D I V U L G A Ç Ã O
quarta-feira, 29 de maio de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
SINISTRO NO RIO DOURO - A LANCHA DA PASSAGEM “FOZ DO SOUSA” DEPOIS DE EMBATER COM UM RABÃO, AFUNDOU-SE, MAS OS PASSAGEIROS E TRIPULANTES FORAM SALVOS
A lancha da passagem FOZ DO SOUSA, depois de encalhada, vendo-se o destemido motorista que evitou uma catástrofe
/ jornal O Comércio do Porto /.
Cumprindo
o horário normal das suas carreiras entre a Foz do Sousa e a Ribeira, no Porto,
num dia do ano de 1958, pelas 07h15 quando vinha na altura do Esteiro de
Campanhã, conduzida pelo respectivo patrão e mestre, Bernardino Pereira
Ferreira, afundou-se a lancha FOZ DO SOUSA.
A
lancha transportava 63 passageiros, e, em virtude do estado da maré, navegava
junto à margem norte.
Ao
chegar junto da Carbonífera, o referido patrão foi acometido de doença súbita,
que momentaneamente, o privou do uso dos sentidos. Sentindo-se desfalecer
gritou a um passageiro para ir chamar outro tripulante que ia à popa, a fim de
o substituir, mas antes que este lá chegasse, o Bernardino perdeu o domínio
sobre si, e a lancha, guinando, foi rapidamente de encontro à proa de um rabão
carregado de carvão, que lhe provocou um grande rombo, atrás do qual a água
invadiu a lancha.
O
motorista da FOZ DO SOUSA, Eduardo Alves Ferreira, com grande sangue frio,
vendo que o rabão começava a afundar-se, o que ocasionaria a perda irremediável
da lancha, depois de gritar aos passageiros, entre os quais se tinha produzido
natural pânico, para que se mantivessem nos seus lugares, e, apesar de meio
coberto de água, conseguiu, forçando o motor, andar à ré, libertando assim a
FOZ DO SOUSA da proa do rabão, que logo se afundou, e conseguindo,
milagrosamente, pois o motor estava quase coberto pela água, andar com a lancha
e encalhá-la num baixio próximo. Só então acorreram várias embarcações, que,
com toda segurança, conduziram os passageiros para terra.
No
local do sinistro, esteve o comandante Machado de Sousa, da Policia Marítima do
Douro, que depois de analisar a situação da lancha, ordenou que se tomassem as
necessárias providências para a retirar do local em que se encontrava, a fim de
entrar numa carreira.
Além
do rabão, que se afundou, um outro, sofreu avarias que implicava a sua descarga
imediata.
A
Policia Marítima do Douro, tomou conta da ocorrência e procedeu às necessárias
averiguações.
O Bernardino Pereira Ferreira, mestre e proprietário da FOZ DO SOUSA, teve de ser observado clinicamente a fim de se confirmarem as causas do sinistro, de que felizmente não resultaram desastres pessoais.
O Bernardino Pereira Ferreira, mestre e proprietário da FOZ DO SOUSA, teve de ser observado clinicamente a fim de se confirmarem as causas do sinistro, de que felizmente não resultaram desastres pessoais.
A
lancha FOZ DO SOUSA, gémea da ESPINHAÇO, foi aquela que se afundou a
05/04/1950, junto do Areinho, de Oliveira do Douro, depois de ter embatido
contra uma lingueta de pedra, e em dez minutos apenas, a lancha afundou-se
totalmente, levando consigo para o fundo do rio cerca de 30 pessoas, No
rescaldo confirmaram-se 16 óbitos e mais uma dezena de desaparecidos, que
seguiam na embarcação com destino às povoações ribeirinhas da cidade do Porto.
Uma
outra tragédia, embora não fosse de cariz marítimo, envolveu meios navais para
a recuperação dos corpos e do autocarro, haveria de ter lugar a 04/03/2001 com
a queda da ponte de Entre-os-Rios, em que perderam a vida 59 vidas, que eram os
passageiros do autocarro e de dois automóveis, que foram engolidos pelas águas
de cheia do rio Douro.
Fonte:
jornal o Comércio do Porto
Rui
Amaro
sábado, 18 de maio de 2013
DUPLO ENCALHE DO BATELÃO “MAIORCA” QUANDO DEMANDAVA O
RIO DOURO
O rebocador FALCÃO 1º tenta safar o batelão MAIORCA do banco de areia / O Comércio do Porto /.
