segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O VAPOR ALEMÃO "GLADIATOR" ENCALHmOU NA FIGUEIRA DA FOZ EM 04/1910


German steamer GLADIATOR, imo 5802429/ 53m/ 476gt/ 9kn; 11/1905 completed by Nuscke & Co. AG, Stettin, for J. D. Sturcken, Bremen; 04/1910 aground at Figueira da Foz bar, Portugal, meanwhile some days after refloated;
01/10/1911 foundered in a gale off Ijmuiden, Netherlands, whilst in transit Rostock/Bruges. 3 were drowned.
Seen aground at Figueira da Foz bar.
Photographer unknown - collection F. Cabral, Oporto.
(Posted in SHIPS NOSTALGIA - 23/10/2011)
Rui Amaro
 
ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s) em NAVIOS Á VISTA, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on NAVIOS Á VISTA, which will be very much appreciated.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

RECORDANDO O ABALROAMENTO DO ARRASTÃO "ALVOR" pelo "BARBARA BARATA" NO PORTO DE LISBOA EM 1953, ACABANDO O PRIMEIRO POR FICAR SEMI-SUBMERSO

O ALVOR fundeado diante das instalações do seu armador, Olho de Boi, Cacilhas / foto CPP, colecção Nuno Bartolomeu, de Almada /.

BARBARA BARATA / autor desconhecido - colecção Nuno Bartolomeu, de Almada /.

A 31/03/1953, próximo do Frigorífico de Santos, onde habitualmente acostavam os navios de pesca chegados dos pesqueiros do Cabo Branco, ocorreu um abalroamento entre o arrastão BARBARA BARATA, que estava em manobras de atracação, e o ALVOR, que se encontrava acostado á muralha. Este arrastão a vapor sofreu um rombo à ré, na linha de água, pelo que adornou a bombordo. Fazendo então muita água, ficou meio submerso com a casa das máquinas alagada, e só não se afundou rapidamente em virtude de os cabos que o prendiam à muralha não se terem quebrado.
Quatro tripulantes que se encontravam na amurada da embarcação gritaram, e os restantes camaradas, que nos seus afazeres estavam no interior da embarcação em número de 23, ainda tiveram tempo de saltar para o cais.
O BARBARA BARATA, que era uma unidade bastante moderna, construída em 1948, nos estaleiros da C.U.F., ali mesmo ao lado, era comandado pelo capitão João Coruja, considerado um oficial muito competente e experimentado. Naquele dia, ao entrar na doca, fê-lo com a usual perícia, e ia a atracar com perfeição à muralha. A dada altura, porém a máquina não engrenou de marcha à ré, por qualquer motivo que se desconhece, e por mais esforços empregados, não só pelo comandante, como pela restante tripulação, não foi possível evitar que a proa do BARBARA BARATA fosse embater com violência no velho ALVOR.
Quando o ALVOR adornou, o mastro de vante foi de encontro ao edifício do depósito de gelo, fazendo abrir a plativanda do primeiro andar. O ALVOR fora construído em 1920 e era comandado pelo capitão José Santos Júnior, e pertencia à CPP - Companhia Portuguesa de Pesca, de Lisboa. O BARBOSA BARATA era propriedade da firma Basílio Santos, Lda., de Lisboa, e acabara de chegar dos pesqueiros do Cabo Branco com 95 toneladas de peixe. Ambas as embarcações estavam seguras na Mutua dos Armadores da pesca do Arrasto.
Conseguiu-se ainda salvar do navio afundado roupa e haveres de parte da sua equipagem e que se conseguiu retirar de bordo por intermédio dos Sapadores Bombeiros. Estes não tiveram qualquer hipótese de esgotar a água visto ser em grande quantidade.
Os rebocadores CABO ESPICHEL e CABO DE SINES ficaram contratados para proceder aos trabalhos de reflutuação do arrastão acidentado, o que certamente deve ter sido difícil e moroso, mas o certo é que mais tarde foi posto a flutuar e regressou às fainas pesqueiras do Cabo Branco e ainda hoje existe depois de transformado numa moderníssima embarcação pesqueira. O ALVOR ainda tinha por descarregar 39 tons de peixe, e havia chegado há dois dias.




