quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

RECORDANDO A ESCALA DO N/M HOLANDÊS "SPURT" NO PORTO DE AVEIRO EM 1953

O SPURT na ria de Aveiro em 20/12/1953, distinguindo-se na adriça de bombordo a bandeira do armador da "Portugal Lijn", a companhia Van Nievelt, Goudriaan & Co's, a par do pavilhão nacional de Porugal, içado a estibordo /foto de autor desconhecido - Porto de Aveiro /.


A 20/12/1953 demandou a barra de Aveiro, agenciado pela Garland, Laidley, da praça do Porto, o navio-motor Holandês SPURT, 47m/399tb/559dwt, do armador Fiege & Hoff, de Roterdão, gerido por Scheepvaartbedrijf Gruno, de Amsterdão, e ao serviço do grupo CPL (Cornelder Lijn, Portugal Lijn e Lusitania Lijn). O carregamento de cerca de 600 toneladas de cubos de granito destinados ao mercado Belga, foi a razão daquele navio escalar o porto de Aveiro, o que foi notícia da imprensa diária, por ser uma raridade a visita de uma embarcação comercial àquele porto da laguna Aveirense, e após o inicio das obras de melhoramentos da sua barra. O Spurt foi atendido pelo caixeiro de mar Domingos Rodrigues Brandão.

Deve-se acrescentar que à altura daquele interessante evento, para o porto de Aveiro, o SPURT (1) encontrava-se fretado em regime "bareboat charter" ao importante armador Van Nievelt, Goudriaan & Co's, de Roterdão, que com a sua "Portugal Lijn" servia os portos de Lisboa, Douro e Leixões, com duas saídas semanais para Vigo, Anvers e Roterdão. Em 1965 o SPURT (1) foi substituído por uma nova tonelagem e mais oferta de espaço de carga, o SPURT (2), ex ARAK, de 1946/53,64m/499tb/680dwt/9,5nós/2 mastros.

A Garland, Laidley, além do SPURT, já levou alguns navios ao porto de Aveiro, entre os quais, PAULA BUSCHER, Alemão, atendido por Manuel Spratley da Silva e Rui Amaro; BRANDARIS, Holandês, por Joaquim Augusto Rodrigues Azeredo; NIEUWLAND, Holandês, por Fernando Marques dos Santos; ADELHEID SIBUM, Alemão, por Luis Pimenta Povoas, que também atendeu o RENAISSANCE ONE, que foi o primeiro ou talvez o único navio de cruzeiro a visitar aquele porto, o qual pertencia à Renaissance Cruises. Outros navios estiveram à barra, contudo devido à agitação marítima se deteriorar, prosseguiram viagem para o porto do Douro ou Leixões.

O porto de Aveiro, com a sua imensa e bela ria, que hoje em dia está capacitado a receber navios para cima dos 150m cff e tem tido um movimento marítimo comercial crescente, já rivalizando com o porto de Leixões e outros portos nacionais e mesmo a nível peninsular. Naqueles tempos, como já tenho frisado, era um porto de armamento de navios de pesca, nomeadamente bacalhoeiros e a sua barra era muito problemática. Note-se, que os próprios navios bacalhoeiros, que calavam bastante, chegando alguns aos 19 pés, em muitas campanhas estavam à barra e por esta não ter água suficiente ou existência de ondulação perigosa na barra valiam-se do rio Douro e da bacia do porto de Leixões, de forma a aliviarem a sua carga para reduzirem o seu calado de água, a fim de poderem demandar em segurança o ancoradouro do lugar da Gafanha da Nazaré, numa próxima maré grande. A sua carga era transportada para Aveiro em batelões de pouco calado.

Muitos daqueles navios já vinham de rumo ao rio Douro, onde ficavam a hibernar. Tais contingências, não eram só do porto de Aveiro mas também dos portos de Viana do Castelo e Figueira da Foz. Houve anos de barra assoreada, que até as traineiras da sardinha, encalhavam e o lugre-motor bacalhoeiro de quatro mastros Primeiro Navegante encalhou e perdeu-se na barra em 10/1946 e outros ficavam encalhados em bancos de areia da ria, até alcançarem os seus ancoradouros da Gafanha da Nazaré.

