domingo, 6 de outubro de 2013

HÁ CERCA DE 56 ANOS OCORREU A TRAGÉDIA MARITÍMA QUE ENVOLVEU O REBOCADOR “NEIVA” E A FRAGATA “FIGUEIRA DA FOZ” QUANDO EM TRANSITO DE SETÚBAL PARA O DOURO

O rebocador NEIVA (2)

 A baleeira do NEIVA recolhida pelo MARIALVA já em Massarelos, Porto


27/03/1957 - A história do naufrágio já localizado ao mar da Figueira da Foz, está a a atingir as últimas páginas. No entanto o mistério paira e não se desanuviará. Duas embarcações registadas na capitania do Douro, o rebocador a fogo NEIVA(2) e a fragata FIGUEIRA DA FOZ, que, durante dias, trouxeram ansiedades  e preocupações pela falta de noticias, na viagem de Setúbal para o Porto, perderam-se definitivamente. Com elas, treze homens – o total das tripulações – desapareceram também nas águas agitadas do Atlântico. Nem uma testemunha ficou para relatar a tragédia.
O último capítulo é descrito à volta de um cadáver, que o rebocador MARIALVA encontrou no mar e trouxe ontem para o Porto.
Desde que foi assinalado o achado dos despojos, o MARIALVA manteve-se em comunicação com as estações marítimas. Alguns pormenores demos já ontem com a lista dos marítimos. Restava a identificação; e ela fez-se com a chegada do MARIALVA, que passou á Cantareira, dez minutos depois das cinco horas da manhã. Lentamente com a bandeira nacional a meia-adriça, aquele rebocador subiu o rio. Ainda era escuro, mas o dia começava a clarear. Quinze minutos depois, atracava no cais da Àgua, em Massarelos.
Aguardavam-no já as autoridades marítimas, para cumprimento das formalidades. Entramos a bordo, para colher elementos – uma possível versão da tragédia. E fomos bem sucedidos.
O mestre Júlio Parracho, que comanda o MARIALVA, homem do mar, firme e decidido, tem exposição clara.
Com 53 anos de idade, anda no mar há 40. Embora o seu tronco familiar venha de Ílhavo, nasceu na Nazaré, onde os pais estavam acidentalmente. Mas a gente do mar move-se de porto em porto. E, assim, a partir dos 2 anos, fixou-se em Matosinhos. Agora reside em Leça da Palmeira, na rua Fresca, e tem dois filhos no mesmo rumo. Um é oficial da Marinha Mercante e outro estuda.
Mestre Júlio Parracho vai além das obrigações da profissão. É um estudioso das coisas do mar. Logo que subimos à ponte de comando, deparamos com um sextante – utensilio raro numa embarcação, especialmente de cabotagem. No entanto, ali estava, para nos dar a primeira indicação da pessoa que tínhamos na frente.
COMO FOI ENONTRADA A BALEEIRA
Mestre Parracho que faz da ponte de comando o seu “beliche”, e apesar do dispêndio de energias com esta viagem, não só nos recebeu afavelmente como prestou todos os esclarecimentos com nitidez.´
- Que nos diz do naufrágio?
- Deu-se um pouco ao norte da Vieira de Leiria, a calcular pela posição da baleeira.
- Como soube da notícia?
- Saí de Setúbal às 22 horas e meia do dia 26, com rumo ao Douro, que é o meu porto de armamento. Além de mim. Trago mais oito homens; é esta a tripulação do MARIALVA. Quando navegava ao norte do Cabo Carvoeiro, já cerca das 9 horas (gmt) do dia 27, captei pela rádio telefonia, uma informação do arrastão espanhol REPOLA, transmitida a toda a navegação, de que tinha avistado um bote semi-submerso, com o nome de NEIVA pintado. Perguntava se haveria alguma ligação com as embarcações desaparecidas. Mas não falava de qualquer cadáver na baleeira. Entrei em comunicação com o REPOLA e perguntei a posição da baleeira. Como me indicasse 29.55 N de latitude e 9.17 W de longitude, verifiquei que estava a 25 milhas ao sul. Para lá me dirigi. Ao meio dia legal, observei a meridiana e deu-me para ponto a primeira latitude. Mas antes disso, já tinha percorrido a área de mar em todos os sentidos: Leste, Oeste, Norte, Sul: Feita a observação, andei um pouco mais para terra, no rumo do Leste verdadeiro e acabei por encontrar a baleeira. A posição que o REPOLA me havia dado era um pouco mais ao mar; A baleeira tinha descaído um pouco. Tivemos ainda dificuldade em a localizar, porque de facto, andava submersa, apenas uns escassos 20 centimetros fora de água: Compreende-se que era difícil vê-la. O mestre Espanhol disse-me que q bordo não havia ninguém, morto ou vivo. Mas, pesquisando bem com o meu binóculo pareceu-me ver um vulto humano.
Imediatamente mandei aproar à baleeira e em poucos minutos reconhecemos que de verdade se tratava a baleeira pertencia ao rebocador NEIVA.
A abordagem, é fácil ajuizar que nos trouxe emoção. Somos homens do mar, sentimos e vivemos como irmãos. Íamos buscar mais um dos nossos. Enrolado nos cabos, lá estava um corpo, que rapidamente reconhecemos, era o Henrique Simões, moço da fragata FIGUEIRA DA FOZ.
- Ficamos com a cabeça â razão de Juros – é esta a expressão do mestre Parracho – tanto mais que já tinha sido tripulante do MARIALVA e servido sob as minhas ordens. Por um momento perdemos a coragem de lhe tocar. Mas tinha de ser. Os homens do mar têm de ser duros, porque a vida também é dura. Trouxemo-lo para bordo e amarramos a baleeira para vir a reboque. Enquanto executávamos a manobra, encontramos na baleeira, uns “albaiões”, espécie de calças de caqui, com peito alto, de tipo Americano. Suponho que pertence este despojo ao contramestre do NEIVA, Joaquim de Sá. Lá estava, também, uma boia do rebocador, a atestar que houve mais náufragos na baleeira.