/ Imprensa - colecção Nuno Bartolomeu, de Almada /.


/ Imprensa diária Portuense - colecção de Rui Amaro /.


O BARBARA BARATA ainda em contrucção na dique da C.U.F. / autor desconhecido - colecção Nuno Bartolomeu, de Almada /.

O BARBARA BARATA entra pela primeira vez nas águas do estuário do Tejo /autor desconhecido - coleção Nuno Bartolomeu, de Almada /.

ALVOR – vapor de pesca por arrasto, imo 5013234/ cff 44,7m/ cpp 42,7m/ boca 7,32m/ pontal 4,63m/ 339tb/126,4tl/ máquina tríplice expansão vertical a vapor sobreaquecido/ potencia 600HP/ vel. 10mn, cruzeiro 9,5mn/ consumo dia 7tons/ paióis capacidade 188tons/ porão capacidade 214m3/ leme manual/ molinete a vapor/ 1 guincho a vapor/ sonda ultra sonora/ 1 rádio TSF/ 2 baleeiras, 22 tripulantes; 03/1919 lançado à água; 10/1920 entregue pelo estaleiro Cochrane & Sons, Ltd., Selby, como EQUITABLE a Equitable Steam Fishing Co., Ltd., Grimsby; 1923 GLAUCO, Nacional de Pescas, ??; 1925 ALVOR, CPP - Companhia Portuguesa de Pescas, Lisbon, que o empregou nos pesqueiros do Cabo Branco, Marrocos/Mauritânia; __/____ ALVOR (L-2-N), Pescaria do Alvor, Lda., Lisboa, que o registou na praça de Leixões, tendo o seu porte sido aumentado para 51,9m/423tb, e o reconstruir de um obsoleto e antigo vapor de arrasto numa moderníssima unidade de pesca "long liner", possivelmente aproveitando o alvará, realizou um verdadeiro "milagre".
BARBARA BARATA – navio-motor de pesca por arrasto, imo 5036389/ cff 45,3m/ cpp 40,8m/ boca 8m/ 354tb/ 322pm/ 11nós/ 08/1948 entregue pelo estaleiro da Companhia União Fabril, Lisboa, a Basílio Santos., Lda., Lisboa, que colocou nos pesqueiros do Cabo Branco, Marrococ/Mauritânia;
1973 CAPITÃO BARRETO, ??; 26/06/1974 colidiu com engenho flutuante desconhecido e afundou-se perto da costa Marroquina, posição 36,55N/10,08W.
Fontes: Imprensa diária, Miramar Ship Index, Nuno Bartolomeu, Galway Ships.
Rui Amaro

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PORTUGUESE STERN TRAWLER "PRAIA DE SANTA CRUZ"


The Portuguese stern trawler PRAIA DE SANTA CRUZ, imo 7385203/ 84,8m/ 2.382gt/ 15,5kn; 12/1974 completed by ENVC – Viana Shipyards, Viana do Castelo, for SNAPA – Sociedade Nacional dos Armadores da Pesca do Arrasto, Lisbon, which employed her together with the PRAIA DA COMENDA in the South Atlantic fishing grounds; 01/01/1984 MARCARLOS, Soporfil, Lisbon; 22/03/1989 PRAIA DE SANTA CRUZ, EPV - Empresa de Pesca de Viana, Viana do Castelo; 19__ PRAIA DE SANTA CRUZ, Pescaria Rio Novo do Príncipe (Grupo Silva Vieira), Aveiro; 10/2011 still in service. Sister ships: Elisabeth, João Alvares Fagundes, Luis Ferreira de Carvalho, Praia da Comenda.
Seen Leixões 70's just arrived as from South Africa fishing grounds.
Imagem: (c) Foto Mar, Leixões.
(Posted in SHIPS NOSTALGIA - 19/10/2011)
Rui Amaro

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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O VAPOR DE PESCA POR ARRASTO "ALFEITE"

 