O batelão MAIORCA atracado ao cais da doca do Poço do Bispo em 1987, aguarda abate e venda /foto amavelmente transmitida por Nuno Bartolomeu, Almada /
A 04/12/1967, no curto espaço de duas horas e meia, o batelão costeiro MAIORCA transportando um carregamento completo de ferro da Siderurgia Nacional, procedente do Tejo e com destino ao cais de Gaia, no porto comercial do Douro, encalhou duas vezes, mas safou-se com a ajuda do rebocador FALCÃO 1º do mesmo armador, que o conduzia desde o Seixal.
Com efeito, aquele batelão, logo após ter demandado a barra sem a orientação de piloto da barra, a que por lei era isento, mais propriamente junto ao local denominado Meia Laranja, diante do jardim do Passeio Alegre, encalhou numas pedras, possivelmente motivado por qualquer estoque de água imprevisto. Eram cerca das 11h30, quando se verificou este primeiro encalhe.
Com efeito, aquele batelão, logo após ter demandado a barra sem a orientação de piloto da barra, a que por lei era isento, mais propriamente junto ao local denominado Meia Laranja, diante do jardim do Passeio Alegre, encalhou numas pedras, possivelmente motivado por qualquer estoque de água imprevisto. Eram cerca das 11h30, quando se verificou este primeiro encalhe.
Pouco
depois do meio-dia o batelão havia-se safado, seguindo para montante, contudo
passado algum tempo, o MAIORCA detém-se encalhado no banco de areia dos
Arribadouros, diante do lugar de Sobreiras, apesar dos esforços do FALCÃO 1º
para o evitar.
Mas
mais uma vez, o FALCÃO 1º consegue safar o MAIORCA, prosseguindo a sua
navegação até ao destino desejado, tendo este resto da viagem sido processado
sem qualquer outra anormalidade.
De
registar, porém, que estas contrariedades causaram certo pânico na zona
ribeirinha, pois de inicio, receou-se pelo pior.
A
corporação dos Bombeiros Voluntários Portuenses, Delegação da Foz, chegou mesmo
a sair, com um carro porta-cabos, para estabelecer o cabo de vaivém através de
foguetões, e uma ambulância.
Felizmente
que tudo correu pelo melhor, tendo o material referido recolhido ao
aquartelamento, sem que tivesse sido utilizado.
MAIORCA – imo
??/ cff 40m/ cpp 38,91m/ Boca 08,22m/ pontal 03,86m/ tripulação: 8 na cabotagem
costeira, 3 no trafego fluvial; 1965 entregue pelos Estaleiros Navais de S.
Jacinto, Sarl, Aveiro, à Sofamar – Sociedade de Fainas de Mar e Rio, Sarl,
Lisboa, que o colocou no serviço costeiro entre o Seixal e Douro/Leixões
transportando produtos da Siderurgia Nacional, e em meados da década de 70 no
serviço fluvial do rio Tejo; 1977 MAIORCA, ETE – Empresa de Trafego e Estiva
SA, que o empregou também no tráfego fluvial do rio Tejo; 1987 amarrou na doca
do Poço do Bispo para abate e venda; 1998 foi levado para Alhos Vedros, a fim
de ser desmantelado.
Fontes: jornal “O Comércio
do Porto”, Reinaldo Delgado, Nuno Bartolomeu.
Rui Amaro
ATENÇÃO: Se houver alguém
que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o
comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma
pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)
em NAVIOS Á VISTA, o que muito se agradece.
ATTENTION.
If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos
posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but
will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the
continuation of the same on NAVIOS Á VISTA, which will be very much
appreciated.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
RECORDANDO O ENCALHE DO NAVIO-MOTOR “ALEXANDRE SILVA” EM FRANCELOS
O ALEXANDRE SILVA demanda o porto de Leixões a 03/01/1967 / Rui Amaro /.
O ALEXANDRE SILVA encalhado ao Senhor da Pedra, Francelos, em 17/01/1949 / foto de autor desconhecido /
O comandante João Quininha quando veio de manhã à praia - dando conta da situação do navio ao chefe do Departamento Marítimo do Norte e aos representantes da companhia proprietária do seu navio / Jornal de Noticias /.
O comandante João Quininha, o imediato e o chefe de máquinas e o tripulante Gilberto Faria, junto do marítimo local Fernando Dias do Novo, que foi dos primeiros a prestar auxilio ao navio sinistrado /Jornal de Noticias/.