- E depois?
- Continuei ainda a pesquisar o mar, desde as 13 horas e meia até ás 16. Entretanto, no decurso destes trabalhos, reconheci que não era possível trazer a baleeira a reboque. Mandei que a metessem a bordo, com as dificuldades que bem se podem calcular, pois o mar era de pequena vaga, com vento moderado de Norte e bastante cachão do mesmo lado. Pelas 15 horas veio à fala comigo, o salva-vidas D CARLOS, do porto da Figueira da Foz, e, durante uma hora, ainda cruzamos o mar em várias direcções, mas os nossos esforços foram improfícuos. Nada mais encontramos.
Comuniquei, então, à Rádio Naval da Boa Nova, com quem estava em contacto desde as 9 horas e meia, para assinalar o meu achado. Depois foi o rumo ao Porto. E aqui estamos.
COMO SE TERIA DADO O NÁUFRAGIO
Perguntamos agora ao mestre Júlio Parracho que impressão tinha do naufrágio.
- Esclarece-nos de pronto:
- Tanto o NEIVA como a FIGUEIRA DA FOZ tinham mestres competentes e habituados às lides do mar. As tripulações eram afoitas. Verifiquei, porém, que na baleeira não fizeram uso dos remos. No lugar onde deviam servir as forquetas, não havia sinal de terem sido coçadas, o mesmo observei por toda a parte superior da sua borda. A “tabica” também não apresentava sinais de os remos a terem coçado.
Admito que todos os náufragos chegaram a estar a bordo do pequeno barco, pois, apesar de a sua lotação ser para dez pessoas, podia comportar bem os treze tripulantes. Tinha caixas-de-ar de cobre, e não era fácil submergir completamente com o peso. Faltava-lhe o bojão da “jaja”, que é o buraco de escoamento da água.
- Como explica a tragédia?
- É muito difícil, porque são escassos os elementos que recolhemos no mar. Entretanto.
- O NEIVA foi avistado por um barco de pesca Espanhol na manhã do dia 22, terça-feira, por alturas de S. Pedro de Muel. Na noite seguinte, houve muito temporal, Possivelmente a fragata abriu água, o que é natural, tratando-se de uma embarcação de madeira, embora recentemente tenha sido bem reparada. Mas a carga era de cimento, à volta de 273 toneladas. Impotentes para dominar a água, que tanto pode ter sido por falta de forças como por avaria das bombas, o mestre e tripulantes da FIGUEIRA DA FOZ devem ter reconhecido a impossibilidade de chegar ao Porto. Teriam, então, pedido socorro ao NEIVA. A gente do rebocador, por seu turno, apercebendo-se do que se passava, teria largado por mão ou colhendo o cabo de reboque, preparando-se para tentar a abordagem da fragata, para salvar a tripulação. Nestas condições de tempo e do mar, com os homens exaustos, admito que não era possível fazer uso da baleeira da fragata.
Vejamos agora, o momento critico: Houve naturalmente intensidade na abordagem e o rebocador foi arremessado contra a fragata: o pânico deve ter sido imediato, e nem sequer puderam fazer uso das duas baleeiras do rebocador. Assim, enquanto uma delas foi +ara o fundo com o rebocador nos seus picadeiros, a outra foi lançada à água. Na confusão que sempre surge nestes momentos, a hora de salve-se quem puder; e todos procuravam atingir a baleeira. E veio o segundo desastre.
Talvez por essa precipitação, poucos lá chegaram. Ou ainda outra versão, talvez mais conforme com elementos achados. Todos lá chegaram, aglomerando-se todos os treze homens na pequena baleeira, e não lhes foi possível fazer uso dos remos para manobrar da melhor maneira a defenderem-se do temporal.
- Está, então convencido que os homens ainda poderiam salvar-se?
- Sim, os homens poderiam aguentar-se na baleeira, embora o temporal fosse muito violento nessa noite, em que localizo a tragédia, a de terça para quarta-feira. Com as caixas de ar em cobre, a baleeira não ia ao fundo mesmo que nela estivessem o treze homens. Mas houve qualquer elemento que desconhecemos e que os impossibilitou de manobrar a embarcação, e de fazer uso dos remos.
E o mestre Júlio Parracho conclui:
- Eu senti este naufrágio mais que qualquer outra pessoa, porque orientei a construção do NEIVA, e fui seu mestre durante 12 anos, até 1942. Alguns dos mortos tinham sido também tripulantes no MARIALVA, O Bernardino da Encarnação, o fogueiro, o Henrique Simões, e outros cujos nomes me não vêm à memória. Era pessoal bom, todos competentes e destemidos.
O MARIALVA rebocador de serviço da zona costeira internacional, que vai desde o Cabo Finisterra, a Norte de Portugal, até ao Cabo de Gata, no Mediterrâneo, e à costa do Norte de Africa, pertence à firma Pascoais Unidos., Lda, Matosinhos, com o mestre Júlio Parracho e os seus oito tripulantes, teve neste caso papel destacado em busca dos náufragos, mas infelizmente dos seus esforços resultou apenas esta missão dolorosa; trazer para o Douro um cadáver. E, a propósito da tragédia, mestre Parracho fala-nos da emoção difícil da sua classe:
- Este mestre do NEIVA, O Armando Ferreira Neto, esteve anos desempregado devido à crise de trabalho que atravessávamos na nossa profissão.
Rematando a nossa entrevista, mestre Parracho acrescenta:
- Isto foi uma infelicidade. O NEIVA que saíra de Setúbal no doa 21, às 20 horas, devia demorar 20 horas na viagem até ao Porto, mas o temporal atrasou-o, e, na noite de terça-feira para quarta-feira, desapareceu sem deixar testemunhos. Calculo que tenha submergido a Oeste ou já a Norte do Cabo Mondego, pois o vento era do Norte e deve ter feito correr a baleeira para a posição que a encontramos.