ALFEITE – vapor de pesca por arrasto, imo 6108087/ cff 47,2m/ cpp 45,1m/ 338,43tb/ 142,64tl/ máquina tríplice expansão vertical a vapor sobreaquecido/ potencia 600HP/ Vel. 10mn, cruzeiro 9,3mn/ consumo dia 7,5tons; pontal 4,15m/ paióis capacidade 173tons/ porão capacidade 249m3/ leme manual/ molinete a vapor/ 1 guincho a vapor/ sonda ultra sonora/ 1 rádio TSF/ 2 baleeiras, 22 tripulantes; 03/1919 lançado à água; 09/1919 entregue pelo estaleiro Cochrane & Sons, Ltd., Selby, como HMT THOMAS MATTHEWS à Royal Navy, fazendo parte de uma enormíssima encomenda do tipo "Standard Mersey's trawlers", iniciada em 1917 pelo Almirantado a cinco estaleiros do Reino Unido, a fim de servirem o esforço de guerra como patrulhas e draga-minas; 1919 EARLY BEATTY, Hellyer Brothers, Ltd., Hull: 28/04/1922 RAMON, Viúda de Canossa Cierto, Espanha; 1930 ALFEITE, CPP – Companhia Portuguesa de Pesca, Lisboa; 04/05/1956 naufragou por encalhe a 6mn a sul de Puerto de Cabras, Ilhas Canárias, tendo começado a adornar para estibordo devido à entrada de água pelos vários rombos sofridos no casco, pelo que foi abandonado e dado como perda total construtiva. A tripulação do vapor ALFEITE foi recolhida por vários arrastões que fainavam por perto.



O ALFEITE além de fainar nos pesqueiros do Cabo Branco/Juby também pescava na costa continental Portuguesa, e era frequentemente visto atracado à prancha dos Pescadores, Massarelos, rio Douro, na década de 30 do século XX.
Em 1958 surge um novo arrastão de nome ALFEITE, um produto dos conceituados Estaleiros Navais do Mondego, da Figueira da Foz.


Fontes: Miramar Ship Index; Navypedia; Nuno Bartolomeu, Almada.
Imagens: autor desconhecido e gentilmente transmitidas por Nuno Bartolomeu, Almada.
Rui Amaro
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terça-feira, 11 de outubro de 2011

RECORDANDO O LANÇAMENTO ÀS ÁGUAS DO MONDEGO DO ARRASTÃO "ALMADA" EM 27/06/1953

O ALMADA, já nas águas do Mondego, assistido pela lancha de pilotos COUTINHO GARRIDO / Imprensa diária /. 

Com a presença do comandante Américo Tomas, ministro da Marinha, acompanhado de altas individualidades ligadas à marinha mercante e aos organismos de pesca, realizaram-se a 27/06/1953, nos Estaleiros Navais do Mondego, no porto da Figueira da Foz, as cerimónias da colocação da quilha na carreira de construção e cravação dos primeiros rebites no navio-motor de pesca à linha CAPITÃO JOSÉ VILARINHO, que se destinava à firma de armadores de pesca do bacalhau, José Maria Vilarinho, de Ílhavo, cerimónia a que procederam o ministro da Marinha e o comandante Tenreiro, e do lançamento á agua do navio-motor de pesca por arrasto ALMADA, encomendado pela Companhia Portuguesa de Pesca, de Lisboa.
Pelas 16h00 começaram a afluir aos estaleiros numerosas pessoas que davam uma nota festiva naquele ambiente de trabalho que honrava a indústria da construção naval do País, nos seus tempos áureos.
Entre as pessoas de destaque da Figueira da Foz, viam-se os Snrs. Dr. Eugénio de Lemos, governador civil do distrito; Dr. Álvaro Malafaia, presidente da Câmara Municipal; comandante Gomes e Trindade, capitão do porto; tenente Celestino Soares, comandante da P.S.P.; capitão Pedro Vieira, comandante do Terço Independente da Legião Portuguesa; Dr. João Regueira, reitor do Liceu Municipal, e do Porto, os Srs. Dr. Júlio Mendes, Carlos Barbosa, Joaquim Bessa Araújo, Óscar Augusto Mendes e António Gonçalves Pinheiro.
Numa tribuna colocada diante da proa do arrastão ALMADA, Monsenhor José Lourenço dos Santos Paminhas, em representação do Sr. Bispo-conde de Coimbra, lançou a bênção à nova embarcação que ia ser lançada à água.

