sábado, 7 de dezembro de 2013

SAUDAÇÕES FESTIVAS

(GREETINGS OF THE SEASON)

2013 / 2014

Paquete Português VERA CRUZ / postal oficial editado pela CCN – autor Gordon Ellis /.

BOAS FESTAS E FELIZ ANO NOVO

AUGURI DI BUON NATALE E FELICE ANNO NUOVO

MERRY CHRISTMAS AND HAPPY NEW YEAR

FELICES PASCUAS Y PROSPERO ANO NUEVO

JOYEUX NOEL ET MEILLEURS VOEUX DE NOUVEL ANNÉE

EIN PROHES WEINACHTSFEST UND EIN GUTS NEUES JAHR


RUI AMARO – PORTO – PORTUGAL

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

ARRASTÕES BACALHOEIROS PELA POPA “LUIS FERRREIRA DE CARVALHO” E O “JOÃO ÁLVARES FAGUNDES” (2)

O LUIS FERREIRA DE CARVALHO no porto de St. John's, NF, 1986 / autor Tom Hardy - Facebook BACALHOEIROS DE PORTUGAL /.

O LUIS FERREIRA DE CARVALHO largando do porto de Lisboa, para a sua primeira campanha aos Grandes Bancos da Terra Nova e Gonelândia em finais de 1969 / autor desconhecido - passada gentilmente por Nuno Bartolomeu, Almada /. 

O LUIS FERREIRA DE CARVALHO â chegada ao porto de Leixões em1981 / autor desconhecido - passada gentilmente por Nuno Bartolomeu, Almada /. 

O LUIS FERREIRA DE CARVALHO fundeado frente ao cais da SNAB, Giinjal, Cacilhas, em 1986 / autor desconhecido - passada gentilmente por Nuno Bartolomeu, Almada /. 

Os gémeos ELISABETH e LUIS FERREIRA DE CARVALHO no "laid up" na Gafanha da Nazaré. aguardando comprador em 1985 / autor desconhecido - passada gentilmente por Nuno Bartolomeu, Almada /. 

LUIS FERREIRA DE CARVALHO
Arrastão de popa Português LUIS FERREIRA DE CARVALHO, imo 7000732/ LX-62-N/ 84,8m cff/ 75,9 lpp/ 2.390tab/ 2.174dwt/ 05,16m calado/ 1xdiesel Cooper Besssemer 1945 ??. 8 cil./ 300rpm/ 1 hélice/ 15,5nós/ ____quintais; 08/09/1969 entregue pelos ENVC - Estaleiros Navais de Viana do Castelo, Viana do Castelo, à SNAB – Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau, Lisboa; 1985 transferido para Aveiro em situação de “laid up”; para desmantelamento pelo estaleiro de sucatas Antonio Coldas. Navios gémeos: Elisabeth (2), João Alvares Fagundes (2), Praia de Santa Cruz, Praia da Comenda.

O JOÃO ALVARES FAGUNDES no porto de Aveiro / autor desconhecido - Bacalhoeiros de Portugal /.

O JOÃO ÁLVARES FAGUNDES (2) manobrando na doca sêca Eng, Duarte Pacheco, Viana do Castelo, 1973 / Autor desconhecido - Lugar de Real /.

O JOÃO ÁLVARES FAGUNDES no "laid up" na Gafanha da Nazaré em 1994, aguardando comprador /  autor desconhecido - passada gentilmente por Nuno Bartolomeu, Almada /.   

JOÃO ÁLVARES FAGUNDES (2)
Arrastão de popa Português JOÃO ÁLVARES FAGUNDES (2), imo7311862/ LX-70-N/ 84,8m cff/ 75,9 lpp/ 2.415tab/ 1.980dwt/ 05,81 calado/ 2xdiesel Atlas Mak tipo 8M452AX 1972 8 cil./425tpm/ 1 hélice/ 15,5 nós____quintais; 10/12/1973 entregue pelos ENVC - Estaleiros Navais de Viana do Castelo, Viana do Castelo, à SNAB – Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau, Lisboa; 1995 desmantelado em qualquer estaleiro de sucatas desconhecido em algures em qualquer porto de Portugal. Navios gémeos: Elisabeth (2), Luis Ferreira de Carvalho, Praia de Santa Cruz, Praia da Comenda.

O JOÃO ÀLVARES FAGUNDES (1) demandando o porto de Leixões, década de 50. Por fora dos farol do Esporão distingue-se a famosa draga PORTO, que foi adquirida com dádivas da população da cidade Invicta, com o fim de realizar dragagens sucecivas da barra do Douro e porto de Leixões. / (c) Foto Mar. Leixões /.

Existiu um outro arrastão bacalhoeiro ostentando o mesmo nome, cujos detalhes se seguem: Arrastão clássico lateral JOÃO ÁLVARES FAGUNDES (1), imo 5527231/ 71,45m/ 1.270tab/ 08nós/ 18.208 quintais; 07/1945 entregue pelos estaleiros da CUF (Rocha), Lisboa, à SNAB - Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau, Lisboa; 18/03/1965 naufragou ao largo da costa do Labrador por colisão do arrastão Islandês NARFI, perecendo um pescador Português.
Fontes: Ricardo Matias, Nuno Bartolomeu, Miramar Ship Index.
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas
neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s) em NAVIOS Á VISTA, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on NAVIOS Á VISTA, which will be very much appreciated.

sábado, 30 de novembro de 2013

PAQUETE PORTUGUES “GUINÉ” (2) EX "SAN MIGUEL"

 Paquete GUINÉ (1) da CCN, ex LA PLATA, ex PELOTAS / autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto /.legenda alterada de acordo com as duas últimas mensagens. 

Paquete GUINÉ (2) durante a 2ª guerra mundial ostentando os sinais de navio neutro Português / autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto /.

Paquete GUINÉ (2)  pintado com as novas cores da CCN / autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto /.

Paquete SAN MIGUEL durante a 1ª guerra mundial, mostrando-se com pintura de camuflagem / autor desconhecido - Página Açores 1914/18 - Memórias da História 

Patrulha NRP AUGUSTO DE CASTILHO / autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto /

Submarino Alemão U-139 / U-Boat Net /.

