITTER, VAN EWIJCK, DUBOIS, DE ZEEUW.
Fontes: Imprensa diária; Navsource Naval History, Koninklijke Nederlandse Marine.
Rui Amaro

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domingo, 27 de março de 2011

A NAVEGABILIDADE NO PORTO COMERCIAL DO DOURO EM TEMPOS IDOS JAMAIS PARALIZOU POR FALTA DE BÓIAS DE SINALIZAÇÃO

 O vapor Inglês DARINO, conduzido pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, enfrenta a forte corrente de cheia entre as bóias da Cantareira/Arribadouros, que se encontravam afogadas ou desaparecidas em 28/12/1927  / foto de autor desconhecido - colecção Rui Amaro /.

A navegabilidade no porto comercial do Douro, ou seja entre a barra e a ponte D. Luis, em tempos idos jamais foi paralisada por falta de bóias de sinalização, mesmo em condições de cheias em que essas balizas portuárias eram levadas barra fora devido à intensa corrente fluvial ou ficavam afogadas pela subida vertiginosa das águas, que como é sabido chegavam a inundar as margens ribeirinhas, causando prejuízos sem conta. A própria bóia da barra, que assinalava o resguardo necessário para se evitar as pedras do Dente e a da Forcada, devido à forte ondulação desaparecia ou deslocava-se mais das vezes para local impróprio e a sua reposição também era bastante demorada. Usualmente as bóias idas barra fora, mais tarde davam às praias vizinhas.
Dizia-me o meu pai, um piloto da barra, que aqueles meios de sinalização faziam bastante jeito, mas não era pela falta deles que o piloto-mor fechava a barra, pois não era motivo de preocupação, porque confiava nos seus subalternos pelo seu profundo conhecimento e experiência da navegabilidade e manhas da barra e do rio, e não foi por falta de bóias que houve qualquer acidente, aliás houveram acidentes sim, pelo desgoverno dos navios sobre essas balizas e as suas amarras pegarem-se nas hélices ou nas portas do leme. Note-se que no antigamente as cinco bóias, então existentes não eram luminosas como hoje em dia, e mesmo assim não eram motivo impeditivo para que a navegação do tráfego local deixasse de se movimentar na barra e no rio, antes do alvor ou já depois da vinda da noite, e aquela de maior porte, cuja navegação estava interdita durante a noite, somente em caso de muita necessidade, também o fazia com segurança suficiente, apesar do rio Douro ser bastante estreito. Está claro, que os pilotos orientavam-se pelas suas referências em terra, fosse de dia ou de noite.
Em caso de extrema necessidade, não para substituir qualquer bóia mas sim para demarcar um imprevisto banco de areia, arranjavam-se alguns pedaços de cortiça sobrepostos, levando no meio uma vara de madeira ostentando no topo um pano vermelho a servir de bandeirola e cordame suficiente amarrado a uma pesada poita, a qual era lançada à água e que durante a maré serviria de baliza ou então, a embarcação do piloto-mor ou da assistência ficava a sinalizar o local, de pendão ao alto, com a bandeira da corporação de pilotos.
No local critico do rio, particularmente em ocasiões de águas de cima ou ventos fortes, que é o lugar das Lobeiras de Gaia, penedia a sul estendida para o estreito canal de navegação, com uma curvatura deveras acentuada, delimitado a norte pelo banco de areia denominado da Porta Nova, Banhos ou Porto-A, diante do edifício da capitania do Douro, local onde um simples descuido ou guinada a ambos os bordos já originou que navios tivessem de lançar ferro, a fim de evitar o seu encalhe, e alguns acabaram mesmo por ficar em seco durante horas, não existia qualquer bóia de sinalização, como hoje lá estão, então os pilotos também se guiavam pelas suas marcas em terra.


 
Da esquerda para a direita, NRP ESPADARTE, NRP GOLFINHO e NRP DELFIM, amarrados no lugar da Ribeira, Porto, vendo-se o NRP DOURO amarrado ao cais do Terreiro /foto de autor desconhecido - colecção F. Cabral - Porto /.