Fontes: Imprensa diária; Groninger Kustvaart.

Rui Amaro


ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

MOVIMENTO MARITIMO DE NAVIOS DA PESCA DO BACALHAU NOS PORTOS DO DOURO E LEIXÕES NOS ANOS DE 1951/52



INVICTA, barra do Douro, década de 60 / Rui Amaro /.



AVIZ, saindo da barra do Douro de rumo ao Tejo, década de 60 / Rui Amaro /.


CAMPANHA 1951


29/03 - L's/m AVIZ, CONDESTÁVEL, SENHORA DA SAÚDE, INFANTE DE SAGRES TERCEIRO, SENHORA DA SAÚDE saíram do Douro para Lisboa, a fim de estarem presentes nas cerimónias da Benção dos Bacalhoeiros.

07/04 - Lugres ANA MARIA e PAÇOS DE BRANDÃO saíram do Douro a reboque do VOUGA 1º e de seguida rumaram directamente aos pesqueiros da Terra Nova.

28/08 - Lugre ANA MARIA, Douro – entrou a reboque do VANDOMA.

28/08 - L/m SÃO JACINTO, Douro

12/09 - L/m DOM DENIZ, Leixões

13/09 - L/m AVIZ, Leixões

13/09 - L/m SANTA MARIA MANUELA, Leixões

14/09 - N/m INÁCIO CUNHA, Leixões

14/09 - L/m AVIZ, Douro vindo de Leixões

17/09 - L/m CONDESTÁVEL, Leixões

19/09 - N/m INÁCIO CUNHA, Douro vindo de Leixões

19/09 - L/m CONDESTÁVEL, Douro vindo de Leixões

20/09 - L/m ANTÓNIO RIBAU, Douro

22/09 - Arrastão SENHOR DOS MAREANTES, Leixões

24/09 - L/m BRITES, Leixões

20/09 - N/m VAZ, Leixões

20/09 - L/m MILENA, Leixões

27/09 - L/m ADELIA MARIA, Leixões

28/09 - L/m MARIA FREDERICO, Leixões

01/10 - L/m SENHORA DA SAÚDE, Douro. Entrou a reboque do VANDOMA, após 30 dias de navegação à vela or avaria de máquina.

02/10 - L/m BRITES, Douro vindo de Leixões

03/10 - N/m SÃO RUY, Leixões

03/10 - N/m SANTA MARIA MADALENA, Leixões

04/10 - N/m LUTADOR, Leixões

06/10 - L/m NOVOS MARES, Leixões

10/10 - Arrastão SENHORA DAS CANDEIAS, Leixões

14/10 - L/m COIMBRA. Leixões

24710 - Arrastão ALVARO MARTINS HOMEM, Douro

24/10 - L/m COIMBRA, Douro vindo de Leixões

02/11 - Arrastão INVICTA, Douro

03711 - Arrastão SÃO GONÇALINHO, Leixões

07/11 - Arrastão SANTO ANDRÉ, Leixões. Pairou dois dias ao largo sem se poder fazer ao porto devido a um enorme ciclone

13/11 - Arrastão ESTEVAM GOMES, Douro

14/11 - Arrastão FERNANDES LABRADOR, Douro

14/11 - Arrastão COMANDANTE TENREIRO, Leixões

27/11 - N/m SÃO MAGAIO, ex BISSAYA BARRETO, Douro. Saiu para Aveiro a reboque do VANDOMA, a fim de ser reconstruido.

07/12 - Vapor GIL EANES, Leixões. Veio descarregar a sua usual carga de "stock fish" embarcada na Terra Nova


CAMPANHA DE 1952


CONDESTÁVEL, rio Douro década de 50 /Rui Amaro


AVIZ, rio Douro, lugar do Cais das Pedras, década de 60 / Rui Amaro /


17/03 - L's/m AVIZ, CONDESTÁVEL, SENHORA DA SAÚDE saíram do Douro para Lisboa, a fim de estarem presentes nas cerimónias da Benção dos Bacalhoeiros.