Paquete Português GUINÉ (2), imo 5602521/ 96m/ 2.557gt/ dois hélices/ 12nós/ 135 passageiros; 04/ 1905 entregue por Sir Raylton, Dixon & Co., Ltd., Middleborough, como SAN MIGUEL à Empresa Insulana de Navegação, Lisboa; 23/03/1918, enquanto em trânsito Funchal/Ponta Delgada, transportando 206 passageiros, escoltado pelo patrulha NRP AUGUSTO DE CASTILHO, que foi originalmente o arrastão bacalhoeiro ELITE, construído em 1909/ 48,76m/ 801tb/ 09nós/ propulsionado por uma máquina alternativa de vapor com a potência de 704 HP, que havia sido mais antigo arrastão bacalhoeiro Português e mais tarde passou para a pesca do Cabo Branco; 13/06/1916 foi requisitado pela Marinha de Guerra Portuguesa, e inicialmente foi equipado com uma peça de artilharia de 47 milímetros Hotchkiss. Mais tarde, também foi montada uma segunda peça, um retiro e mais tarde o jogo de frente foi substituído por um Hotchkiss de 65 milímetros. Na patrulha marítima, o NRP AUGUSTO DE CASTILHO teve uma série de encontros com submarinos Alemães. A 23/03/1918, durante a saída do porto de Lisboa para o Funchal, comandado pelo primeiro-tenente Augusto Teixeira de Almeida, escoltando o paquete LOANDA, abriu fogo a cerca de 500m contra um submarino inimigo que de imediato escapou-se submergindo. A 21/08/1918, navegava ao largo da costa de Cabo Raso, comandado pelo primeiro-tenente Fernando de Oliveira Pinto, atacou com artilharia, disparando contra um grande submarino Alemão que desapareceu rapidamente. A 14/10/1918, enquanto navegava do porto do Funchal para  Ponta Delgada, comandado pelo primeiro-tenente José Botelho de Carvalho Araújo, o NRP AUGUSTO DE CASTILHO escoltava o paquete SAN MIGUEL, propriedade da Empresa Insulana de Navegação, que por sua vez era comandado pelo capitão Moniz Caetano de Vasconcelos e transportava 206 passageiros e muitas toneladas de carga diversa. Ao início da manhã, os dois navios Portugueses, foram avistados pelo submarino Alemão U-139, que tentou alcançar o paquete, o submarino não conseguiu porque o destemido NRP AUGUSTO DE CASTILHO se interpôs entre o U-139 e o seu protegido SAN MIGUEL.
Na batalha desigual que se seguiu, e que incrivelmente durou mais de duas horas, perdeu a vida o heroico comandante Carvalho Araújo, que fora atingido pelo último disparo Alemão, e outros seis elementos da sua guarnição de 42 homens.
A desproporção de poder era tão grande que o resultado da luta foi traçada apenas desde o início, a olhar para o potencial ofensivo de cada um dos adversários.
O navio patrulha Português, com duas peças de artilharia Hotchkiss, com um calibre de 65 milímetros. e outra de 47 milímetros, enquanto o submarino U- 139, era um dos maiores e mais modernos da Marinha Imperial Alemã, e estava equipado com duas peças de artilharia de 150 milímetros e seis tubos lança torpedos.
O paquete SAN MIGUEL tinha aumentado a sua velocidade ao máximo e por outro lado a coragem e tenacidade do comandante Carvalho Araújo, de colocar o seu navio entre o submarino e o paquete, este chegou a Ponta Delgada com seus 206 passageiros e os seus 54 tripulantes ilesos e suas muitas toneladas de carga intacta.
No NRP AUGUSTO DE CASTILHO as munições esgotaram-se e como tal foi forçado a render-se, sem que no combate seus artilheiros também atingissem o submarino, que sofreu avarias graves. Os Alemães após a rendição conseguiram saquear tudo que puderam do NRP AGUSTO DE CASTILHO, e foi afundado com cargas de demolição colocadas a bordo pelos Alemães. Talvez o seu destino tivesse sido outro, se os navios Portugueses, durante a guerra, tivessem sido equipados com peças de artilharia de maior calibre, como em várias ocasiões, afirmaram vários comandantes.
O comandante do submarino era Lothar von Arnauld de la Perière, com 194 navios e 453.716 toneladas de arqueação brutas afundadas. Ele foi o ás de submarinos de maior sucesso de sempre.
36 sobreviventes alojados num barco salva-vidas danificado e numa jangada improvisada, comandados pelo guarda-marinha Armando Ferraz, imediato do patrulha, chegaram à Ponta do Arnel, Ilha de São Miguel, a 20/10/1918, após 48 horas do desfecho do combate.
Em 1920, o relatório do comandante do U-139, onde teceu grande elogio à coragem do comandante Carvalho Araújo, um facto, que aparentemente permitiu que o Parlamento Português concedesse uma pensão à sua viúva de valor significativo.
1930 GUINÉ, Companhia Colonial de Navegação, Lisboa, que a empregou na carreira Lisboa/Las Palmas/ Ilhas de Cabo Verde/Guiné Portuguesa; durante a 2ª guerra mundial fez algumas viagens aos portos da costa leste dos EUA; 07/03/1950 chegava a Barrow para desmantelamento.
Fontes: Miramar Ship Index, U boat Net, Militaryphotos Net.
Rui Amaro

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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

VAPOR PORTUGUÊS “LUANGO”

Três imagens do vapor Português LUANGO no porto de Lisboa, no pós-guerra 1939/45 

Vapor Português LUANGO, imo 1121056 / 107m/ 3.252tb/ 10 nós; 08/1905 concluído por Earle’s Shipbuilding & Co., Ltd., Hull, como VIGO para T. Wilson, Sons & Co., Ltd., Hull, 1917 VIGO, Ellerman’s Wilson Line, Ltd., Hull; 1927 ARCANGELO, A. Giuffrida A. Carmelo, Catania; 03/1929, enquanto em trânsito Antwerp / Puerto Nuevo, Argentina, sofreu naquele último porto uma explosão e ficou meio submerso, bloqueando o tráfego portuário. Em quatro semanas, foi posto a flutuar pela Cia, Anonima de Navigación Miahnovich Lda, Buenos Aires, que acabou por adquirir o navio num leilão, tendo-o reparado; 1930 ARCANGELO, Cia. Anonima de Navegación Miahnovich Lda, Buenos Aires; 1933 INSPECTOR BENEDDETI, Cia. Anonima de Navegacón Miahnovich Lda, Buenos Aires; 1941 numa das suas viagens de Buenos Aires para Baltimore foi surpreendido por uma violenta tempestade ao largo do Rio Grande do Sul, costa Brasileira. O INSPECTOR BENEDDETI rolava descontroladamente, as ondas arrancavam pedaços da superestrutura, incluindo antenas da radiotelegrafia. O navio evolucionava perigosamente, estava a sofrer os estragos do mar e o leme estava avariado. O capitão Luis A. Brau deu ordens para a tripulação ir para as baleeiras salva-vidas, mas uma com nove homens a bordo recebeu um impacto tão grande de ondas, que se afundou imediatamente com todos os seus ocupantes. O resto da tripulação foi capaz de lançar uma jangada ao mar e salvou-se.
 A tripulação foi resgatada pelos seguintes navios: paquete Espanhol CABO DE HORNOS, cruzador auxiliar Britânico HMS ASTURIAS e pelo vapor Britânico LYNTON GRANGE. O INSPECTOR BENEDDETI suportou. à deriva, durante quatro dias enormes ondas, conquanto tivesse a infelicidade de bater na penedia, mas sem problemas de maior e contudo pode ser, entretanto resgatado e levado para um porto. Com a intervenção dos rebocadores foi possível rebocá-lo para Buenos Aires; 1942 LUANGO, Companhia Colonial de Navegação, de Lisboa, que o comprou, embora já bastante antigo, para fazer face à falta de transportes marítimos devido à 2ª guerra mundial; 1949 LUANGO, Júlio Custódio, Lisboa, que o adquiriu com a intenção de vender para sucata; 1949 CAPETAN LEFTERIS, Cia. Naviera Elgeval SA, Panamá; 11/02/1959 chegou a Sakai, no Japão, para desmantelamento.
Fontes: Miramar Ship Index, Histamar.
Fotos: Autor desconhecido - coleção F. Cabral, Porto.
Rui Amaro

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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A PERDA DO NAVIO-MOTOR ESPANHOL “JUANITA DE CHACARTEGUI”, QUE ENCALHARA NO CABO RASO

Imagens do encalhe do JUANITA DE CHACARTEGUI, distinguindo-se por perto o COMANDANTE PEDRO RODRIGUES /imagens do Jornal de Noticias /.