Cerca das 9 horas da manhã estiveram a bordo as autoridades sanitárias da Marinha e da Delegação de Saúde e pouco depois o cadáver do malogrado moço da fragata FIGUEIRA DA FOZ foi removido para o Instituto de Medicina Legal, sendo os despojos entregues na Capitania.
AO DESPOJOS QUE DERAM Á COSTA CONFIRMAM A VERSÃO DO NÁUFRAGIO
Desde quarta-feira que estão a dar à costa, em Palheiros de Mira, um pouco a sul de Aveiro, alguns destroços de uma embarcação. Os fragmentos arremessados pelo mar, parecem terem pertencido à fragata FIGUEIRA DA FOZ. São, no entanto, elementos parcelares, destruídos, que apenas vêm confirmar a versão que acima reproduzimos. O mestre Júlio Parracho foi, ontem, à tarde, até Mira, e esteve no Marco da Carniceira, onde esses despojos apareceram. Da sua observação pessoal, técnico competente e esclarecido, concluiu que, de facto, a fragata foi que primeiro abriu água, até porque o fundo não apareceu.
Isto, ainda mais arreiga a convicção que de facto foi a colisão das duas embarcações a causa do naufrágio.
Agora um leve comentário: Se havia barcos desaparecidos, com 13 vidas a bordo, de que se desconhecia a sorte, e despojos dum naufrágio estavam a dar à costa, a Guarda-Fiscal devia ter comunicado de imediato o caso à repartição competente para ser centralizado. Neste caso já que os barcos estavam perdidos, restava tentar o salvamento de algumas vidas, se todo não fosse possível.
Este comentário funda-se ainda na impressão colhida do infeliz Henrique Simões ter morrido horas antes de o MARIALVA encontrar a baleeira, e não por asfixia. Isto é, foi o último a manter-se na baleeira, e sucumbiu por enregelamento ou qualquer outra causa, mesmo por afogamento.
REGRESSOU AO TEJO O PATRULHA QUE FORA DESTACADO PARA PROCURAR ENCONTRAR AS EMBARCAÇÕES DESAPARECIDAS OU SOBREVIVENTES
Depois de ter efectuado aturadas pesquisas, que resultaram infrutíferas, regressou ao Tejo, procedente do mar da Nazaré, o patrulha NRP SANTIAGO, que havia saído com o objectivo de encontrar destroços do rebocador NEIVA e da fragata FIGUEIRA DA FOZ, e foi acostar à base naval do Alfeite.
Dois aviões levantaram voo também para colaborar nas pesquisas, mas não obtiveram o resultado desejado, pelo que regressaram à base.
A LISTA DAS VITIMAS
NEIVA: Mestre, Armando Ferreira Neto, 45 anos, da rua dos Dois Amigos, 298, Leça da Palmeira; contramestre, Joaquim de Sá, de 52 anos, da Calçada da Arrábida, 283, Porto; maquinista, Aurélio Neves, de 55 anos, da rua do Campo Alegre (Bairro Passos José); fogueiros Francisco Pinho Monteiro, de 46 anos, da Corredoura, Oliveira do Douro; Bernardino da Conceição Brenha, de 58 anos, da rua de Santa Luzia, 381, e José António Marques da Silva, de 38 anos, de Lavadores, Gaia; marinheiros: Manuel Oliveira Caseiro, de 68 anos, da Afurada; Henrique da Costa, de 51 anos, da Foz do Douro e Albino José Morais Lago, de 24 anos, da rua do Casal Pedro.
FIGUEIRA DA FOZ: Mestre, Joaquim Correia de Almeida Lapa, de 52 anos, da Rua Viterbo de Campos 16, Gaia; marinheiros: José Joaquim de Almeida Lapa, de 31 anos, filho do mestre, da fragata, da rua de Trás, Candal, Gaia; Artur Fernando da Silva, de 41 anos, da rua do Comércio do Porto, Porto, e Henrique Simões, de 48 anos, da rua Viterbo de Campos, Gaia.
O mestre do rebocador, Armando Ferreira Neto, era muito conhecido nos meios desportivos do Porto e foi jogador no Leça Futebol Clube.
NEIVA (2) – 23,15m/ 82tb/ 09mh; 1933 entregue por José Gomes Martins, Estaleiro do Ouro, Porto, a Joaquim Gouveia, Lda, Porto. A máquina e outros materiais foram aproveitados do NEIVA (1) ex BURNAY 2º; 195_ NEIVA, Lemos, Gomes & Cia, Lda, Foz do Douro, Porto.
FIGUEIRA DA FOZ – 30,29m/ 201,71tb; 1919 entregue por um estaleiro de Vila do Conde a Joaquim Gouveia, Lda, Porto; 195_ FIGUEIRA DA FOZ, Lemos, Gomes & Cia, Lda, Foz do Douro, Porto.
NOTA DO AUTOR DO TEXTO
Aquando do naufrágio, lembro-me do meu pai, piloto da barra, pela fonia dos pilotos, estar fazer chamadas consecutivas pelo rebocador NEIVA, e a pedir colaboração a outras embarcações, porque os familiares estavam à porta da corporação dos pilotos, aguardando boas novas, o que, infelizmente não se concretizaram e até porque um dos tripulantes, o Henrique da Costa era irmão de dois pilotos da barra do Douro e Leixões, Bento da Costa e Alberto da Costa, e pai de dois amigos meus o António e o Firmino, já falecidos. Também eu aqui em minha casa estava de escuta na frequência de onda marítima, à espera de qualquer comunicação.
Mal sabia o mestre Júlio Parracho, do rebocador MARIALVA, que colaborou nas buscas e trouxe para o Douro a baleeira e o corpo do desditoso moço da fragata, que passado alguns anos, mais propriamente a 07/12/1959, iria ter a mesma sorte dos seus camaradas do NEIVA, juntamente com os tripulantes das fragatas CANTANHEDE e MICAELENSE, aqui diante da barra do Douro, acerca de 3 milhas para Oeste, já a chegar a bom porto. Perderam-se 17 vidas das três embarcações.
Fontes e imagens: Jornal O Comércio do Porto.
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s) em NAVIOS Á VISTA, o que muito se agradece.