05/04 - L/m SÃO JACINTO, saiu do Douro para Lisboa, a fim de estar presente nas cerimónias da Benção dos Bacalhoeiros.

09/04 - Lugre ANA MARIA, saiu do Douro a reboque do NEIVA, e de seguida rumou directamente aos pesqueiros da Terra Nova.

24/07 - Arrastão COMANDANTE TENREIRO, Leixões

22/08 - Lugre ANA MARIA, Douro a reboque do VANDOMA

24/08 - Arrastão JOÃO CORTE REAL, Douro

19/09 - Arrastão ESTEVAM GOMES, Douro

24/09 - N/m SÃO RUY, Leixões

04/10 - L/m CONDESTÁVEL, Douro

07/10 - L/m COIMBRA, Leixões

08/10 - Arrastão INVICTA, Douro vindo de Leixões onde desembarcara náufragos do n/m JOÃO COSTA

14/10 - L/m AVIZ, Leixões

17/10 - L/m AVIZ, Douro vindo de Leixões

18/10 - N/m RIO LIMA, Leixões

19/10 - N/m SANTA MARIA MADALENA, Leixões

24710 - L/m SANTA MARIA MANUELA, Leixões

26/10 - N/m SENHORA DO MAR, Douro


Note-se que muitos destes navios eram de praças e armamento fora do Porto, e vinham a Leixões ou Douro para aliviar carga e aguardar melhores marés nos seus respectivos portos, se bem que alguns hibernavam no rio Douro, caso do COIMBRA, SÃO JACINTO, etc.

Rui Amaro

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

PESCA DO BACALHAU – REGRESSARAM DOS BANCOS DA TERRA NOVA OS LUGRES QUE ALI DEMORARAM TODA A CAMPANHA DE 1953


Neste gesto, simples mas envolvendo ternura, começou a nascer a saudade pelos entes queridos que vão à dura faina da pesca do bacalhau à linha no lugre-motor AVIZ, que se vê fundeado no estuário do Tejo, frente a Belém para a cerimónia religiosa da Bênção dos Bacalhoeiros, de 1953.


Dos Grandes Bancos da Terra Nova, já regressaram aos seus portos de armamento os navios de pesca à linha que ali se demoraram na safra do bacalhau, e naqueles "bancos" conseguiram carregar os porões após cinco meses de árduas e duras tarefas no mar.

Depois do HORTENSE, do GAZELA PRIMEIRO e do BRITES, demandou a barra de Aveiro, o lugre-motor LUISA RIBAU na sua primeira campanha, com um carregamento de 13.000 quintais de bacalhau frescal – a maior carga daquele ano capturada exclusivamente naquela zona pesqueira.

O primeiro navio do "dory" a chegar a Portugal, foi o AVIZ, vindo directamente dos mares dos gelos da Groenlândia, que demandou o porto de Leixões, a fim de desembarcar a sua companha de pescadores, e como vinha bastante "afogado" fundeou na bacia para aguardar melhor maré para passar a barra do Douro em segurança.


O lugre-motor LUISA RIBAU após o seu lançamento à água em 03/1953.


LUISA RIBAU – 50m/712,33tb; 16/0371953 entregue por João Bolais Mónica, Gafanha da Nazaré, porto de Aveiro, à Sociedade Gafanhense, Lda., Ilhavo; tendo sido o último lugre de velas e motor auxiliar construído em Portugal; 09/1953 na sua primeira campanha, quando em rota da Groenlândia para a Terra Nova suportou mar de violento ciclone, que acabou por lhe desfazer a ponte de comando, ficando com dificuldade de governo, valeu-lhe o navio-motor VILA DO CONDE, do Porto, que o comboiou até demandar o porto de São João da Terra Nova, onde lhe foram feitas reparações e instalada uma casa do leme provisória, tendo chegado a Aveiro com um péssimo aspecto; 23/08/1973 naufragou por incêndio nos Grandes Bancos da Terra Nova, tendo todos a bordo sido salvos por outros navios.