O ALEXANDRE SILVA, pouco depois de ter chegado ao porto de Leixões, e quando manobrava para fundear. Na foto distingue-se o NRP TEJO, a lancha RAMALHEIRA, dois arrastões bacalhoeiros de Viana do Castelo, uma fragata e o rebocador ESTORIL acostado ao navio sinistrado / O Comércio do Porto /.
O navio Italiano MAURA também encalhado ao Senhor fa Pedra, Francelos, em 26/08/1973 / O Comércio do Porto /.
A 17/04/1949, dia de nevoeiro cochado e mar chão, navegava de Lisboa para Leixões com carga diversa vinda de Cabo Verde e Guiné, destinada àquele porto Nortenho, e onde completaria o carregamento para aquelas duas colónias do ultramar Português, carreira a que estava afecto, vinha o moderno navio-motor ALEXANDRE SILVA,
capitaneado pelo comandante João Quininha, de Ílhavo, um experimentado veterano da costa Portuguesa, quando de madrugada encalhou a cerca de 800 metros da capelinha do Senhor da Pedra, na povoação de Francelos, do concelho de Vila Nova de Gaia, capela essa assentada sobre um rochedo, que em dias de borrasca fica cercada pela maresia em fúria, mas que miraculosamente não tem sofrido qualquer dano, e a cerca de três milhas a sul da barra do Douro.
Dado o alarme acorreram as corporações de bombeiros com material de socorros a náufragos e autoridades marítimas, destacando-se entre elas, o chefe do Departamento Marítimo do Norte e o piloto-mor do Douro e Leixões, assim como o representante da CUF – Companhia União Fabril, do Porto, agência consignatária do ALEXANDRE SILVA, e do porto de Leixões saíram os rebocadores TRITÃO e MIRA, da APDL, a lancha RAMALHEIRA, e o salva-vidas CARVALHO ARAÚJO, e do rio Douro seguiram os rebocadores VOUGA 1º, MANOLITO e a lancha de pilotar P9, a fim de o tentarem resgatar, o que nem sequer foi tentado, porque o navio estava encalhado numa posição muito complicada, incrustado em pélago rochoso muito agudo.
Mais tarde, o comandante veio para terra para conferenciar com as autoridades marítimas e os representantes do seu armador, a Sociedade Geral de Comércio, Industria e Transportes, de Lisboa, e agência consignatária, a fim de tratarem das formalidades para estes casos, e das possibilidades do possível salvamento do navio. O encalhe parece ter sido devido a avaria na agulha de marear.
Várias famosas companhias estrangeiras de salvamento marítimo, dentre as quais a Goteborg Bogserings & Bargnings A/B, de Gotemburgo, com o seu potente salvádego FRITIOF, 51m/ 672tb/ 12,5nós, abandonaram o salvamento, por o considerarem inviável.
Em face desse abandono, segundo consta a Sociedade Geral, Estaleiro da Cuf e seguradora Império, todas pertencentes ao Grupo CUF, não desanimaram, e tomaram a iniciativa de recuperar o ALEXANDRE SILVA, por conta própria, e para isso os seus técnicos, tiveram a ideia original de aliviarem o navio da sua carga, e carregá-lo de fardos de cortiça, mesmo ao nível do convés, material esse que as zonas limítrofes de Francelos eram férteis, a fim do navio ganhar um mínimo de flutuabilidade.
A 06/08/1949, devidamente consolidado seguiu de Leixões para Lisboa, a reboque do MONSANTO, e comboiado pelo ESTORIL, a fim de dar entrada na doca seca dos estaleiros da CUF, Rocha, para reparações finais.
Recordo-me daqui da Foz do Douro, em dias de grande maresia, o ter visto a ser trespassado por enormes voltas de mar, que pouco ou nada o danificaram, devido à sua robusta construção.
A 29/07/1949, dia de maré grande, foi o ALEXANDRE SILVA posto a flutuar com o auxílio dos salvádegos MONSANTO, D. LUIS e o rebocador ESTORIL, este do armador do ALEXANDRE SILVA, tendo sido levado para Leixões, a fim de consolidar as avarias sofridas, tendo ficado fundeado na Bacia.
No dia do encalhe do ALEXANDRE SILVA pairava ao largo a nova unidade da Sociedade Geral, o navio-motor ALMEIRIM que estava a iniciar a sua viagem inaugural.A 26/08/1973, precisamente onde encalhara o ALEXANDRE SILVA, pelas 11 horas da manhã, encalhava o navio-motor Italiano MAURA, 84m/1998tb, também devido ao nevoeiro cerrado, o qual não foi tão feliz como o ALEXANDRE SILVA, pois após várias tentativas de salvamento, foi considerado perda total consructiva, e desmantelado no local.