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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

HÁ CERCA DE 54 ANOS OCORREU A TRAGÉDIA MARITIMA QUE ENVOLVEU O REBOCADOR “MARIALVA” E AS FRAGATAS “CANTANHEDE” E “MICAELENSE” AO LARGO DA BARRA DO DOURO

 Rebocador MARIALVA saindo a barra do Douro, finais da década de 40 / colecção F. Cabral /.

 Destroços das embarcações naufragadas que deram à costa entre Lavadores e Espinho / Imprensa diária /.

08/12/1959 - Sob um temporal desfeito, do quadrante noroeste, mar muito agitado e vaga alta, navegavam ao largo da barra do Douro, o rebocador MARIALVA, com o mestre Júlio Fernandes Parracho a orientar a manobra de navegação. Dava reboque à fragata CANTANHEDE, que transportava 9.200 sacos de cimento, e á MICAELENSE, que trazia 380 toneladas de sal. Procediam de Setúbal, tendo deixado aquele porto pelo entardecer de sexta-feira, com destino à barra do Douro, onde eram esperados, muito embora ali não pudessem entrar devido à barra se encontrar encerrada à navegação pela forte agitação do mar e corrente de água do rio.
Ao princípio da madrugada de ontem, deviam pairar em frente à capelinha do Senhor da Pedra, entre as praias de Miramar e Francelos, talvez um pouco descaídos a terra. É local bastante perigoso para a navegação, visto localizarem-se naquela zona os “Roncadores”, formando um fundo de pedra que se estende pelo mar dentro. Açoitadas terrivelmente pela procela, o MARIALVA, certamente com toda a potência da sua máquina, procurava atingir com as duas embarcações que rebocava o porto de Leixões, ali tão próximo, que seria afinal, o seu porto de salvamento dado o caso de, porventura, ali chegar…
Uma tragédia marítima estava prestes a desenrolar-se – rápida e fulminante – tão rápida que de bordo do rebocador, presume-se que não tivessem tempo de comunicar pela fonia a sua terrível situação, lançando um S.O.S. e, em poucos minutos, no meio daquele mar tenebroso, soçobraram o MARIALVA, a CANTANHEDE e a MICAELENSE, tragando as águas revoltas os dezassete homens que faziam as tripulações. Simplesmente dramático. Nem um único sobrevivente para relatar a fatídica tragédia.
O mestre do MARIALVA, Júlio Fernandes Parracho, de 57 anos, oriundo da Nazaré, e residente na rua Dois Amigos, em Leça da Palmeira, experimentado homem do mar, que há mais de vinte anos se entregava ao serviço de reboques na zona costeira, sabia bem a situação em que se encontrava o seu rebocador e as fragatas que conduzia. Pelos seus próprios recursos procurava safar-se de tão crítica posição, mantendo-se em comunicação durante a noite com os postos rádio costeiros. Numa transmissão com o navio-tanque SHELL ONZE, que viera a Leixões descarregar combustíveis líquidos, anunciava que estava a ser batido por voltas de mar alterosas e uma delas ter-lhe-ia apagado uma das bocas-de-fogo da caldeira!
Na gíria marítima teria um desabafo: - “O mar era um cão; entretanto, procuraria alcançar Leixões…”. E chegaria a pedir alerta aos pilotos para uma ajuda de entrada. Foram estas efémeras informações colhidas pela reportagem, na ronda de se desvendar um pouco da verdade sobre o dramático acontecimento marítimo. Se tivessem lançado um S.O.S. teriam talvez aqueles homens possibilidade de salvamento. Com aquele mar tenebroso – afirmaram-nos os práticos – não haveria meios eficazes de socorro, mesmo na hipótese da utilização de um helicóptero, se isso fosse possível, seria viável o salvamento dos náufragos, de noite, e com a vaga impetuosa a varrer a costa, a crescer ao longe, e ao largo.
No rondar dos ponteiros, a marcar o início da madrugada, deixou de ouvir-se a fonia do MARIALVA. De Leixões, a partir do dealbar, não se avistavam as três embarcações. Algo, ocorrera naquela avassalante noite de tragédia. A gente do mar, sempre em sobressalto com os prenúncios do mau tempo, receava o pior. Na realidade, alguns lares estavam de luto.
Os postos rádio costeiros estiveram em comunicação com os navios-motor ingleses MERCIAN e LUCIAN, que pairavam ao largo da costa. Os respectivos comandantes, em resposta, transmitiram que nada haviam encontrado nas imediações da área. A fatídica notícia do afundamento do rebocador e das fragatas confirmava-se pelos telefonemas, que cerca das oito horas de ontem começaram a chegar â capitania do Douro e à Corporação dos Pilotos. Diziam os informadores que estavam a ser arremetidos à terra os restos do costado dum navio.
O aparecimento destes destroços alertou as autoridades marítimas. Ao longo do litoral, entre as praias de Lavadores e da Aguda, o mar arrojava para o areal pedaços da fragata MICAELENSE, construída em madeira, e que fora completamente despedaçada. À praia de Francelos veio dar a maior parte do cavername daquela embarcação. Uma das baleeiras do MARIALVA também ficou varada na areia.
Entre os destroços que os cabos de mar recolhiam e procuravam identificar, encontravam-se coletes de salvação, boias da MICALENSE e da CANTANHEDE… Alguns dos coletes vinham com nós dados, pelo que tudo indica, que tivessem sido utilizados pelos náufragos!
O rebocador MARIALVA e a fragata CANTANHEDE, devido à sua construção ser em ferro, afundaram-se sem que fossem desmantelados pelo mar. Aquele rebocador – que ultimamente recebera grandes reparações – saíra pela última vez da barra do Douro em 10 de Novembro findo, levando a fragata COSTA NOVA, rumo a sul.
O afundamento das três embarcações devia ter-se desenrolado por volta da uma hora da madrugada; e assim se deduz pela falta de contacto, por meio da fonia de bordo, do MARIALVA, a partir mais ou menos daquele momento, com a navegação e postos costeiros. Como referimos, nenhum dos tripulantes conseguira sobreviver à lancinante tragédia.