O lugre-motor AVIZ acompanhado da lancha de pilotos P12 no momento que se preparava para fundear na bacia do porto de Leixões.


AVIZ – 51m/523gt; 1939 entregue por Manuel Maria Bolais Mónica, Gafanha da Nazaré, porto de Aveiro, à Companhia de Pesca Transatlântica, Lda., Porto; 01/1962 ficou celebre por ter suportado a grande cheia do rio Douro no meio do rio apenas com as amarras de proa, depois das amarrações estabelecidas para terra terem rebentado, devido à forte corrente, conquanto uma grande parte da navegação surta no rio, foi barra fora ou ficaram encalhadas nas margens, embora tenham sido recuperada, e levada para Leixões, ou mais tarde postas a flutuar; 21/09/1965 naufragou a 94mn a sul do porto de São João da Terra Nova, tendo todos a bordo sido salvos por outros navios.

Fontes: O Primeiro de Janeiro 08/1953; Miramar Ship Index

Gravuras: Imprensa diária Portuense –1953.

Rui Amaro


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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

RECORDANDO A PERDA DO LUGRE BACALHOEIRO "ANA MARIA" NOS BANCOS DA TERRA NOVA NA CAMPANHA DE 1958

O lugre ANA MARIA em vésperas da despedida, vendo.se o barco das pinturas e subindo o rio de vela enfunada um rabão do Douro / autor desconhecido /.

OS LUGRES QUE SURGIRAM, DE REPENTE, DA NÉVOA DO ATLÂNTICO


Os lugres surgiram, de repente, da névoa do Atlântico, e luziram ao sol no claro em que também íamos navegando, a bordo de um veleiro Finlandês, em viagem da Austrália para Inglaterra, depois de havermos dobrado o Cabo Horn. Eram três lugres, navegando juntos. Ao princípio pensei que fossem grandes "yachts", empenhados nalguma regata oceânica, da Europa para a América.

Eram navios de três mastros e de cerca de cerca de trezentas toneladas. De linhas graciosas, vistos à distância pareciam de facto navios de recreio. Contudo não tardei em verificar que vinham demasiado carregados para serem "yachts".

Quando já mais próximos, cruzaram a nossa esteira, reparei que iam cheios de barquitos, pintados de vermelho e castanho, empilhados no convés, em rumas de seis botes de altura. Levavam imensa gente e em ambos os bordos tinham amarradas às enxárcias bóias de barris. Se bem que os convés fossem atravancados com aqueles botes pequenos e de boca aberta, não se viam salva-vidas nem turcos. Notei tudo com minúcia porque passaram uns atrás dos outros em coluna graciosa, singrando sem esforço e com elegância muito perto da nossa grande galera e para que lhe pudéssemos ler os nomes – MARIA DA GLÓRIA, NEPTUNO II, ARGUS. /in A CAMPANHA DO ARGUS, de Allan Villiers - Ed. 1951/.

Pois este ARGUS, da campanha de 1929, era nem mais nem menos do que o nosso ANA MARIA e foi o antecessor do actual ARGUS/POLYNESIA, que há pouco passou de novo a arvorar a bandeira verde-rubra e se encontra acostado à Gafanha da Nazaré, e a grande galera era a famosa GRACE HARWAR, que hasteava a cor branca, cruzada de azul, da Finlândia.


http://sailing-ships.oktett.net/11.html


A DESPEDIDA


A 17/04/1958 cruzava de saída a barra do Douro, já de velas desfraldadas e auxiliado pelo rebocador fluvial MERCÚRIO 2º, o nosso puro lugre à vela ANA MARIA, tão querido das zonas ribeirinhas do porto do rio Douro, e com os familiares dos tripulantes e pescadores, das margens junto da barra, acenando lenços na despedida, além de curiosos sempre presentes nestas ocasiões, máquinas fotográficas disparando para a posteridade.

