quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

ESTALEIROS PORTUGUESES UMA TRADIÇÃO MILENÁRIA

O n/m francês THISBÉ, da Caennaise, Caen, em operações de alongamento no estaleiro da Rocha / imagem de autor desconhecido, amavelmente transmitida por Nuno Bartolomeu, de Almada /

O n/m português ALGER em reparações no estaleiro da Rocha na década de 70. Note-se que dá ideia que foi encaixado na doca ao milimetro  / imagem de autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto /

Lançamento à água do n/m português SECIL NOVO em 19/07/1951 /  imagem de autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto /

A construção dos grandes estaleiros portugueses do nosso tempo vem na sequência de uma tradição com mais de mil anos: O primeiro estaleiro de que há notícia foi construído no século X, no norte do território, duzentos anos antes de Portugal se afirmar como Nação independente. Logo desde o início da fundação do novo Reino, a construção e reparação naval foi definida como sendo de grande importância nacional: o primeiro rei português D. Afonso Henriques, atribuiu o grau Cavaleiro aos calafates e carpinteiros navais em 1179. A partir daí, todos os reis incentivaram a construção de navios, permitindo que os armadores se abastecessem livremente nas florestas da Coroa. Em 1376, por Carta Régia, foi criada uma empresa de construção naval, uma companhia de seguros marítimos e garantida a rentabilidade dos investimentos feitos no sector.
Quando iniciou o ciclo dos Descobrimentos, no século XV, já a indústria naval estava bem estruturada. Há portanto uma relação de causa e efeito que é importante sublinhar – as coisas não acontecem por acaso.
À medida que as caravelas portuguesas iam avançando, rasgando mares desconhecidos e alterosos, a indústria ia crescendo e acumulando experiência. A reparação e manutenção dos cascos de madeira eram considerados trabalhos de alta valia e muito bem pagos.
Os armadores atraíam técnicos qualificados pagando-lhes bem e oferecendo-lhes lugares importantes a bordo dos barcos que construíam – uma forma de protegerem o barco se este tivesse de docar, para ser reparado, num porto longínquo da costa portuguesa.
Com a progressão dos Descobrimentos nos séculos XV e XVI, a indústria de construção e reparação naval alargou-se, geograficamente. Os portugueses lançaram estaleiros no Extremo Oriente, aproveitando as madeiras resistentes que aí encontraram: Damão, Diu, Goa e Cochim, por exemplo, tornaram-se elos de uma longa cadeia de estaleiros que viabilizava o prosseguimento das Descobertas de novos mundos.
No dizer de António Sérgio, “foi o feito de um povo metódico, protegido por uma política clara e inteligente, uma visão lúcida e prática por parte dos seus governantes. Um vasto e bem estruturado projecto, assente num raro talento de organização”.
A experiencia e o “know how” acumulados pelos portugueses no campo da construção, reparação e manutenção de barcos são consideradas hoje, pelos historiadores, tão importantes como o astrolábio: dois contributos desta pequena Nação europeia que revolucionaram toda a ciência náutica da época.
Oito séculos depois da construção do primeiro estaleiro em Portugal, e 500 anos depois do início dos Descobrimentos, os Portugueses mantêm-se na primeira linha da tecnologia naval. O País continua a ter estaleiros internacionalmente conhecidos, incluindo o maior e mais prestigiado em todo o mundo – o da LISNAVE.
O estaleiro da Rocha da LISNAVE, na margem norte do rio Tejo, em Lisboa, dispõe de quatro docas secas, oficinas e cais de reparação preparados para receberem navios até 21.000 TPB: navios de passageiros, guerra, graneleiros, petroleiros, dragas, pesca, etc. O estaleiro da Rocha tem sido objecto de aplicação continuada de um programa de modernização e introdução de novos equipamentos. A formação e reciclagem do pessoal (cerca de 650 empregados) são asseguradas pelo Centro de Treino da LISNAVE.
Armadores de todo o mundo têm mostrado particular interesse neste estaleiro, pela sua excelente localização geográfica, qualidade de mão-de-obra e rigoroso cumprimento dos prazos contratados.

OBS – O que autor do texto do jornal “O Comércio do Porto” de 23/09/1989 escreveu sobre os estaleiros portugueses, em minha opinião é extensivo a todos os demais estaleiros de construção naval localizados em território nacional, seja de madeira, metálica, fibra, etc.

Rui Amaro
 
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ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s) em NAVIOS Á VISTA, o que muito se agradece.

domingo, 29 de dezembro de 2013

REBOCADOR “MONTE DA LUZ”/ “SAFADO”

O MONTE DA LUZ demandando a barra do Douro em 03/08/1994 / Rui Amaro /.