Da tripulação do MARIALVA faziam parte, além do mestre Sr. Júlio Fernandes Parracho, domiciliado em Leça da Palmeira, os Srs. João Francisco dos Reis, de 40 anos, contra-mestre, do Algarve; Adolfo Américo da Costa, de 60 anos, maquinista, de Alfândega da Fé; Emídio Francisco dos Santos, de 49 anos, residente no bairro da Condominhas, Porto, e José da Silva Monteiro, de Canidelo, V. N. de Gaia, ambos fogueiros; António Joaquim da Silva Duarte, de 30 anos, chegador, de Canidelo, V. N. de Gaia; Joaquim Martins dos Santos, de 27 anos, de Alcochete, e Francisco Conceição Felício, marinheiros; e Lázaro Esteves, de 23 anos, moço de bordo, da Murtosa.
Segundo consta do rebocador, houve um tripulante que por qualquer motivo não embarcara na fatídica viagem, e graças a isso teve a grande felicidade de continuar vivo por muitos anos. 
Da fragata CANTANHEDE, era mestre há seis anos, o marítimo Domingos dos Santos Caturra, de 56 anos, residente nas escadas da Boa Passagem, em V. N. de Gaia, junto ao rio; e tripulantes, os marinheiros Alexandre Duarte Silva, de 49 anos, de Lisboa, e Manuel Joaquim Damiães, de 27 anos, de Alcochete; e ainda Francisco Maria Enguião, de 19 anos, de Ovar, moço.
Da fragata MICAELENSE, Francisco de Oliveira Enguião, de 57 anos, de Ovar, mestre; Joaquim Viegas Lameiro, de 38 anos, de Olhão, e António José dos Santos, marinheiros; e como moço embarcara José Luis Reis.
As famílias dos náufragos residentes no Porto, ao saberem do acontecimento, fizeram-se deslocar às proximidades do sítio onde se produziu o trágico sinistro, na ansia de encontrar os corpos dos seus entes queridos. A costa continuava a ser fustigada pelo temporal.
Entre as tripulações dos três barcos afundados, alguns são familiares. O fogueiro do MARIALVA, José da Silva Monteiro, era tio do chegador António Joaquim da Silva Duarte. O mestre da MICAELENSE, Francisco da Silva Enguião era também parente do moço da CANTANHEDE Francisco Maria Enguião. Alguns desses homens de mar serviam há muitos anos nas embarcações que se afundaram. O mais antigo era o mestre do rebocador.
Dos dezassete náufragos, só o corpo de um deles, pelas 11 horas foi arrojado à praia, perto de Miramar. Vinha completamente nu. Mais tarde foi identificado pela família. Tratava-se do mestre da CANTANHEDE, que foi piedosamente recolhido. Os Bombeiros Voluntários da Aguda, durante o dia e parte da noite de ontem, numa ronda permanente, procuraram localizar mais alguns corpos. Entretanto entre as praias de Francelos e de Espinho, não houve notícias de algum outro aparecimento.
Recorde-se uma tragédia semelhante ocorrida em março de 1954, ao largo do mar de Aveiro, em circunstâncias que não foi possível averiguar concretamente, soçobraram o rebocador NEIVA e a fragata que conduzia, a FIGUEIRA DA FOZ, que se empregavam também no tráfego costeiro, e seguiam na rota de Setúbal para o Douro, perecendo as duas tripulações. Curiosamente o rebocador MARIALVA, que de Setúbal vinha em viagem também para o Douro, sem qualquer fragata a reboque, alguns dias depois do desastre, viu-se envolvido nas buscas, e avisado pelo arrastão Espanhol RAPOLA, que avistara uma baleeira à deriva, e aparentemente sem sobreviventes, apressadamente dirigiu-se às coordenadas indicadas pelo RAPOLA, e encontrou a baleeira com o corpo do moço da fragata FIGUEIRA DA FOZ, que segundo parece havia sucumbido poucas horas antes, e que recolhido veio para o Douro, mal sabia o mestre Júlio Fernandes Parracho, que cerca de cinco anos depois, teria o mesmo infortúnio das tripulações do MARIALVA, CANTANHEDE e MICAELENSE.
As embarcações que ora se perderam pertenciam à empresa armadora Sofamar – Sociedade de Fainas de Mar e Rio, Sarl, de Lisboa, e vinham consignadas ao agente no Porto, Almeida & Santos, Lda. A carga de cimento transportada a bordo da CANTANHEDE no valor de 270 contos, destinava-se à firma Costa Lima, Lda, e a carga de sal, no valor de 150 contos da fragata MICAELENSE, pertencia á firma Maia & Ferreira Leite, ambas do Porto. Tanto as cargas como as embarcações encontravam-se a coberto das respectivas companhias seguradoras.
E Leixões encontrava-se à vista, relativamente a escassas milhas, a pouco mais de uma hora de viagem, com o farol da Boa Nova a indicar o norte, fazendo refulgir, no horizonte marítimo, os seus “relâmpagos” luminosos, naquela noite avassalante, em que perderam a vida dezassete homens de mar.
O comodoro Quintanilha de Mendonça Dias, titular da pasta da marinha, estabeleceu contacto com a capitania do porto do Douro, interessando-se vivamente pela trágica ocorrência, e nomeando o capitão do porto para o representar nos funerais das vítimas.
As autoridades marítimas também tomaram contacto com o sucedido às duas fragatas e ao rebocador e às suas tripulações.
Segundo relato de um amigo, já falecido, que foi amador do mergulho, e já esteve dentro da casa do leme da fragata CANTANHEDE, que à altura se encontrava já alquebrada e com fortes amolgadelas no costado avante e a bombordo, a cerca de três milhas náuticas para oeste do enfiamento da barra do Douro e à volta de 27 metros de profundidade.
Dada as ditas amolgadelas no costado, posssivelmente ter-se-ia rebentado as repectivas amarretas, leva-nos a pensar que o rebocador tentou, apesar da forte ondulação de mau tempo, acostar à CANTANHEDE para recolher a tripulação, e a mesma operação em relação à MICAELENSE, a fim de se libertar dos rebocados, porque o mestre do rebocador para se safar, jamais deve abandonar a tripulação do rebocado à sua sorte, porque ficam à deriva, a não ser que façam uso dos ferros, que em certas condiçoes de temporal nem sempre dão o resultado desejado, indo de garra. Também terá havido a possibilidade, uma vez que o MARIALVA estava a ser batido por vagas alterosas, ter sido apanhado por alguma volta de mar descomunal, que lhe tenha desfeito a casa do leme, ou inundado a casa da máquina e as caldeiras, apagando o fogo das respectivas fornalhas, ficando sem meios de comunicação e indo à deriva colidir com a fragata CANTANHEDE, cujo casco era de ferro.