Pois apesar de velhinho, o mais antigo navio da frota bacalhoeira, um produto dos estaleiros de Dundee, Escócia, de 1873 para o armador William Thomsom, que foi um dos fundadores da afamada The Ben Line Steamers, Ltd., de Leith, e que em 1875, preservando o nome de ARGUS, viera para Portugal pelas mãos da Casa Bensaúde, de Lisboa, e em 1941 fora trazido para Massarelos, adquirido pela firma Portuense Veloso, Pinheiro & Cia, Lda, que lhe alterou o nome para ANA MARIA, quem diria que na tarde daquela dia se fazia de rumo a noroeste, na sua derradeira travessia do Atlântico Norte, tendo naufragado a 07/09/1958, já no final da campanha, felizmente sem perda de vidas.


O lugre Ana Maria navega ao largo da barra do Douro, após ter largado o cabo de reboque do Mercúrio 2º e ter desembarcado o piloto em 17/04/1958 na sua derradeira campanha aos Bancos da Terra Nova / Imagem da noticia do diário O Primeiro de Janeiro / .


NOTICIA DO NAUFRÁGIO


Os navios de pesca á linha que pairam nos pesqueiros da Terra Nova têm sofrido duramente as contingências da procela. Nunca a frota bacalhoeira sofrera tão pesadas baixas em unidades de pesca como no decurso desta campanha. Dir-se-ia que este ano fora avassalado por um mau presságio. Mais uma notícia chegou a relatar sucintamente um novo naufrágio:

Nova Iorque, 8 - A tripulação de um lugre Português, em dificuldades no noroeste do Atlântico, foi recolhida por dois arrastões de nacionalidade Espanhola - informou a US Coast Guard.

Um S.O.S. do lugre à vela Português ANA MARIA foi transmitido na noite passada para a unidade de busca e salvamento da US Coast Guard desta cidade. Uma embarcação de pesca retransmitiu a mensagem, indicando que o lugre estava a afundar-se a 320 quilómetros a sueste do Cabo Race, na Terra Nova. As mensagens de rádio não indicavam a natureza das dificuldades em que se encontrava o lugre nem o número de tripulantes e pescadores – (R).


MAIS NOTICIAS SOBRE O AFUNDAMENTO DO VELHINHO LUGRE


A tripulação do lugre naufragado era oriunda dos centros piscatórios da Afurada, de Vila do Conde, da Gafanha da Nazaré e da Póvoa do Varzim. Em sequência do telegrama de Nova Iorque, a que se fez referência, a US Coast Guard mais tarde informou que os naufragados foram recolhidos a bordo de um arrastão Espanhol. Na continuação destas informações, fornecidas pela agência Reuter. O quartel-general de busca e salvamento da Royal Canadian Air Force (RCAF), em Halifax, na Nova Escócia, confirmou que 40 tripulantes e pescadores do lugre ANA MARIA foram levados pelo USCGC SPENCER (W36).


http://www.valtechdata.com/SPENCER2006/SpencerArt.htm

http://ww2db.com/ship_spec.php?ship_id=490


O lugre á vela, cujo registo foi indicado como sendo da praça do Porto, tinha 85 anos de existência, estava a arder e tinha aberto água em resultado do incêndio, segundo informou a RCAF. Um cutér da USCG mais tarde bombardeou e afundou o navio Português a fim de evitar que se tornasse um perigo para a navegação.

No Grémio dos Armadores de Navios da Pesca do Bacalhau, foi recebida uma comunicação que confirma o afundamento do velho lugre, da praça do Porto, e que todo o seu lotamento de 40 homens estava a salvo. O Grémio está a tratar do seu repatriamento.