O MONTE DA LUZ, da empresa Rebonave em fabricos no estaleiro da Setenave em 1998

O MONTE DA LUZ da empresa Rebonave em provas de mar ao largo do Cabo Espichel em 1998

O SAFADO em manobras junto do cais da Rocha, vendo-se ao fundo o rebocador PORTEL, da Rebosado, fretado à Svitzer, e ainda o navio escola Dinamarquês DANMARK, 09/1913 

MONTE DA LUZ, imo 7004732/ 25,78m/ 122,67tb/ 12,97tl/ calado 2,27m/ 2x Deutz SBA 8M528/ 2xVoith Schneider 20E/ esforço de tracção 14tons; 12/1969 entregue pelo estaleiro Argibay – Sociedade Construcções Navais e Mecânicas, Alverca do Ribatejo, à APDL – Administração dos Portos do Douro e Leixões; 29/01/1975, o MONTE DA LUZ que com outros rebocadores da APDL auxiliava as manobras de atracação do malogrado petroleiro Dinamarquês JAKOB MAERSK ao posto A do terminal de petroleiros do porto de Leixões, o qual se incendiou e se perdeu, arriscando conseguiu salvar os 2 pilotos da barra e 17 tripulantes, que sobreviveram à enorme tragédia; 1998 MONTE DA LUZ, Rebonave – Reboques e Assistência Naval SA, Setúbal; 2011 SAFADO, Lutamar – Prestação de Serviços à Navegação, Lda, Setúbal; 2011 SAFADO, Empresa Resistência, Lisboa, Grupo Lutamar; 12/2013 em serviço activo no porto de Lisboa. Rebocadores gémeos: MONTE DA LAPA e MONTE XISTO.
Em minha opinião este trio de rebocadores portuários muito funcionais são dos mais elegantes que alguma vez já vi.
Fontes: Miramar Ship Index, Nuno Bartolomeu, de Almada.
Fotos de autor desconhecido, amavelmente transmitidas por Nuno Bartolomeu, de Almada.
Rui Amaro

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sábado, 28 de dezembro de 2013

VAPOR PORTUGUÊS “LUGELA” (1)

O LUGELA algures em qualquer porto da Africa Portuguesa, década de 60 / Autor desconhecido - Colecção F. Cabral, Porto /.

O LUGELA no porto de Lisboa, finais da década de 40 / Autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto /.

O LUGELA fundeado na bacia do porto de Leixões em 04/04/1968 / Rui Amaro /.

O LUGELA no estuário do Tejo, assistido por um rebocador de companhia (MUTELA/MAFRA) na d+ecada de 60 / Autor desconhecido . colecção F. Cabral, Porto /.

O LUGELA fundeado no mar da Palha, estuário do Tejo, aguardando comprador em 1971 / Autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto /.

O DORTMUND navegando no porto de Hamburgo / Autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto /.

Vapor Português de linha LUGELA (1), imo 5214149/ código CSKB/ 128,8m/ 5.277tb/ calado 07,73m/ 4xturbinas a vapor Blohm & Voss, de 1926, 3xfornalhas cada para pressão de 15K/cm2, potência 3.000 cavalos, 12 nós/ 53 tripulantes/ 12 passageiros; 14/10/1926 entregue por Blohm & Voss, Hamburgo, como DORTMUND à Deutsche Australische Dampfs Ges., Hamburgo; 1926 DORTMUND, Hamburg Amerika Linie, HAPAG, Hamburgo; 08/09/1939 devido ao eclodir da 2ª guerra mundial refugiou-se no porto neutro de Lourenço Marques, juntamente com outros navios Alemães, a fim de evitar ser atacado pelas forças navais inimigas; 20/05/1943 LUGELA, Companhia Colonial de Navegação, Lisboa;  Em plena guerra mundial, motivado pela falta de unidades mercantes Portuguesas e estrangeiras para fazer face à manutenção das trocas comerciais e ao abastecimento de produtos e bens essenciais à vida do país, ilhas adjacentes e colónias, foram adquiridos em segunda mão as seguintes unidades: SERPA PINTO, LUANGO, HUAMBO, BAILUNDO, LUGELA, BUZI e o minúsculo MICONDÓ pela C.C.N; SOFALA pela C.N.N. e o SETE CIDADES pela C.N.C.A. Para a compra dos navios de nacionalidade Alemã, devido à situação de guerra, teve de haver inteligente diplomacia do governo Português com “Berlim” e com os “Aliados” e sempre com uma difícil concordância daqueles beligerantes, caso da aquisição dos mais tarde denominados HUAMBO, BAILUNDO, LUGELA, BUZI, SOFALA e SETE CIDADES, os quais se encontravam refugiados e internados em portos de Moçambique, Angola e Açores, com as respectivas tripulações retidas a bordo, tendo após a sua compra sido libertadas e entregues às autoridades Alemãs em troca de prisioneiros de guerra Aliados, através de Lisboa, se bem que a aquisição do SETE CIDADES difere bastante das outras aquisições, uma vez que a sua compra foi facilitada pelos Alemães para compensar o ataque e consequente perda do CORTE REAL. O vapor ALLER, quatro mastros, recebeu o nome de SOFALA, passando à época, a ser com os seus 161m/7.957tb a maior unidade da Marinha Mercante Nacional e ainda um dos cerca de noventa maiores navios de carga a nível mundial, acima dos 150m. No que respeita ao DORTMUND passou a ser o LUGELA e foi o primeiro navio de bandeira Portuguesa, cujas máquinas eram accionadas por turbinas a vapor; 26/08/1971 depois de ter estado fundeado no mar da Palha, estuário do Tejo, à espera de comprador, chegava a Bilbao para desmantelamento em sucata.
Fontes: Miramar Ship Index, Navios Mercantes Portugueses, Internet.
Rui Amaro