O rebocador ANTÓNIO FERRO no dia do bota-abaixo no estaleiro H. Parry & Sons, Ginjal. Não faltavam operários, completamente diferente da actualidade, que há quem só queira despedir trabalhadores e acabar com a construção naval, e ainda há entidades responsáveis que afirmam que Portugal é um país virado para o mar. Já foi há muitos anos!
Imagem amavelmente enviada por Nuno Bartolomeu, Almada.

MARIALVA – 26,10m/ 110,99tb/ 9,5nós; 1937 construido por H. Parry & Sons, Lda, Ginjal,  como ANTONIO FERRO para ??; 06/02/1946 MARIALVA, Pascoais Unidos, Lda, Porto (sede social Matosinhos); 1959 MARIALVA, Sofamar – Sociedade de Fainas de Mar e Rio, Sarl., Lisboa.
CANTANHEDE – 40m/ 286,42tb; 1915 construído por Schiffswerft Oderwerk A/G, Stettin, Alemanha; 1946 CANTANHEDE, Pascoais Unidos, Lda., Porto (sede social Matosinhos); 1959 CANTANHEDE,  Sofamar – Sociedade de Fainas de Mar e Rio, Sarl., Lisboa; 4 tripulantes.
MICAELENSE – 31,15m/ 222,98tb; 19__ construída por ??; 19__ MICAELENSE, Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, Ponta Delgada, gestores David José de Pinho & Fos, Porto; 1943 MICAELENSE, reconstruída por José da Silva Lapa, V. N. de Gaia; 1959 CANTANHEDE, Sofamar – Sociedade de Fainas de Mar e Rio, Sarl., Lisboa; 4 tripulantes.
Fontes: Imprensa diária da cidade do Porto; Reinaldo Delgado.
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s) em NAVIOS Á VISTA, o que muito se agradece.

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terça-feira, 24 de setembro de 2013

O ENCALHE DO NAVIO-MOTOR CIPRIOTA “KAI” A NORTE DE SÃO JACINTO (AVEIRO)

O "KAI" encalhado na praia de São Jacinto /Jornal O Comércio do Porto /.


Salvadego "COMENDA" / imagem de autor desconhecido, gentilmente enviada por Nuno Bartolomeu, Almada /


09/02/1991 – Ao princípio da madrugada de anteontem, o navio-motor KAI, de bandeira conveniência Cipriota, deu à costa a norte de São Jacinto, Aveiro, com sete tripulantes a bordo (dois Alemães e cinco Polacos), que nada sofreram. O navio de um armador Alemão, procedente do porto Italiano de Livorno, encontrava-se fundeado ao largo da barra de Aveiro, a aguardar ordens do seu armador quanto ao seu destino. Em lastro, o navio, provavelmente devido a descuido da tripulação de quarto, acabou por ser arrastado pelas fortes correntes, dando à costa sem sofrer quaisquer avarias, ficando de proa virada a sul e totalmente em seco. A capitania, a Guarda-fiscal e a Policia Judiciária estiveram a bordo, não tendo verificado nada de anormal. Para tentar safar o navio, foi requisitado, o serviço do salvadego Português COMENDA, da Rebosado – Reboques do Sado, Lda, de Setúbal, que era esperado, ontem ao fim da tarde, em São Jacinto. Segundo revelou à comunicação social o comandante da Capitania de Aveiro, José Manuel Gouveia, técnicos Ingleses e um representante do armador Alemão irão esta manhã estudar no local as possibilidade de salvamento do navio. Apesar do mar estar com pouca ondulação, a altura das marés não garante o êxito das operações. Quanto à tripulação, encontra-se a bordo, aguardando instruções do armador.
O KAI continua varado na praia de S. Jacinto, e durante o dia e a noite de ontem, fizeram-se algumas diligências para safar aquela unidade capitaneada por um Alemão, tendo a bordo um outro seu compatriota e ainda mais cinco Polacos, que se encontram livres de perigo.
Segundo informações do capitão do porto de Aveiro, chegaram ao princípio da noite a Aveiro os armadores do KAI e, hoje, pelas 9 horas, haverá uma reunião entre a autoridade marítima, a seguradora e os armadores, a fim de se encontrar soluções para salvar o navio.
Possivelmente, e segundo o comandante Gouveia, a primeira tentativa terá lugar ainda hoje, às 11,48 horas, na altura da preia-mar. Uma operação que, em princípio, parecia fácil, mas que, ao que se apercebe, se está a tornar um pouco complexa.