È o quarto lugre bacalhoeiro naufragado nos mares da Terra Nova no curto período de um mês. Aos atrasos das pescas acrescenta-se a perda de navios. O lugre ANA MARIA era o mais pequeno da frota bacalhoeira – o mais pequeno e o mais antigo, pois como atrás se disse fora construído pelos estaleiros de Dundee em 1873 para o armador William Thomson, que foi o fundador da The Ben Line Steamers, Ltd. (William Thomson & Co, Ltd.), de Leith. De airosa silhueta, dominada pela sua mastreação de duas alturas dera sempre provas da sua estabilidade e resistência ao mar. Era construído totalmente em madeira de carvalho.

O ANA MARIA zarpara do seu ancoradouro habitual de hibernação, no rio Douro, diante do lugar do cais de Massarelos, para uma viagem directa aos pesqueiros dos mares da Terra Nova. Navegava à vela. Durante decénios fizera esplêndidas campanhas à "Terra dos Bacalhaus". Pelo entardecer de 17 de Abril findo - data da sua partida para a "Faina Maior", os que viram a sua silhueta perder-se na linha do horizonte da imensidão do mar, caso do autor do blogue, mal diriam que daquela viagem não mais regressaria ao seu porto de armamento.

Navegava o ANA MARIA, desta vez debaixo das ordens do capitão Joaquim Agonia Vieira, de Vila do Conde. Ocupava o lugar de imediato o mais antigo homem do mar em serviço na frota bacalhoeira: O capitão José Fernandes Pereira Júnior, oriundo de Ilhavo, figura típica conhecida na gíria marítima pelo "Zé Lau". O velho lobo do mar há mais de 65 anos que sulca as águas do Atlântico. Na sua odisseia é mais um naufrágio que tem para contar… Coincidência curiosa: tanto o ANA MARIA como o seu piloto "Zé Lau" quase se igualavam na idade.


NOTAS


O lugre LOUSADO debaixo de mau tempo nos Grandes Bancos /Inverno na Terra Nova - Jerónimo Osório de Castro /


Questionavam-me há uns tempos porque razão o ANA MARIA e o PAÇOS DE BRANDÃO não limpavam nem pintavam o fundo, durante a hibernação no rio Douro, pois chegavam de mais uma campanha na Terra Nova, descarregavam o produto das suas capturas, e logo de seguida começavam por baixar os mastaréus e todo o poleame e de seguida iniciavam os consertos, pinturas e preparativos para a próxima campanha, e jamais se viu aqueles lugres subirem ao plano inclinado, docagem em dique seco ou realizarem querenagem, e chegada a hora de rumar para a Faina Maior, lá iam todos pintadinhos de branco sem que o fundo fosse limpo e pintado.

Parece-me que há bastantes anos os dois lugres, e possivelmente outros também, viram os seus fundos revestidos de cobre, e não mais foi necessário fazerem querena, o que até então era um procedimento usual.

Eu tenho uma vaga ideia de na minha infância ter visto um dos dois em querena, com uma enorme inclinação a um dos bordos, e parte lateral do fundo à vista, com espias amarradas à parte superior dos mastros e nos cabeços em terra, ou do lado do rio em ancorotes ou barcaças. O seu fundo estava a ser revestido de cobre.

E por falar disso, no mesmo ancoradouro do lugar do cais de Massarelos, em anos distantes, houve uma enorme tragédia, que atingiu calafates, pintores e carpinteiros navais, havendo feridos e mortos, devido aos cabos que prendiam o navio se terem partido, e naturalmente, o bojo foi atingir os infelizes.

Há um outro aspecto que gostava e muito agradecia, que alguém entendido nas pescas dos Grandes Bancos, do tempos daqueles dois lugres, me esclarecesse:

Usualmente quando havia previsão de um grande ciclone, a mundialmente conhecida "Portuguese White Fleet" suspendia e arribava ao porto de S. João da Terra Nova. Será que o ANA MARIA e o PAÇOS DE BRANDÃO, por falta de motor auxiliar e só se moverem com a ajuda do vento, permaneciam fundeados nos Bancos aguentando a borrasca ou também se dirigiam àquele bom porto de abrigo!?

Fontes: Jornal de Noticias; USCG.

Rui Amaro


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