As bóias faziam um certo jeito, em navegação com nevoeiro, como no episódio que se relata:
02/07/1946, pelas 06h30, no lugar da Ribeira, margem direita do Douro, estavam prontos para largar com destino ao porto de Viana do Castelo, os submarinos da armada nacional, NRP DELFIM, NRP GOLFINHO e o NRP ESPADARTE, todos eles em 14' de calado, que juntamente com o contratorpedeiro NRP DOURO, que largaria no dia seguinte de rumo ao Tejo, estavam de visita à cidade do Porto, a fim  de representar a Marinha nas festas da cidade, o São João do Porto, a que se juntara também a lancha de fiscalização das pescas NRP DOURADA, afecta ao Departamento Marítimo do Norte. O nevoeiro era cerradíssimo sem que se vislumbrasse maneira de se dissipar, e os submarinos tinham de sair naquela manhã, muito cedo.
Chegado perto das 09h00, o nevoeiro desvaneceu um pouco, e como os pilotos não poderiam esperar mais, porque a maré estava-lhes a fugir, aproveitaram e conferenciando com os comandantes, decidiram-se por largar pelos seus próprios meios, não necessitando da assistência de rebocadores.
O primeiro a desandar proa à barra foi o NRP DELFIM, piloto José Fernandes Amaro Júnior, meu pai, que entretanto se vê embaraçado com o recrudescimento da névoa, ficando incapaz de distinguir ambas as margens para uma boa orientação, mas agora há que seguir enfrente e silvando, seguido dos outros dois. A lancha das amarrações toma a dianteira, para prevenir qualquer obstáculo, pois somente no lugar do Ouro, é que se posicionavam as primeiras bóias.
José Fernandes Amaro Júnior, piloto da barra, 1955

Seguem rio abaixo, orientando-se pelos barulhos de terra, já de há muito conhecidos. Ruídos da intensa faina fluvial, da Alfandega, dos carros eléctricos, da Central da Carris, da Fundição de Massarelos, das várias oficinas metalúrgicas, dos estaleiros navais, até que a lancha buzina, assinalando que tem a bóia do Ouro pela proa, e pouco depois a da Ínsua, seguindo-se-lhe a da Cantareira, e passa diante do cais do Marégrafo (Pilotos) e do dique da Meia Laranja sem conseguir descortinar terra, contudo vale-se do toque do sino do farolim da barra, situado no molhe de Felgueiras, que lhe vai servindo de orientação para passar safo da bóia da barra, e entretanto, o comandante é informado via rádio, que o NRP  ESPADARTE e o NRP  GOLFINHO por receio dos respectivos comandantes fundearam. O primeiro junto da Afurada, e o segundo no lugar do Ouro, contra vontade dos seus pilotos, respectivamente Joaquim Alves Matias e Bento da Costa. O NRP DELFIM já fora da barra, desembarca o piloto. Note-se que naquele tempo, aqueles submarinos não estavam providos de radar, também pouco ou nada ajudaria.
O NRP ESPADARTE, após o nevoeiro se dissipar um pouco, e já com a maré a descer passa a barra, sem qualquer percalço. No que respeita ao NRP GOLFINHO, parece que depois de já se encontrar fundeado junto à margem, com o vento e a corrente do rio descaiu e sem que se desse por isso, por falta de visibilidade, ficou encalhado num banco de lodo, muito junto à margem, safando-se e saindo a barra ao final do dia, sem mais novidade.
Aqueles três submarinos da 2ª esquadrilha, 69m/ 854td à superfície/ 1.105td em imersão, foram construídos de acordo com o programa naval de 1930, da responsabilidade do ministro da marinha vice-almirante Magalhães Correia, pelos estaleiros Ingleses Vickers-Armstrongs Ltd, Barrow-in-Furness, e foram entregues à Marinha de Guerra Portuguesa conforme segue: NRP DELFIM, 01/12/1934; NRP ESPADARTE, 09/01/1935 e o NRP GOLFINHO, 20/02/1935.
Esta esquadrilha viria a desenvolver a sua intensa actividade até finais de 1950, na qual se realça a participação em todas a manobras e exercícios da nossa Marinha de Guerra, nas águas do continente, Açores e Madeira, a viagem de estudo e soberania realizada pelo NRP GOLFINHO  à Guiné em 1939 e a visita do NRP GOLFINHO e do NRP DELFIM a Sevilha nas vésperas de eclodir a 2ª Guerra Mundial.