As autoridades marítimas de Aveiro e os técnicos Ingleses, que se deslocaram ao local vão tentar, hoje ou amanhã, com auxílio de um rebocador, retirar o KAI. Para o efeito, segundo o responsável pela Capitania de Aveiro, será escavado um sulco em direcção ao mar. Uma outra medida entretanto tomada, o levantamento de uma barreira de areia entre o mar e a costa – para que o barco que está muito leve, não venha mais para cima do areal, provocou já uma reacção, como já é vulgaríssimo, mesquinhamente ocorrer nestas situações, da associação ecológica “Quercus”, que receia pelas dunas da reserva natural de São Jacinto. Segundo um dirigente da “Quercus”, o navio encalhou na chamada “reserva integral”, onde é proibida a circulação de pessoas e máquinas, estando-se a “desrespeitar a lei e os interesses ambientais”. Por outro lado, disse ainda, “os buldozers”, estão a retirar areia das dunas, que são protegidas, quando a menos de 500 metros existe uma unidade de extracção de areia. A versão do comandante Gouveia, da capitania de Aveiro, é diferente, já que, segundo diz, “estamos a retirar a areia junto à água do mar”. Isto, para além de estar a ser retirada “para sul da placa de reserva, com o conhecimento da directora do parque”. Ainda segundo o comandante, a “Quercus” está “a levar um bocado à letra as exigências da lei”, argumentando ainda que “mais perigosas serão as consequências ambientais se não se conseguir retirar o navio”.
O KAI que desde a madrugada de quinta-feira, estava encalhado no areal da praia de São Jacinto, foi ontem, 12 de Fevereiro, ao principio da tarde, posto novamente a flutuar, tendo rumado ao porto de Leixões, e os representantes da “Quercus”, todos felizes, deixaram de ter um enormíssimo “TITANIC” a criar problemas à “reserva Integral”, e parece não compreenderem que há uma autoridade marítima a controlar essas ocorrências indesejáveis para todos nós, mas que surgem por esse mundo fora, e infelizmente continuarão a surgir.
A operação de salvamento do KAI processou-se pouco depois das 13,30 horas, com condições de mar consideradas pelos peritos como excepcionais.
O KAI estava em seco no areal e o facto de se encontrar sem qualquer carga ajudou bastante a operação de ontem à tarde, desenvolvida pelo salvadego COMENDA, 42,1m/686tb/2xdiesel/13nós, do porto de Setúbal. O navio sinistrado entrou nas águas do mar de proa e a ondulação era a necessária suficiente para a operação de salvamento se desenrolar.
Por motivos que se desconhecem, mas que se presume tenham a ver com os descuidos da tripulação. O KAI encalhou na madrugada de quinta-feira no areal a norte da praia de São Jacinto, não tendo no entanto, sofrido quaisquer prejuízos nem a tripulação sido atingida. O navio encontrava-se ao largo, como acima foi dito, a aguardar instruções do seu armador qual o porto a rumar, situação normal, até poderia ser o porto de Aveiro.
Na operação de salvamento, concretizada pelo salvadego Português COMENDA. Houve necessidade de escavar areia no local onde o navio se encontrava e o recurso a duas embarcações de pesca para o estabelecimento do cabo do salvádego para o navio sinistrado.
As autoridades marítimas, como não poderia deixar de ser, presenciaram a operação de salvamento do KAI.
KAI – imo 6804305/ 73,4m/ 500tb/ 11,5nós; 03/1968 entregue por Bodewes Hoogezand Shipyard, Bergum, Holanda, como DORRIT LEA, Rederi I/S Lea l, Copenhagen; 1979 DORRIT LEA, Rederi I/S Sanved V, Copenhagen; 1979 LEONARDO, Co. Tra. Mar., Nápoles; 1983 GEORGE JUNIOR, G. Zervas Carriers Ltd, Limassol; 1990 KAI, Hydroserve Marine Co., Ltd, Limassol; 1996 KAI (1.152tb), Geest Shipping Co., Ltd, Limassol; 2000 SOPA, Med Express Inc, San Lorenzo, Honduras; 2003 SANDRI, Sokrat Sava, Durres, Albania; 2009 SCUTARI, Sokrat Sava, Durres, Albania; 23/06/2009 chegava a Aliaga para demolição.
Fontes: Jornal de Noticias; O Comércio do Porto; Miramar Ship Index.
Rui Amaro    