24/06/1961 – Segundo tudo indica, o cabo Raso acaba de fazer uma nova vítima, o navio-motor Espanhol JUANITA DE CHACARTEGUI, de 396 toneladas brutas, anteontem encalhado naquela zona onde, há anos o paquete Inglês HILDEBRAND encontrou, também o seu fim.
Nas primeiras horas que se seguiram ao encalhe, ainda houve esperanças de salvar o navio, mas depois verificou-se que ficara profundamente encravado, de proa, entre duas rochas, ainda em mais outros dois recifes, aguçados como os primeiros, que furaram o navio.
Primeiramente o JUANITA DE CHACARTEGUI ficou de proa à terra, mas durante a noite de anteontem para ontem, o mar, que esteve, no entanto, calmo, fez rodar a popa em direcção a terra, até ficar a poucos metros da costa. Esta rotação deve ter tido péssimas consequências para os rombos da proa do navio, que fez, deste modo, uma rotação de quase cento e oitenta graus com os bicos das rochas metidos no casco. Aliás, depois desta mudança, o navio ficou adornado, o que até aí não se verificara.
Quando o rebocador da AGPL, SERRA DE PORTALEGRE chegou ao local, pelas 23h30, o navio Espanhol estava já inundado e de tal modo que de nada serviria tentar pô-lo a navegar novamente. O rebocador só ali chegou aquela hora pelas simples razão de que o pedido formal de socorro só foi apresentado na secção adequada da AGPL, pelas 20h30, ou seja cerca de quatro horas depois do encalhe, e como havia serviço no porto a atender, teve de se esperar pela vinda do SERRA DE PORTALEGRE que esteve a trabalhar na recolha dos destroços do quadrimotor a jacto que caiu ao largo da Fonte da Telha, para poder mandá-lo, depois, dar assistência ao navio sinistrado.
Parte da carga do navio – 3.000 contos de bacalhau comprado pelo Grémio dos Armazenistas de Mercearia – já está inundada, e os tanques de combustível, ficaram também arrombados.
Os representantes em Lisboa dos armadores do navio tentarão, agora, recuperar ainda alguma carga e o que puderem do equipamento do JUANITA DE CHACARTEGUI, enquanto os catorze homens da tripulação foram já desembarcados, juntamente com os seus haveres.


O  RMS HILDEBRAND encalhado no lugar dos Oitavos, perto do cabo Raso, a 25/09/1957 / imagem do Século Ilutrado /.

COMENTÁRIOS DO ENCALHE
A zona do cabo Raso com as suas rochas que se estendem pelo mar dentro, à flor da água ou a pequena profundidade e por largos metros, é, de facto, perigosa: e mais ainda quando cai o nevoeiro, como sucedia no momento do encalhe do JUANITA DE CHACARTEGUI e do HILDEBRAND.
No entanto, toda a gente sabe, perfeitamente, pelo menos os que estão ligados à navegação, que assim é, e trona-se difícil de compreender que uma zona reconhecidamente perigosa e, aliás, dotada de um farol com sinais de nevoeiro, continua a causar vitimas.
Quando se deu o encalhe do paquete HILDEBRAND, da Booth Line, de Liverpool, falou-se de possíveis e estranhos desvios que as agulhas magnéticas poderiam sofrer naquela zona, mas a verdade é que os navios modernos dispõem de agulhas giroscópicas que não são sensíveis a influências.
Agora, com o JUANITA DE CHACARTEGUI, foi afirmado pelo seu capitão, sr. Fernando Bilbau, que segundos antes do encalhe observou a sonda eléctrica e esta acusava algumas dezenas de metros de profundidade; e o capitão só soube onde se encontrava quando a proa enfiou pelas pedras. Isto sugere que, a bordo do JUANITA DE CHACARTEGUI, no momento do acidente, não se fazia grande ideia da posição do navio, doutro modo, não teria ele vindo tão direito ao perigo.
O capitão Fernando Bilbau, em declarações aos jornalistas, lançou a responsabilidade do facto de o navio não ter sido salvo por causa do atraso com que chegou ao local o rebocador SERRA DE PORTALEGRE.
Este atraso teria resultado da circunstância de não haver sido compreendido o primeiro pedido de socorro que capitão Espanhol enviou, pela rádio, para a Rádio Naval de Cascais. No entender do capitão Fernando Bilbau, quando o SERRA DE PORTALEGRE chegou ao local do encalhe, já nada podia ser feito de bom, para salvar o JUANITA DE CHACARTEGUI.

NOTA DO AUTOR DO BLOGUE
Numa das imagens distingue-se por perto o vapor/rebocador dos pilotos da barra do Tejo, o COMANDANTE PEDRO RODRIGUES, que fazia estação na baía de Cascais, e normalmente um dos dois vapores dos pilotos eram os que chegavam em primeiro lugar ao local de sinistros na área limítrofe daquela baía, até pela sua localização, e sempre atentos a qualquer emergência, por conseguinte deve ter sido o primeiro a chegar junto do encalhe, mas pelos vistos não pegou no JUANITA DE CHACARTEGUI, e será que não havia mais rebocadores da AGPL, ou mesmo de empresas privadas no porto de Lisboa?!

JUANITA DE CHACARTEGUI (1) – imo 5619486/ 50,5m/ 396tb/ 12 nós; 10/1960 entregue por Astilleros del Abra SA., Bilbau, à Naviera Francisco Chacartegui SA, Bilbau; 23/06/1961 em rota de Pasajes para Lisboa com um carregamento de bacalhau perdeu-se junto so cabo Raso por encalhe devido a nevoeiro, que então se fazia sentir.

Fontes; Jornal de Noticias, Miramar Ship Index.
Rui Amaro              

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terça-feira, 26 de novembro de 2013

O VAPOR NORUEGUÊS “BRO” MUDOU DUAS VEZES DE NACIONALIDADE EM POUCO MAIS DE MEIO DIA E ENTROU NO TEJO COM A BANDEIRA PORTUGUESA IÇADA

O BRO deamandando o porto de Leixões em 1952 / (c) Foto Mar, Leixões /.

O BRO jà a salvo no estuário do Tejo, acompanhado pelo PRAIA DA ADRAGA /Jornal de Noticias /.

O BRO em manobras de acostagem ao cais da Rocha do Conce de Òbidos /Jornal de Noticias/.

O INGER LISE em navegação durante a 2º guerra mundial /autor desconhecido-Lillesand Sjomannsforening/.


O Salvadego PRAIA DA ADRAGA no Tejo em 1964 / autor desconhecido - foto passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.