ALEXANDRE SILVA – imo 5010361/ 93m/ 1.746tb/ 11nós; 05/05/1943 entregue pela Companhia União Fabril, Lisboa, no seu estaleiro da Rocha concessionado pela AGPL, à Sociedade Geral de Comércio, Industria e Transportes, Lisboa, empresa de navegação privada do grupo CUF, que o empregou na sua carreira de Lisboa/Leixões para Cabo Verde e Guiné. Alguns anos mais tarde foi colocado no serviço “tramping” e na carreira do norte da Europa; 20/04/1944 em viagem para o Lobito, resgatou três sobreviventes do vapor Grego PELEUS, 130m/4.624tb, que numa jangada andavam há cerca de um mês â deriva no Atlântico Sul, depois do seu vapor ter sido afundado pelo U-852, e cujo comandante, sem dó nem piedade dizimou à metralhadora todos os outros tripulantes. O U-852 foi afundado junto da costa da Somália, e da guarnição de 66 elementos, 59 sobreviveram, dentre os quais o Kptlt Hans Wilhelm Eck, que com mais três oficiais foi executado pelo bárbaro crime de guerra perpetrado contra a tripulação do PELEUS; 27/11/1972 o ALEXANDRE SILVA chegava a Bilbao vindo de Lisboa, a reboque do salvadego PRAIA DA ADRAGA, para demolição.
http://uboat.net/allies/merchants/3218.html
Fontes: Imprensa diária, Miramar ship índex, U-boat net.
Rui Amaro
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sábado, 4 de maio de 2013
RECORDANDO O ENCALHE DO NAVIO-MOTOR PANAMIANO “PANDA STAR” NA PRAIA DE SANTO ANDRÉ, PÓVOA DE VARZIM
O PANDA STAR atravessado á praia de Santo André
O PANDA STAR varado na praia de Santo André
09/08/1979 - A praia de Santo
André, nos limites das freguesias contiguas de Aver-o-Mar e Aguçadoura, local
de grande vocação turística, foi ontem local de visitas para uns (mirones) e de
grandes preocupações para outros (as autoridades marítimas),
Cerca das 4 horas da
madrugada, e por motivos que se desconhecem, a que não deve ser estranho o
denso nevoeiro que cobriu a costa. O navio-motor PANDA STAR, sob bandeira
Panamiana, mas de armador Inglês, com 61,4m/424tb, encalhou nas areias daquela
praia, ficando totalmente atravessado.
Dado o alerta, foram
solicitados os socorros dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Varzim, que por
não disporem de material de socorros a náufragos, não chegaram a sair, cabendo
aos seus congéneres de Esposende montar um cabo de vaivém com cesta de salvação.
Igualmente se deslocaram o capitão do porto e o comandante da guarda-fiscal
desta cidade, capitão-tenente Vidigal Aragão e tenente Alves Pereira, com
alguns subordinados que actuaram de conformidade com a situação do navio.
A tripulação do navio é
constituída por três Portugueses, dois Cabo-Verdianos, um Espanhol, um
Tanzaniano (maquinista), um oficial e o comandante Ingleses. A bordo viaja
ainda a esposa do comandante.
O navio na maré vaza, ficou
com fácil acesso desde o areal da praia, por escada de quebra-costas, tendo por
ela saído os tripulantes Portugueses José Fernando Gomes da Silva, Zacarias
Gomes Bastos e seu sobrinho Fernando Cação Gomes Bastos, todos de Matosinhos,
que, cerca das 11 horas, se dirigiram à estalagem de Santo André para fazerem
telefonemas, regressando a bordo. Pouco depois o José Fernando e o Fernando
Cação, acompanhados do Cabo-Verdiano Vitorino Fortes e do Espanhol Manuel
Piñero Ribas, munidos das suas malas abandonaram o navio e disseram que
aguardariam o navio em Leixões, se conseguisse safar-se da areia. Caso
contrário, procurariam outro local de trabalho. O José Fernandes era a primeira
vez que embarcava no PANDA STAR.
O capitão do porto ouviu o
comandante do navio, que declarou ter a bordo 900 toneladas de madeira, em
toros, 40 toneladas de gasóleo nos tanques do combustível, ter saído de Vila
Garcia e dirigia-se à Argélia.
Recusou auxílio de rebocadores,
informando que iria tentar safar o seu navio pelos próprios meios, na maré
cheia, portanto entre as 15 e as 16 horas.