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TRANSBORDADOR FLUVIAL PORTUGUÊS “LAGOS”


O LAGOS na doca de marés do porto de Viana do Castelo em fase final de acabamentos

O LAGOS atracado à estação maritima de Sul Sueste, Lisboa, em 1972 

O LAGOS numa das suas travessias do estuário do Tejo do Barreiro para Lisboa em 2003 

O LAGOS numa das suas travessias do estuário do Tejo do Barreiro para Lisboa em finais de 2003

 O LAGOS atracado à estação maritima de Sul Sueste em 2001 

Transbordador Português LAGOS, imo 7017947/ L-3626-TL/ cff 50m, boca 09,5m, pontal 03,15m, calado 02,3m/ 701tb/ 2XMAN 635bhp/ 13nós/ 1.035 passageiros; 06/1970 entregue pelos ENVC – Estaleiros Navais de Viana do Castelo, Viana do Castelo, à CP – Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, Lisboa, para a ligação entre as estações marítimo-ferroviárias do Sul e Sueste, Lisboa, e a do Barreiro, no transporte de passageiros; 1993 LAGOS, Soflusa; 10/05/1993 entrou em “laid up” juntamente com os seus gémeos, acostando todos eles ao cais da ex Siderurgia Nacional, no rio Coina; 2004 LILIANA CARNEIRO, Baptista José Carneiro (??), São Tomé e Príncipe, que o empregou nomeadamente na linha de passageiros São Tomé e Príncipe/Libreville, Gabão e eventualmente portos de nações vizinhas, e preservou as cores da Soflusa; 17/09/2010 assaltado ao largo da Nigéria por piratas Nigerianos; 2013 continuava no tráfego activo. Gémeos: ESTREMADURA, ALGARVE, ALENTEJO, MINHO e TRÁS-OS-MONTES.


Fonte: Miramar Ship Index; ENVC; Nuno Bartolomeu, de Almada.
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Rui Amaro

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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

LEMBRANDO O NAUFRÁGIO DA EMBARCAÇÃO DE PESCA ARTESANAL “S. FRANCISCO” DE CASTELO DE NEIVA


__/__/197_, ontem de manhã, ao mar de Castelo de Neiva, a algumas centenas de metros da praia, voltou-se a embarcação da pesca artesanal S. FRANCISCO, de motor fora de borda, no qual estavam a fainar dois cunhados – Manuel Brito Coutinho Maltês, de 40 anos e António Pereira Magalhães, de 28 anos, ambos residentes no lugar de Sendim de Baixo, em Castelo de Neiva.
Os dois pescadores, lançados inopinadamente ao mar, viram-se envolvidos pelas suas artes de pesca e, entretanto, o mais novo, que sabia nadar menos, agarrou-se às pernas do familiar.
A luta pela sobrevivência foi titânica, mas o mais novo, a dada altura, desprendeu-se e desapareceu nas águas turbulentas, para não mais ser visto.
Entretanto, Manuel Brito teve a sorte de se agarrar a uma peça flutuante da embarcação e aguentou-se mais tempo, sendo recolhido por uma embarcação da praia contígua da Amorosa.
Transportado ao hospital de Viana do Castelo, ali esteve algumas horas, na sala de observações, após o que pode recolher a casa, ao princípio da tarde.
O camarada desaparecido, um Limiano, natural de Refoios do Lima, concelho de Ponte de Lima, e casado com Olívia de Brito Coutinho Maltês, deixa dois filhos, de 2 e 4 anos, e estava em vésperas de ser pai pela terceira vez.
Será de registar que este pescador estava a acabar de construir uma humilde moradia, para a qual vinha recebendo diversas ajudas do centro piscatório.
Resta acrescentar que o camarada desaparecido, era primo de Custódia Magalhães de Sousa Amaro, esposa do autor do texto, também ela uma Limiana, de Refoios do Lima, mas residente na Foz do Douro, cidade do Porto.
Fonte e imagem do Jornal de Noticias.
Rui Amaro

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