O NRP DELFIM rumando à doca comercial do porto de Viana do Castelo em 02/07/1946 / Jornal O COMÉRCIO DO PORTO/.

 Durante este período conturbado da História Mundial garantiram também o treino e a experimentação de novas tácticas anti-submarinas às nossas unidades de superfície. Não será demais afirmar que a esquadrilha de submarinos, embora fazendo parte de uma Nação não beligerante se mantinha pronta para combate.
No dia 07/12/1950 efectuava-se a cerimónia de desarmamento daqueles três submarinos, que foram vendidos a um sucateiro com estaleiro localizado numa das margens do estuário do Tejo, depois de se ter negociado com o governo Inglês, a cedência de três submarinos com um pouco mais de três anos de serviço, que foram rebaptizados de NRP NARVAL, NRP NAUTILO e NRP NEPTUNO, e passaram a pertencer à 3ª esquadrilha. O NRP GOLFINHO sofreu um violento incêndio quando do seu desmantelamento.
Fontes: José Fernandes Amaro Júnior; Marinha de Guerra Portuguesa
Rui Amaro

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segunda-feira, 14 de março de 2011

LINGUA E ORTOGRAFIA PÁTRIA PORTUGUESA
 

Este blogue vai continuar a ser redigido de acordo com a ortografia da língua pátria Portuguesa, que foi aquela que me foi ensinada por meus pais, meus mestres-escola e professores, e que é aquela que se fala e escreve em Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Timor-Leste, e também por muitos naturais de Goa, Damão, Diu e Macau e ainda por muitos núcleos de  Portugueses espalhados por esse mundo fora, incluindo muitos emigrantes nacionais em terras de Vera Cruz.
Continuarei a escrever fato em vez de terno e paletó; facto em vez de fato; paquete ou rapaz de escritório em vez de office-boy; Pai Natal em vez de Papa Noel; intelectual em vez de inteletual; baptismo em vez de batismo; Polaco em vez de Polonês; espingarda em vez de fuzil; fábrica em vez de usina; contentores em vez de conteiners; rapariga, o feminino de rapaz, palavra natural Portuguesa, que não tem absolutamente nada de ofensiva ou escandalosa, etc.

Acordo Ortográfico ... em «direito comparado»
Vejam alguns exemplos:
Em Latim
Em Francês
Em Espanhol
Em Inglês
Até em Alemão, reparem:
Velho Português (o que desleixámos)
O novo Português (o importado do Brasil)
Actor
Acteur
Actor
Actor
Akteur
Actor
Ator
Factor
Facteur
Factor
Factor
Faktor
Factor
Fator

Tact
Tacto
Tact
Takt
Tacto
Tato
Reactor
Réacteur
Reactor
Reactor
Reaktor
Reactor
Reator
Sector
Secteur
Sector
Sector
Sektor
Sector
Setor
Protector
Protecteur
Protector
Protector
Protektor
Protector
Protetor
Selection
Seléction
Seleccion
Selection

Selecção
Seleção

Exacte
Exacta
Exact

Exacto
Exato



Except

Excepto
Exceto
Baptismus
Baptême

Baptism

Baptismo
Batismo

Exception
Excepción
Exception

Excepção
Exceção



Optimum

Óptimo
Ótimo














Rui Amaro