22/11/1962, como ontem noticiamos em primeira mão, a despeito de termos recebido as informações mais contraditórias, o vapor Norueguês BRO, em rota de Sevilha para Roterdão, depois de ter estado em grande perigo a umas três milhas a oeste das Berlengas sendo então abandonado pelos seus tripulantes cujas vidas correram sério perigo (um deles foi tragado pelas águas) conseguiu salvar-se em virtude das ondulação deixar de se fazer sentir.
O vento rondou do quadrante sul para o de norte, passou a borrasca que açoitara aquela zona, de madrugada e o mar acalmou-se.
Não fora esta circunstancia, aliás impressível às primeiras horas da manhã de anteontem, o BRO nessa altura jazeria no fundo rochoso das águas, nas proximidades dos ilhéus das Estelas.
Por isso, o comandante tomou a decisão lógica ante as duras más condições em que o navio estava, o abandono do navio. Uma só das centenas das voltas de mar que, durante mais de três horas açoitavam o seu navio, poderia ter acabado com ele, levando no vértice do afundamento todos os seus vinte tripulantes. Com uma inclinação de 23 graus (primeiro) e de cerca de 30 (depois) a cada onda, o BRO adornado sobre bombordo, em consequência da carga de mais de 2.000 toneladas de pirites se ter deslocado para esse bordo, atingia inclinações maiores e poderia voltar-se, o que significaria o naufrágio imediato.
Estas, as condições em que foi decidido o abandono do navio. Não havia outra coisa a fazer, nem estes casos se compadecem com valentias fáceis de quem está comodamente em casa a ouvir telefonia de pantufas calçadas.
O que se passou posteriormente confirma o panorama esboçado.

Os tripulantes Gregos do navio-tanque CALTEX DURBAN, que subiram a bordo do BRO, acabaram por abandonar o navio com receio do seu afundamento.
A reportagem do Jornal de Noticias deixou de ter informações sobre o BRO ontem à noite, quando o vapor Norueguês já havia sido abordado por quatro membros da tripulação Grega do navio-tanque Panamiano CALTEX DURBAN, que desfraldaram a bandeira do Panamá, para garantirem, segundo as leis marítimas internacionais, a posse do salvado. Estabeleceram um cabo para bordo do petroleiro, e procuravam rebocar o BRO para o porto de Lisboa.
Perto, navegava o salvadego Português PRAIA DA ADRAGA, da Sociedade Geral de Comércio, Industria e Transportes, de Lisboa, que largara para ali de manhã e acompanhava os outros dois navios desde as 14 horas.
Já na madrugada de ontem, a oeste da Ponta da Lamparoeira, o mar piorou muito, A carga, que as anteriores condições favoráveis tinham permitido arrumar melhor, voltou s deslocar-se toda para bombordo. Açoitado de todos os lados, o BRO esteve de novo prestes a afundar-se, à medida que a crista de cada vaga rebentava nas suas amuras. Rebentou o cabo que o ligava ao CALTEX DURBAN e o comandante deste começou a recear pela sorte dos seus homens, que ainda permaneciam a bordo do navio em dificuldades.
Pouco depois de uma hora, o navio-tanque Panamiano solicitava do capitão do PRAIA DA ADRAGA, comandante Joaquim da Silva Oliveira, a recolha dos quatro marinheiros Gregos. O receio pelos perigos que as suas vidas corriam, venceu a ânsia do lucro, e os marítimos do navio-tanque retiraram-se, arriando a sua bandeira. O BRO era de novo um salvado sem nacionalidade.
Do PRAIA DA ADRAGA os marinheiros Gregos recolheram ao CALTEX DURBAN, que pouco depois seguia o seu rumo, abandonando aquelas águas.

O PRAIA DA ADRAGA salvou o vapor BRO.
Foi então a vez do comandante Joaquim da Silva Oliveira examinar a situação, o BRO mantinha-se com dificuldade ao de cima de água. Andava sinistramente, mas resistia. Perfeitamente conhecedor daquelas águas e dispondo de uma embarcação mais habilitada para reboques e salvamentos, o capitão do PRAIA DA ADRAGA, resolveu tentar a sua sorte.
Passou tripulantes para bordo e estabeleceu quatro cabos de reboque ao BRO. Começou então o reboque para o porto de Lisboa. Com mil cautelas os Portugueses que ficaram no BRO, depois de içarem a bandeira Portuguesa (era a segunda vez que o BRO mudava de pavilhão, em pouco mais de meio dia) procuraram escorar a carga o, tanto quanto possível estivá-la melhor.
Embora voltasse a passar por momentos muito difíceis, especialmente nas zonas dos cabos da Roca e Raso, o BRO aguentou-se e entrou na barra do Tejo cerca das 13 horas de ontem.
Cerca das 15 horas, o BRO surgiu ante o cais de Alcântara e atracava ao cais da Rocha do Conde de Óbidos, meia hora mais tarde. Foi ali visitado, pouco depois da atracação, pelos representantes dos armadores e começou logo a ser aliviado da carga. Mais tarde foi visitado pelas autoridades marítimas.
De acordo com as leis marítimas internacionais, o navio e a carga pertencem agora à empresa do navio salvador, neste caso a Sociedade Geral de Comércio, Industria e Transportes, de Lisboa.
E assim terminou a odisseia do vapor BRO que custou a vida ao seu imediato e que esteve prestes a afundar-se por duas vezes, e também por duas vezes mudou de nacionalidade.

BRO – imo 6505356/ 77,6m/ 1.582tb/ 9,5nós; 11/1939 entregue pelo estaleiro Porsgrunds Mekaniska Verksted, Porsgrunn, como INGER LISE a Alf Mortensen, Oslo; 1939/45 tomou parte em vários comboios marítimos e em navehação isolada ao lado das forças navais Aliadas; 1947 BLINK, Skibs A/S Monitowoc, Oslo; 1951 BRO, Berger Pedersen & Sons Rederi A/S, Haugesund; 04/1967 BRO, enquanto em operações de descarga em Sturesund, sofreu  um forte incêndio na sala das caldeiras, pelo que retirado de serviço, entranso em “laid up” em Haugesund; 06/06/1967 BROR, Torsten Johannisson, Gotemburgo, que o empregou como um  “store ship”; 06/1968 chegava a Santander para desmantelamento em sucata.  
Fontes; Jornal de Noticias, Norwegian Merchant Fleet, Miramar Ship Index, Lillesand Sjomannsforening.
Rui Amaro

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domingo, 24 de novembro de 2013

NAVIOS GÉMEOS “SERPA PINTO” (2) e “ROÇADAS” CONTRUIDOS NA URSS

 O SERPA PINTO em manobras na doca nº 1 do porto de Leixões em 1972 / Rui Amaro /.

 O SERPA PINTO no Tejo em 1972 / autor desconhecido - passada por Nuno Bartolomeu, Almada /-

O SERPA PINTO navegando de rumo a  Leixões em 1971 /autor desconhecido - passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.

O IRENE P atracado ao cais do Jardim do Tabaco, Lisboa, em 1986 /autor desconhecido - passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.

O IRENE P atracado ao cais do Beato, Lisboa, em 1997 autor desconhecido - passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.



O IRENE P cruzando o estreito de Gibraltar em 1997 autor desconhecido - passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.