 
O ARRENTELA, gémeo do ALMADA, também já nas águas do Mondego em 12/04/1956 / Estaleiros Navais do Mondego /.

Foi madrinha do barco a Sra. D. Elisabeth Marques Tenreiro, esposa do Sr. Comandante Tenreiro, que quebrou na proa do ALMADA, a tradicional garrafa de champanhe, após o que cortadas as amarras, aquela nova unidade pesqueira, começou a deslizar suavemente na carreira até entrar nas águas do Mondego, em plena maré, ao mesmo tempo que todas as embarcações surtas no porto a saudavam com os usuais silvos das sirenes, próprios destas cerimónias.
Discursaram o Dr. Bissaya Barreto, o comandante Pinto da Rocha, o comandante Tenreiro, e por último o ministro da Marinha.
Este membro do governo, começou por dizer:
  - Cerimónias como estas estão a realizar-se, nos últimos anos, com uma frequência já interessante, nos principais estaleiros nacionais; deve reconhecer-se que também neste sector da vida nacional se está a sentir uma acção renovadora.
O ritmo das construções com as encomendas recentemente recebidas do estrangeiro, está em franco aumento, pois os navios em construção e as encomendas já certas são em número de dezanove. Entre elas, está um petroleiro de 16.800 toneladas, o maior navio que os estaleiros Portugueses até agora construíram.
Com a criação do Fundo de Renovação e Apetrechamento da Pesca, em que os empréstimos aos armadores são condicionados à construção em estaleiros nacionais e, com possibilidades de mais encomendas do exterior, é de esperar que a actividade se possa manter e, talvez, aumentar. E, apontou:
  - Tenho a maior esperança em que seja possível, embora com algum esforço, realizar, no nosso País, a construção do maior navio de passageiros, para as carreiras de África, em estudo pela Companhia Nacional de Navegação e para o qual o Plano de Fomento previu a soma de 300 mil contos.
  - O CAPITÃO JOSÉ VILARINHO, destinado à pesca do bacalhau à linha, que entrara então em construção, era igualmente de ferro e caracterizava-se pelo cff 66,50m, cpp 60,30m, boca 11,00m, pontal 5,50m, calado 4,50m, 1.209tb.
O Sr. Ministro da Marinha elogiou os Estaleiros Navais do Mondego, pela construção de mais uma unidade.
  - Antes destas cerimónias foi oferecido no Salão de Inverno do Grande Casino Peninsular um almoço em honra do Sr. ministro da Marinha, no qual tomaram parte cerca de 200 convivas. Presidiu o Sr. Professor Dr. Bissaya Barreto, que tinha à sua volta os Srs. governador civil do distrito, deputado Dr. José Bessa, eng. Jorge Coimbra, vice-presidente da Comissão Reguladora do Comércio de Bacalhau.
ALMADA – construção em ferro de elegantes linhas destinada a fainar nas artes de arrasto nos bancos de pesca do Cabo Branco/Juby; imo 5011901/ cff 51,25m/ cpp 45,20m/ boca 8,40m/ pontal 45,25m/ 442tb/ 12 nós; 10/1953 entregue à SNAPA; 1987 SMAIP ll, Soc. Mauritania de Armamento Y Pesca, Nouadhibou, Mauritânia; 1990 SMIPE I, Soc. Mauritania de Armamento Y Pesca, Nouadhibou, Mauritânia;
03/2002 registo retirado no Lloyd´s Register of Shipping, e a partir daqui perdeu-se a sua história subsequente.
Gémeos, todos eles construídos pelos Estaleiros Navais do Mondego:
ALFAMA, ALJEZUR, ALVALADE, ALFEITE – Companhia Portuguesa de Pesca.
ARRENTELA – Sociedade de Pescarias Arrábida, Lda.
ILHA SE SÃO VICENTE, ILHA DE SANTA LUZIA – SNAPA Sociedade Nacional da Pesca de Arrasto.
CABO JUBY – Sociedade Comercial Marítima, Lisboa.
Fontes: Imprensa diária; Lloyd's Register of Shipping.
Rui Amaro

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