Confirmando as previsões dos
pescadores de Aguçadoura, a tentativa não surtiu efeito, pese embora todos os
esforços da tripulação que restou. Os motores foram postos a funcionar em
marcha à ré, para tirar o navio do banco de areia, quando já estava totalmente
a flutuar, mas sem êxito.
Entretanto os Voluntários de
Esposende montaram preventivamente os lança foguetões para a hipótese do navio
se afastar e bater nos rochedos que o ladeavam à proa e à ré. Refira-se que os
pescadores Aguçadourenses sublinhavam a sorte do comandante do navio, de ter
entrado pelo “buraco da agulha”, o canal como lhe chamam, a uma nesga de mar de
escassos cem metros de largura, entre maciços e penedia.
As autoridades presentes
receavam que, na tentativa de salvamento, o navio pudesse abrir rombo e
derramar o gasóleo que transporta, se acaso batesse nas pedras. Daí a
vigilância permanente do capitão do porto.
Ao fim da tarde, o comandante
do barco, em face do fracasso da tentativa feita pelos eus próprios meios, acedeu
à intervenção de rebocadores em próximas tentativas.
HOJE DE TARDE NOVA TENTATIVA DE DESENCALHE
Para tanto, estarão hoje
reunidos, às 9 horas da manhã, com o comandante do navio, o capitão do porto da
Póvoa, um representante do armador, a empresa Cotandre, do Porto, um mestre de
rebocadores e um oficial da APDL.
Só desta reunião será decidido
a forma como irá ser feita nova tentativa de desencalhe, o que virá a ter lugar,
em caso de se ter que fazer na preia-mar às 16h30,
Entretanto, o navio está já a
ser aliviado de parte da carga, a que se encontrava no convés, cerca de 2.500
toneladas de toros de madeira de razoável porte, pelo que foi feito aviso à
navegação desse facto.
Porque é lícito recear ser
provável arrombamento de fundos, foi solicitada ao comandante dos Sapadores
Bombeiros do Porto para procederem à trasfega das quarenta toneladas de gasóleo
que se encontra ainda nos tanques, para evitar risco de poluição das praias da
costa poveira.
A Camara Municipal com a
defesa das suas praias, mobilizou todos os meios, que ali chegara vindo do sul
para norte. Também naquela tarde teriam sido vistas sair grandes nuvens de fumo
negro de bordo. Outras testemunhas afirmam que, já depois da meia-noite, o
navio, iluminado, mantinha a proximidade da costa.
Entretanto, um outro barco, um
butaneiro, mantem-se estacionado ao largo, desde a madrugada, desconhecendo-se
os motivos.
Enfim, há assunto de sobra para
as autoridades averiguarem.
ENCALHADO EM AVER-O-MAR HÁ 25 DIAS
LONGO TRABALHO DE ESPECIALISTAS CONSEGUE POR A SALVO O “PANDA STAR”
O PANDA STAR já a salvo no porto de Leixões
O capitão A. Christiaans, técnico da W. Wijsmuller B. V., de Ijmuiden
04/09/1979 – Eram 4,30 horas
da tarde de ontem quando o navio Panamiano PANDA STAR entrou no porto de
Leixões, depois de ter conseguido “safar-se das areias” da praia da Aguçadoura
na Povoa de Varzim, onde encalhara na madrugada do dia 8 do mês passado. Tendo
acostado ao cais novo de contentores, o navio esperará agora que a Capitania
lhe faça uma vistoria ao casco, passando-lhe o respectivo certificado de
segurança, seguindo tão cedo quanto possa, o seu destino.
A “história do PANDA STAR”,
propriedade de um armador Inglês, que tem os seus navios, sob bandeira de
conveniência do Panamá, começou quando os habitantes das freguesias de
Aver-o-Mar e Aguçadoura viram sair do denso nevoeiro que fazia na referida
madrugada do dia 8 de Agosto passado, um enorme navio que iria encalhar na
areia, paralelamente à praia. Os motivos deste acidente, mais um dos muitos,
que tem feito das costas Nortenhas um verdadeiro cemitério de embarcações, não
se conseguiram apurar, sendo porém provável que se tenha devido exactamente ao
denso nevoeiro que se fazia sentir.