SERPA PINTO (2) – navio-motor de carga de linha regular/ imo 7044110/ 170,42m/ 12.112tb/ 14 nós/ 8 passageiros; tipo KAPTAIN encomendados por interesses Suíços para venda; 12/1970 entregue pelo estaleiro Chernomorsky Nosenko South, Nikolaiev, Odessa, USSR, como TROPICALIA  à Yellow Globe Shipping Co., Panamá. Uma subsidiária da Empresa Insulana de Navegação, Lisboa, que o empregou no “tramping” internacional, enquanto não era embandeirado sob pavilhão Português com tripulação Portuguesa; 1971 SERPA PINTO, Empresa Insulana de Navegação, Lisboa, que o colocou no tráfego regular Europa, Matadi, Angola; 1974 SERPA PINTO, CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, Sarl., Lisboa, companhia formada pela fusão da Empresa Insulana de Navegação e a Companhia Colonial de Navegação; 07/12/1972 SERPA PINTO, entrou em “laid up” em Lisboa; 19/09/1986 IRENE P, Petrogel Shipping Co., Ltd., Limassol; 30/11/1998 chegava a Alang para desmantelamento.


O ROÇADAS a navegar em pleno Atlântico / autor desconhecido - passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.

O ROÇADAS fundeado na bacia do porto de Leixões em 1971 / / autor desconhecido - passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.

O ROÇADAS no Mar da Palha, Lisboa, em operações de descarga para fragatas em 1972  / autor desconhecido - passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.

O ROÇADAS na doca nº 1 do porto de Leixões em 1983 / autor desconhecido - passada por Nuno Bartolomeu, Almada /. 

O GASPAR VAZ saindo a doca da Rocha, Lisboa,1985 /autor desconhecido - passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.


O GASPAR VAZ largando do Tejo já com as cores da Portline, 1985 / autor desconhecido -passada por Nuno Bartolomeu. Almada /.

ROÇADAS - navio-motor de carga de linha regular/ imo 7110048/ 160,9m/ 12.112tb/ 18 nós/ 8 passageiros; tipo KAPTAIN encomendados por interesses Suíços para venda;  01/1971 entregue pelo estaleiro Chernomorsky Nosenko South, Nikolaiev, Odessa, USSR, como TROPICO à Empresa Insulana de Navegação, Lisboa; 1971 ROÇADAS, Empresa Insulana de Navegação, Lisboa, que o colocou no trafego regular Europa, Matadi, Angola; 1974 ROÇADAS, Lisboa, formada pela fusão da Empresa Insulana de Navegação e Companhia Colonial de Navegação, Lisboa; Angola; 1974 ROÇADAS, CTM – Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, Sarl., Lisboa, companhia formada pela fusão da Companhia Colonial de Navegação e Empresa Insulana de Navegação; 1985 GASPAR VAZ, Portline – Transportes Marítimos Internacionais SA., Lisboa: 1986 ALPHA NOVA, Fremo Maritime, Ltd., Gibraltar; 1989 ALPHA NOVA, Dominion Transportes SA, Nassau; 1993 WON SAN, Daedonggang Shipping Co., Ltd, Nampo, Coreia do Norte; 1993 WON SAN, Korea Tonghae Shipping Co, Ltd., Nampo, Coreia do Norte; 1999 WON SAN, Korea Samilpo Shipping Co, Ltd., Nampo, Coreia do Norte; 18/07/2001 vendido para sucata.
Fontes: Miramar Ship Index, Nuno Bartolomeu, Almada.
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas
neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s) em NAVIOS Á VISTA, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on NAVIOS Á VISTA, which will be very much appreciated.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

RECORDANDO O ARRASTÃO CLÁSSICO “INVICTA”, O ÚNICO DA PRAÇA DO PORTO


O INVICTA demanda o porto de Leixões, afim de ratificar o calado para depois rumar a barra do Douro, 1955 / (c) Foto mar, Leixões /.

O INVICTA fundeado algures nos pesqueiros da Terra Nova ou Gronelândia /A foto é de autoria de Alfredo Augusto Vieira, a quem solicito autorização de a mesma continuar postada no blogue, o que desde já agradeço /-

O INVICTA com as cores da SNAB a largar do Tejo para os pesqueiro da Terra Nova e Gronelândia em 1974 / autor desconhecidos - passada por Nuno Bartolomeu, Almada /. 

O INVICTA fundeado no Tejo, diante de Cacilhas, no "laid up" em 1985 / autor desconhecidos - passada por Nuno Bartolomeu, Almada /. 

O INVICTA no "laid up" acostado ap cais da CPP - Olho de Boi - Almada em 1985 / autor desconhecidos - passada por Nuno Bartolomeu, Almada /. 

O INVICTA em pleno desmantelamento junto do estaleiro de sucatas de Alhos Vedros em 1987/ autor desconhecidos - passada por Nuno Bartolomeu, Almada /. 

O TIFÓN ao afundar-se a 26/05/1955 depois de ter sido abalroado pelo INVICTA, vendo por perto o ÁLVARO MARTINS HOMEM / Foto de autor desconhecido - Arquivo Urzi Museoa, País Basco /.

Arrastão clássico lateral INVICTA, imo 5162229/ 71,3m/ 1.298tb/__nós/ 18.105 quintais/ companha: 15 tripulantes e 57 pescadores; 12/1948 entregue por T. van Duijvendijk’s Scheepswerf, Lekkerkerk, à Companhia de Pesca Transatlântica, Porto; A 07/10/1952 o INVICTA chegava a Leixões, trazendo desde Ponta Delgada 31 náufragos do n/m bacalhoeiro JOÃO COSTA, que se afundara perto dos Açores em 23/09/1952; 26/05/1955 colidiu fortemente com o arrastão Espanhol TIFÓN, 1945/71,1m/1.359tb, do armador Pesquerias Y Secadores de Bacalao de España SA, San Sebastian, no Davis, Gronelândia, afundando-se aquele. O INVICTA navegava a toda a máquina e o TIFÓN encontrava-se parado para virar. O capitão Português entrou-lhe no quarto de rota e quando se deu conta meteu-lhe a proa por todo o lado de bombordo, à altura da casa das máquinas. O TIFÓN, que ia bem carregado, afundou-se em 11 minutos. Os sobreviventes foram socorridos por arrastões Portugueses, principalmente pelo ALVARO MARTINS HOMEM. Uma hora depois de resgatada a tripulação, levantou-se mar de temporal e se o acidente se tivesse dado naquela altura, ninguém se salvava; 30/12/1961, o INVICTA foi uma das vitimas da grande cheia do rio Douro de 1961/62, o qual fortemente amarrado à margem do lugar do cais da Pedras, margem direita, não conseguiu suportar a força arrasadora da corrente, que lhe provocou o rebentamento das amarrações que o ligavam aquele cais, garrando ao sabor das águas, com os motores a trabalhar, de madrugada, todo iluminado mas sem tripulação, e saindo a barra de popa arrastando pelo fundo os ferros largados ao lançante, juntamente com outros navios, até ter sido resgatado pela sua tripulação, que seguira a bordo do arrastão costeiro MIRAGAIA, do mesmo armador, ao largo da barra, entrando de seguida em Leixões, aparentemente sem qualquer dano; 1965 INVICTA, SNAB – Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau, Lisboa, contudo continuou registada na capitania do Douro; 1985 entrava em “Laid up”; 10/10/1990 fundeava junto dos estaleiros de sucata, de Baptista & Irmão SA, Alhos Vedros, Moita do Ribatejo, para desmantelamento.
Fonte: Miramar Ship Index; Nuno Bartolomeu, Almada; Imprensa diária; Blogue Caxinas… de Lugar a Freguesia.
Rui Amaro

OBS: Em tempos ao pesquisar na Internet acerca de um assunto, deparei num blogue, que já não me recordo da sua designação, que os arrastões MARIA DE RAMOS PASCOAL e INVICTA, depois da falência da SNAB estiveram sobre armamento ou gestão da firma Pascoal & Filhos, de Aveiro. Quanto ao primeiro ficou a pertencer à frota da Pascoal, pois existem fotos com o navio com as cores da empresa de Ílhavo, já no que diz respeito ao INVICTA não tenho encontrado nada que diga que o navio pertenceu ou esteve sob gestão daquela empresa. Será que alguém possa comentar!?