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domingo, 22 de setembro de 2013

RECORDANDO O VAPOR PANAMIANO “ALCANTARA” DE 1946/50

Vapor ALCÂNTARA

Vapor Panamiano (bandeira de conveniência) ALCÂNTARA  imo 5604797/ 130m/ 6.479tb/ 10,5nós; 20/12/1919 lançado à água por Furness Shipbuilding Co., Ltd, Haverton Hill como WAR RELIEF para o Shipping Controller, Londres; 04/1920 entregue pelo mesmo estaleiro, como POLLENZO a Lloyd Sabaudo SA SpAm Génova; 1927 POLLENZO, SA Parodi & Corrado, Génova; 1929 POLLENZO, Corrado SA di Navigazione, Génova; 1946 ALCÂNTARA  Sociedade de Navegação Oceânica, Lda, Lisboa, bandeira de conveniência Panamiana; 1950 ALCÂNTARA  F. H. de Oliveira &Cia, Lda, Lisboa, bandeira de conveniência Panamiana; 24/10/1950 encalhou em Keteflaat, rio Schelde, Bélgica, sofrendo avarias graves; 24/06/1951 chegava a Briton Ferry para demolição. O ALCÂNTARA estava empregue no “tramping” internacional.
A imagem do Jornal O Comércio do Porto mostra-o no Tejo em 1950.
Rui Amaro

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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

REBOCADORES “CATUMBELA” E “DANDE”

Oa rebocadores CATUMBELA e DANDE no porto de Lisboa durante a visita do Ministro das Colónias em 14/01/1950.

Rebocador Português CATUMBELA, imo 5066372/ 26m/ 137tb/ 10nós; 04/1944 entregue por JK Welding – Yorkus - Nova Iorque, como ST487 ao US Army (Exército dos E.U.A.); 1946 Governo de Portugal, que o adquiriu para servir os portos da Província Ultramarina de Angola, particularmente o porto de Luanda, juntamente com o gémeo DANDE; 1974 CATUMBELA, Governo da Republica Popular de Angola. Subsequente história não encontrada. Gémeos: DANDE (BENGO), VANDOMA, GUIA.
Rebocador Português DANDE, imo______/ 26m/ 137tb/ 10nós; 10/1944 entregue por Iron Works, Port Houston, Texas, como ST728 ao US Army (Exército dos E.U.A.); 1946 Governo de Portugal, que o adquiriu para servir os portos da Província Ultramarina de Angola, particularmente o porto de Luanda, juntamente com o gémeo CATUMBELA; 1959 BENGO, Governo-geral da Província Ultramarina de Angola. Subsequente história não encontrada. Gémeos: CATUMBELA, VANDOMA, GUIA.
Fontes: US Army – WW2 tugboats.
Imagem: O Comércio do Porto.
Rui Amaro
                                       
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