Depois de repetidas tentativas
falhadas de desencalhar o navio, com o auxílio das marés grandes, o
proprietário do navio fez um acordo com a empresa Holandesa Wijsmuller B. V.,
de Ijmuiden, especialista nestas operações, e representada em Portugal pela
agencia de navegação Jervell & Knudsen, segundo a qual o proprietário só
pagaria a tentativa de desencalhar o navio caso esta resultasse, ou seja em
termos marítimos internacionais “no cure no pay”.
Foi assim que há cerca de 15
dias o capitão A. Christiaans tomou conta do PANDA STAR com a missão de o
retirar da praia da Aguçadoura onde parecia estar de “pedra e cal”.
NINGUÉM AGUARDAVA QUE O SALVAMENTO DO NAVIO FOSSE POSSÍVEL
E foi exactamente com o
capitão A. Christiaans que a nossa reportagem falou, depois de termos
conseguido entrar a bordo do PANDA STAR, ainda as manobras de acostagem não
tinham terminado. Visivelmente satisfeito, e num Inglês cuja pronúncia,
possivelmente Flamenga tornava de difícil entendimento, este especialista da
Wijsmuller B. V. em operações de desencalhe, começaria por nos dizer que
“ninguém da Póvoa acreditava que fosse possível salvar o navio”, mas que a
operação correu maravilhosamente, não tendo sido causado ao navio qualquer
dano.
O processo usado – explicar-nos-ia
o capitão A. Christiaans – foi o de o retirar com “buldozzers” a areia junto ao
navio que, como iniciamos por dizer, se encontrava paralelo à praia e a ela
encostado, imobilizado com um ferro preso ao largo e ligada por um cabo de 990
metros. Isto, evidentemente, depois de ter sido retirada a carga que levava,
toros de madeira, assim como quase esvaziadas as reservas de combustível.
E, assim, retirada a areia
possível, o navio esperou as marés grandes que se costumam fazer sentir com
mais força exactamente nos princípios do corrente mês de Setembro. Na manhã de
ontem, com a maré viva, o barco começou a fugir para sul, da parte da ré, de
forma que, mal a hélice pode trabalhar, o navio saiu mesmo de ré, fazendo então
uma difícil manobra entre os bancos de areia donde tinha saído e os rochedos
que mais ao largo abundavam, conseguindo sair de proa sem ter tocado em nenhum.
HÁ MAIS DE DEZ ANOS QUE NENHUM BARCO ENCALHADO NA COSTA NORTENHA
CONSEGUIA SAFAR-SE
Esta operação de salvamento
constituiu realmente uma verdadeira vitória, tanto mais que, para além de
possíveis prejuízos de poluição que evitou, foi a primeira vez que, pelo menos
nestes últimos dez anos, um navio encalhado na costa Portuguesa a norte de
Espinho conseguir safar-se.
O capitão A. Christiaans, como
dissemos o responsável por esta proeza, haveria também, de agradecer o precioso
auxílio da empresa Portuguesa Ferrinha, de Leça da Palmeira, que acompanhou
toda a operação, assim como ao proprietário da estalagem de Santo André, que
forneceu à tripulação água potável e a quem lavou a respectiva roupa.
Sobre o preço porque terá
ficado ao armador proprietário do PANDA STAR toda esta bem sucedida operação de
salvamento, o capitão A. Christiaans dir-nos-ia ser um técnico que não sabe
nada dessas coisas de dinheiro, sendo no entanto de esperar que, pelo tipo de
contrato estabelecido, a verba a receber pela empresa Wijsmuller B. V. não seja
pequena, tanto mais que o navio se encontra na mesma como quando encalhou.
PANDA STAR – imo 6411550/ 61,4m/ 424tb/ 11nós; 29/02/1964 entregue
por J. J. Sietas KG Schiffswerft GmbH u. Co., Neunfelder, as LEDA a Werner
Wartels, Hamburg; 1975 EXXOIL ONE, Panda Navigation, Ltd., Londres; 1977 PANDA
STAR, Panda Star, Ltd, Londres; 1980 PANDA STAR, Yaltex maritime Inc, Panama;
1981 CEDRA, Panamá; 1981 CEDRA SUN, Orkney Ltd, Gibraltar; 1983 MILLE,
Charleston Ltd, Gibraltar; 1986 KAMILLA HOPE, Hagersville, Ltd, Gibraltar; 1996
BASSER R, Siria; 2001 AHMED M, Siria; 2004 LADY DIANA, Siria; 05/12/2004 chegava
a Alang para desmantelamento em sucata.
Fontes: Jornal “O Comércio do
Porto” – M.A.S.; Miramar Ship Index
Imagens: Jornal “O Comércio do
Porto”
Rui Amaro
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