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terça-feira, 19 de novembro de 2013

RECORDANDO O NAUFRAGIO DO NAVIO-MOTOR PORTUGUÊS “VILA DO PORTO” POR FORA DO MOLHE NORTE DO PORTO DE LEIXÕES

Foto de autor desconhecido - passada gentilmente por Nuno Bartolomeu, Almada,

O VILA DO PORTO demandando o porto de Leixões na viagem inaugural em 1949,/ (c)Foto Mar, Leixões/. 

O VILA DO PORTO no porto do Funchal em 1954 / Foto de autor desconhecido - passada gentilmente por Nuno Bartolomeu, Almada /.

21/03/1955 - Num rochedo denominado “Leixão”, por fora do Molhe Norte do Porto de Leixões encalhou, ontem, às primeiras horas da manhã, e considera-se totalmente perdido o navio-motor VILA DO PORTO, tendo os seus 36 tripulantes e um passageiro de nacionalidade Americana sido salvos pelas corporações de bombeiros de Matosinhos-Leça e a de Leixões, por meio de cabo de vaivém.
Pouco antes e devido a um golpe de vento garrara a a vedeta NRP CORVINA que encalhou também, mas sem gravidade, visto horas depois ter sido posta a reflutuar.
A madrugada de ontem foi de incerteza e angustia para muitos. Soprando rijamente de sudoeste, acompanhada de fortes aguaceiros, a ventania causou graves, vultosos prejuízos no mar, onde perigaram mais de três dezenas de vidas. Pouco depois das 3 horas, a vedeta NRP CORVINA, que estava fundeada na bacia do porto de Leixões, devido a uma rajada mais forte, garrou, indo encalhar no areal do molhe Norte. Dado o alarme, acudiram, imediatamente as lanchas dos pilotos, a lancha RAMALHEIRA, salva-vidas CARVALHO ARAÚJO e o rebocador VANDOMA. Entretanto sob as ordens do comandante daquela unidade da Marinha de Guerra, 1º tenente Pires Cabral, a respectiva tripulação principiou a trabalhar na amarração, enquanto ao molhe referido chegavam, com o seu material de socorro a náufragos, os Bombeiros Voluntários de Matosinhos-Leça e os de Leixões, tendo aqueles, sob as ordens do ajudante de comando sr. Manuel Gonçalves Ribeiro, logo montado, como medida de precaução, um cabo de vaivém. Trabalho penoso para todos, bem como o da amarração, foi coadjuvado entusiasticamente, pelos marinheiros do submarino NRP NEPTUNO, que com o seu comandante, sr. capitão-tenente Pimentel Saraiva, ali compareceram: Atraídos também, pelo alarme dado pelas sereias dos bombeiros, foram afluindo junto do enorme guindaste ali existente, centenas de populares. A ventania, entretanto, continuava a soprar, conquanto de vez em quando, copiosos aguaceiros caiam, a todos alagando.
Mal se pensava que o pior havia de acontecer daí a pouco, quando estavam terminados, já, os trabalhos de garantia e segurança da NRP CORVINA, que nada sofrera, felizmente, em consequência do acidente.
Por volta das 5 horas, e após novo aguaceiro, enorme estrondo, seguido de apitos estridentes, anunciaram que, muito perto, novo acidente marítimo ocorrera a poucos metros do molhe, via-se um enorme navio encalhado. A princípio, supôs-se que se tratava de um navio Egípcio ou do vapor Português SOFALA, que eram aguardados de manhã, em Leixões, mas, pouco depois, sabia-se ser o VILA DO PORTO, da Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, de Ponta Delgada, os voluntários das corporações de Matosinhos-Leça e de Leixões, bem como os srs. Comandantes João Pais, Joaquim da Costa, Vieira Coelho e Coutinho Lanhoso, o primeiro chefe do Departamento Marítimo do Norte e, o segundo capitão do porto de Leixões, aperceberam-se da gravidade do sinistro, sendo tomadas, desde logo, as providencias necessárias. Montados os serviços, foram lançados foguetões luminosos e, depois aqueles conduziam os cabos. Entretanto, em terra, os populares preparavam-se para auxiliar os bombeiros na penosa tarefa de salvamento, que principiou logo que foi estabelecido o primeiro cabo de vaivém pelos voluntários de Matosinhos-Leça.
O primeiro a vir para terra por esse processo foi o despenseiro Sebastião Resende Santos, de 57 anos, da Lagoa, que foi necessário ser socorrido pelos populares Francisco Caetano Nora e um tal Manuel Pescadinha.
Porque o cabo estava frouxo, o naufrago referido estivera prestes a submergir-se, tendo aqueles descido temerariamente por uma corda, salvando-o de morte certa. Enquanto os restantes tripulantes do VILA DO PORTO eram trazidos para terra, graças às mãos do bombeiros e dos populares – quantas delas sangraram durante esta rude mas humana tarefa! – saía a barra o salva-vidas CARVALHO ARAÚJO, com o fim de coadjuvar os trabalhos. Nessa altura, fora já montado outro cabo pelos Voluntários de Leixões, que breve começou a funcionar com êxito, trazendo para terra mais 11 náufragos, entre os quais se contavam o 2º piloto, o Imediato, e por último o comandante, como manda a lei marítima.

O VILA DO PORTO após o encalhe / Imprensa diaria - / Foto de autor desconhecido - passada gentilmente por Nuno Bartolomeu, Almada /.

O VILA DO PORTO encalhado sobre o penedo Leixão / jornal O Comércio do Porto /.

O VILA DO PORTO já alquebrado / Foto de autor desconhecido - passada gentilmente por Nuno Bartolomeu, Almada /.

O VILA DO PORTO a ser desmantelado pela fúria do mar / Jornal de Noticias /.

O VILA DO PORTO desmembrado e açoitsdo pelas ongas furiosas / Jornal O Comércio do Porto /.

SÓ O COMANDANTE PODE EXPLICAR COMO O SINISTRO SE DEU – DIZIAM OS NAUFRAGOS
À medida que os tripulantes do VILA DO PORTO iam chegando à estação do Instituto de Socorros a Náufragos, de Leixões, verificavam-se cenas comoventes. Os que primeiro haviam posto pé em terra abraçavam, com lágrimas nos olhos, os companheiros salvos, que encharcados, transidos, logo eram abafados com cobertores e reconfortados com café, aguardente e vinho do Porto. No capítulo assistência, o encarregado do posto, sr. Pedro Ribeiro, multiplicou-se, coadjuvado por diligentes senhoras, funcionários da capitania de Leixões e populares. Foi na hora de maior movimento, quando os náufragos bendiziam a Deus o terem salvado as vidas, que o repórter ali esteve, ouvindo lamúrias e desabafos, sendo lágrimas sinceras a deslizarem pelas faces de todos os que, pouco antes, haviam enfrentado a morte. A bem dizer, nenhum deles soube explicar como o desastre ocorreu. De quarto vinha o comandante sr. capitão Amadeu Calisto Ruivo, homem experimentado da frota da companhia armadora e muito conhecedor das barras do Douro e Leixões. Somente ele - disseram-nos – pode dizer como se deu o encalhe.
Entretanto, novos náufragos, iam chegando e, com eles, interessados em que nada lhes faltasse, os srs. comandantes João Pais, Joaquim Costa e Vieira Coelho, bem como os srs. 1º tenente Guilherme Silveira e Joel Monteiro, aquele patrão-mor da capitania e este sota-piloto-mor da corporação de Pilotos local. O único passageiro do VILA DO PORTO – um oficial do exército dos E.U.A., sr. Arthur Boetcher, que trouxera consigo a cadelita de bordo – passeava, sorridente, de mãos nos bolsos, entre os restantes náufragos, conquanto o animal, a “Negrita”, tiritante, o fitava…
QUEM SÃO OS TRIPULANTES DO NAVIO NAUFRAGADO
Depois de ter vindo para terra o último naufrago, foi feita a chamada, verificando-se que, felizmente, não faltava ninguém. A tripulação, composta por trinta e seis homens, salvara-se toda, em cerca de 45 minutos de trabalho exaustivo, para honra e glória das corporações de bombeiros de Matosinhos-Leça e Leixões.
Da lista que nos foi fornecida, constam os seguintes nomes: capitão Amadeu Calisto Ruivo, de 63 anos, de Ílhavo; imediato Mário Rodrigues Oliveira, de 51 anos, de Lisboa; 2º piloto Alfredo Pinto Bacalhau, de 28 anos, de Alenquer; 3º piloto Augusto Tavares de Almeida, de 27 anos, de São Vicente; Chefe de máquinas Artur dos Santos, de 50 anos, de Lisboa; 2º maquinista Manuel da Silva Tavares, de 37 anos, de Lisboa; 3ºs maquinistas, Mário da Fonseca Magalhães, de 28 anos, e José Maria de Oliveira Charana, de 24 anos, ambos de Lisboa; electricista Antero Francisco Gouveia, de 60 anos, do Funchal; radiotelegrafista, José Alves Cordeiro, de 43 anos, das Caldas da Rainha; contramestre Florindo Francisco da Silva, de 55 anos, de Sintra; marinheiros: Francisco José Branco Júnior, de 55 anos, de Lagos; António Eustáquio, de 58 anos, da Nazaré; António Morais, de 42 anos, de Lisboa; Manuel Nunes de Castro, de 50 anos, de Ílhavo; moços: José Rainho Regufa, de 31 anos, das Caldas da Rainha; José Joaquim Lousada, de 22 anos, da Nazaré; Mário José Matias São Marcos, 22 anos, de Ílhavo; João Evangelista Soares, de 48 anos, do Barreiro; Manuel Aguiar, de 36 anos e Manuel da Costa, de 18 anos, ambos de Ponta Delgada; paioleiros: Joaquim Nunes, de 5 anos, de Gouveia; ajudantes de motorista: Manuel António de Sousa Rubio, de 22 anos, de Elvas; Armando Dias Castanheira, de 34 anos, de Lisboa; Humberto do Rego, de 31 anos, de Ponta Delgada; chegadores: Adelino Lopes da Silva, de 41 anos, de Lisboa; Guilherme da Ponte, de 39 anos, de Ponta Delgada; despenseiro Sebastião Resende Santos, de 57 anos, de Lagoa; cozinheiro Manuel Pereira Falcão, de 36 anos, de Arcos de Valdevez; padeiro Manuel Marques Mendes, de 53 anos, de Águeda; criados: Joaquim Jacob, de 32 anos, de Ponta Delgada; António Mafalda Pimenta, de 36 anos, de Gouveia; António Joaquim Ferreira Alves, de 31 anos, de Lisboa; João Inácio Cabrita, de 24 anos, de Portimão; enfermeiro António Esteves, de36 anos, de Alenquer.

Um tripulante vindo para terra pelo cabo de vaivém / Jornal O Comércio do Porto /.

A tripulação do VILA DO PORTO junto da Estação de Socorros a Náufragos / Jornal de Noticias /.

 
A "Negrita" no posto de medicina veterinária da Associação Protectora dos Animais / Jornal O Comércio do Porto /.

A VERSÃO DO DESASTRE SEGUNDO O COMANDANTE
Na sua residência da Foz do Douro, o sr. David José de Pinho, recebeu gentilmente, o repórter de “O Comércio do Porto”, infelizmente o capitão do navio sinistrado – havia saído já, sendo impossível localizá-lo nas horas mais próximas, dado o estado de excitação em que se encontra. O considerado agente de navegação, porém, diz-nos o que sabe sobre o encalhe do VILA DO PORTO. A versão que nos dá, ouvira-a da boca do comandante e será esse, sem dúvida, o que vai constar do respectivo “protesto de mar” a apresentar às autoridades marítimas e companhias seguradoras. Segundo ele, que vinha ao leme, visto o imediato ter descido ao seu camarote, foi um forte aguaceiro que prejudicou a visibilidade, dando origem a que tomasse uma luz forte que faiscava, pelo farol da ponta do quebra-mar do Esporão. Essa luz, parece que fora empregada da torre da estação telegráfica e semafórica, vulgo Telégrafo, na realidade, durante os trabalhos de amarração e desencalhe da NRP CORVINA. Na verdade, o sr. Capitão Amadeu Calisto Ruivo – dos mais antigos comandantes da frota dos Carregadores Açoreanos – conhece bem a costa. A iluminação do porto de Leixões e, como todos, os que têm a responsabilidade de comandar um navio como o VILA DO PORTO, sabe que há pontos de referência, como aquele farolim do Esporão. È de admitir, portanto, que a luz referida o tenha iludido, a ponto de chocar com o “Leixão”, fora do molhe Norte.
Logo que o acidente ocorreu – afirmara-o pouco antes de ser socorrido pelo dr. Fernando Magano – ainda tentou salvar o seu navio, mas este adornou, impossibilitando-o de qualquer manobra. Nessa altura já aqueles que trabalhavam na amarração da NRP CORVINA, se haviam apercebido do sinistro, acudindo rapidamente. Segundo o sr. David José de Pinho, o navio vinha devagar, a fim de fundear e aguardar piloto do porto de Leixões, onde devia embarcar carga diversa que estava no armazém nº 7, da doca nº 1 e, também, passageiros.
O navio-motor VILA DO PORTO foi construído em Inglaterra em 1949 por Blyth Drydock and Shipbuilding Co, Blyth, Reino Unido, imo 5602022, 106,1m, 2.585tb, 14nós, passageiros 12. Era utilizado pela companhia armadora, nas carreiras para Nova Iorque, com escala pelo Funchal e Ponta Delgada, juntamente com os navios-motor HORTA, seu gémeo. RIBEIRA GRANDE e MONTE BRASIL, o VILA DO PORTO, tombado sobre o “Leixão”, causa pena, tanto mais que o mar começou a desfazê-lo, sendo impossível salvá-lo. À tarde a parte da ré estava submersa, tendo dado à praia de Leça da Palmeira muita madeira, malas de correio, sacaria, cortiça e apetrechos de bordo.
Os tripulantes, nada puderam salvar dos seus haveres, chegando a terra somente com a roupa que traziam vestida. Como é de uso, o comandante foi o ultimo a abandonar o navio, sendo amparado carinhosamente pelo imediato e pilotos à sua chegada. Os náufragos que foram alojados em pensões e casa de pasto de Matosinhos e Leça da Palmeira, devem regressar hoje às suas terras. Durante a tarde e apesar do mau tempo, milhares de pessoas estiveram a ver o navio sinistrado, que embarcara em Lisboa, donde saíra na tarde de ontem – quinhentas toneladas de cortiça e conservas. O Mário José Matias São Marcos e o João Evangelista Soares, faziam a sua primeira viagem no VILA DO PORTO. Quanto ao paioleiro Joaquim Nunes, com este é o terceiro acidente marítimo que sofre. O primeiro, segundo nos disse, foi a bordo do LUSO e o segundo no MARIA AMÉLIA.
AO FIM DA TARDE, O VILA DO PORTO FRACCIONOU-SE, SENDO ARROJADA Á PRAIA BASTANTE CARGA
Confrangia, na verdade, ao fim da tarde, ver a esplendida unidade da Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos a desmantelar-se aos poucos, fustigada duramente pelo mar. Por vezes, as vagas, altíssimas, cobriam-na, destruindo pertences dos mastros e tudo quanto encontravam na sua frente. A certa altura, adornando mais, fraccionou-se em duas partes, vendo-se, então, muita carga a boiar, entre a qual fardos de cortiça que mais tarde as vagas arrojaram à praia de Leça da Palmeira, e esses despojos eram retirados para lugar mais seguro, e ficavam sob vigilância da Guarda-Fiscal.
Entre as centenas de pessoas que contemplavam o doloroso e impressionante espetáculo, viam-se muitos dos náufragos que não escondiam sentidas lágrimas. Que haviam eles de fazer senão chorar se naquele navio que o mar desfazia estava o sustento de todos eles, das suas famílias? Piedosos, muitos assistentes confortavam-nos, mas debalde. O VILA DO PORTO para eles era tudo: pão, agasalho, alegria. Pela noite fora e até à madrugada de hoje, a situação do navio. que como acima dizemos se considera perdido, elevando-se os prejuízos a muitos milhares de contos . não se modificou. Porque foi necessário os Bombeiros Voluntários de Matosinhos-Leça transportarem, de manhã, ao hospital local, onde foram devidamente socorridos, os náufragos António Eustáquio e Sebastião dos Santos, os quais estavam enregelados.
O CAPITÃO DO VILA DO PORTO ENTREGOU O SEU RELATÓRIO, MAIS IDENTIFICADO POR “PROTESTO DE MAR”
Ontem, pelas 17 horas. O sr. Amadeu Calisto Ruivo, capitão do VILA DO PORTO, acompanhado dos seus oficiais, esteve na capitania do porto de Leixões a fazer a entrega do seu relatório, o “Protesto de Mar”, sobre o naufrágio.
Para tentar salvar o que resta do navio sinistrado apareceu em Leixões o salvadego Sueco HERAKLES procedente de Gibraltar.
A cadela “Negrita”, mascote de bordo, ficou aos cuidados do sr. Jorge de Pinho, residente na Foz do Douro, sócio da agência consignatária David José de Pinho e Filhos, Lda, do Porto.
Com pedido de publicação, recebemos dos Bombeiros Voluntários do Porto, a seguinte nota: “O Comando dos Bombeiros Voluntários do Porto informa que, tardia e particularmente- teve conhecimento dos acidentes marítimos verificados ontem com a vedeta NRP CORVINA e o navio VILA DO PORTO. A sua não comparência foi motivada devido a, quem de direito, não haver requisitado os serviços da corporação, conforme se encontra superior e acertadamente determinado”


A vedeta NRP CORVINA encalhada na praia do molhe Norte do porto de Leixões / Jornal O Comércio do Porto /.

A VEDETA NRP CORVINA FOI DESENCLAHADA NA MANHÃ DE ONTEM.
Cerca das 9 horas da manhã de ontem, sob a orientação do seu comandante fez-se o desencalhe da vedeta NRP CORVINA. Assistiram à manobra, que se fez com facilidade, o rebocador MONTALTO, da APDL, e a lancha RAMALHEIRA. Sem danos de maior, aquela unidade da fiscalização das pescas, foi atracar à doca nº 1, lado Norte.
O ARRASTÃO DA COSTA “MAR ANTÁRTICO TAMBÉM ESTEVE EM RISCO DE ENCALHAR.
Ontem de manhã quando o arrastão MAR ANTARTICO, da praça de Leixões, regressava da pesca, ao demandar o porto de Leixões, e em consequência duma forte rajada de vento, foi levado sobre os blocos junto do farolim do Esporão, socorrendo-lhe prontamente o arrastão MAR ARTICO, do mesmo armador, que navegava na sua esteira, contudo, como se quebrassem as amarras lançadas, seguiu em socorro do MAR ANTARTICO, a lancha RAMALHEIRA, que o rebocou para dentro do porto.
NA BARRA DO DOURO ENTRARA APENAS UM NAVIO.
A 20/03/1955, manhã cedo, o navio-motor SECIL demandou a barra, conduzido pelo piloto José Fernandes Amaro Júnior, já com o mar a quebrar, vento forte e debaixo de fortes bátegas de água, e os astros a ameaçar temporal.
A DESIGNAÇÃO DO PENEDO LEIXÃO.
Quis Deus ou a Natureza que na foz do rio Leça, a á quarto de légua da costa, se elevasse das águas atlânticas um conjunto de rochedos a que os homens deram o nome de LEIXÕES. Eram o ESPINHEIRO, a ALAGADIÇA, o LEIXÃO grande e pequeno, como grande e pequeno eram também os rochedos da LADA. Mas havia também o TRINGALÉ, o GALINHEIRO, o CAVALO DE LEIXÃO, a QUILHA, a BAIXA DO MOÇO, o FUZILHÃO, o BAIXO DO FUZILHÃO VELHO, e muitos outros…
Desígnio divino, ou tão só caprichosos afloramentos graníticos, que os geólogos classificam de grão médio ou gnáissico, os LEIXÕES descreviam um semicírculo no mar, formando como que um porto de abrigo natural sobre os quais, e parcialmente fora assente o molhe Norte do porto de Leixões, e do qual advém o respectiva designação do desenvolvido porto Nortenho.         
Fontes: Imprensa diária, nomeadamente do vespertino “O Comércio do Porto”, Miramar Ship Index, Wikipédia.
Rui Amaro

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