domingo, 30 de maio de 2010

LUGRE “SENHORA DA SAÚDE” EX “HELGA”

O SENHORA DA SAÚDE demanda o porto de Leixões em 1950, a fim de ratificar o seu calado de água para de seguida rumar ao rio Douro / (c) Foto Mar - Leixões /.


O lugre escuna HELGA /(c) cortesia Museu maritimo de Elsinore /.


À saida da barra do Douro a 05/04/1948 - piloto da barra José Fernandes Amaro Júnior; imediato; capitão da Madalena; segundo motorista /foto do primeiro motorista /.


À saida da barra do Douro a 05/04/1948 - piloto da barra José Fernandes Amaro Júnior e o primeiro motorista /foto do primeiro motorista /-

Caso alguém saiba p.f. adicione os nomes em falta e obrigado.


SENHORA DA SAÚDE – lugre-motor bacalhoeiro construído em madeira/ 50,38m/426,37/ 48 dóris/ 7.000 quintais de bacalhau salgado, lançado à água em 11/1920 pelo estaleiro Fano Skibsvaerft A/S, Nordby, Fano, Dinamarca, como lugre-escuna a motor HELGA (357tb) para E. B. Kromann. Marstal; 1924/35 navegava à vela sem motor auxiliar; 1935 comprado por Tavares, Mascarenhas, Neves & Vaz., Lda., Aveiro, que lhe fez instalar um motor auxiliar; 1943 reconstruído em Aveiro, tendo feito parte da famosa “Portuguese White Fleet” e alguns anos mais tarde, já no pós-guerra, aquele imponente lugre, passou a fazer parte do armamento Portuense, embora registado na capitania do porto de Aveiro. Na campanha de 1951, devido a avaria na máquina, chega ao Porto a 01/10 com cerca de 30 dias de navegação à vela, entrando a barra a reboque do VANDOMA; A 08/09/1952 naufragou na Groenlândia por água aberta, tendo sido salva toda a sua tripulação, que estava sob as ordens do capitão José Augusto Malhado.

Em 1955 a empresa Tavares, Mascarenhas, Neves & Vaz., Lda, a fim de colmatar a falta do SENHORA DA SAÚDE aparece com o navio-motor de pesca à linha VILA DO CONDE, 53,8m/714tb, construído por Benjamin Bolais Mónica, na carreira da Gafanha da Nazaré., pertencendo à praça do Porto, e fazendo parte do seu armamento.

Numa certa saída da barra do Douro, tempo de bonança, era usual quando os navios bacalhoeiros passavam diante da Estação de Socorros a Náufragos da Foz do Douro, B. V. Portuenses, os bombeiros de piquete accionarem a sirene de alarme, cujo som era idêntico à sirene de nevoeiro do SENHORA DA SAÚDE, a fim de saudarem o navio, resultando desse facto, que pelas ruas vizinhas, só se viam bombeiros em correria para o quartel, ainda a acabarem de se fardar, de capacete e casaco nas mãos, tal era o naufrágio que estava a ocorrer naquele "mar de calmaria"!



O SENHORA DA SAÚDE fundeado no estuário do Tejo, durante o periodo da Segunda Guerra Mundial /(c) foto de autor desconhecido /.


O SENHORA DA SAÚDE demanda a barra do Douro a reboque devido a avaria na máquina - 01/10/1951 / gravura da Imprensa diária /.




Sequência fotografica da construcção do lugre escuna a motor Dinamarquês HELGA / (c) cortesia de www.mitfaroe.dk - Torben Gromer /.


Fontes: Miramar Ship Index; Torben Garmer, Fano.

Rui Amaro

4 comentários:

Anónimo disse...
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joao madail veiga disse...

Das primeiras viagens de meu Pai, Fernando Almeida Veiga, como piloto, sendo capitão Tudes Namorado, na viagem antes do naufrágio.

Rui Amaro disse...

Caro João
Mais uma novidade para a história do lugre SENHORA DA SAÚDE.
O piloto da barra que aparece na foto era o meu pai, que nessa ocasião padecia de uma doença bastante grave, felizmente anos mais tarde curada.
Eu não me recordo do nome completo do capitão, sei que era irmão do piloto do Douro e Leixões Mário Francisco da Madalena, de Ilhavo,também um piloto dos bacalhoeiros,e que se reformou como piloto-mor, e pai dum rapaz com quem eu me dava bem, quando no Verão vinha passar férias em casa do tio, aqui para a Foz do Douro, e que foi piloto náutico, embora tivesse emigrado para o Canadá, e segundo ouvi dizer já faleceu.
Saudações maritimo-entusiáticas
Rui Amaro

joao madail veiga disse...

Com a consulta da cedula de inscriç~ºao maritima do meu pai, verifica-se que na viagem de 1951, o capitão era Tude Namorado, ainda parente do meu pai e o piloto era o ele, Fernando de Almeida Veiga.
Largou de Lisboa a 6 de Abril e chegou ao Porto a 2 de Outubro de 1951.
Na verdade lembro-me do meu pai contar a história da avaria na máquina e da chegada ao Porto muito mais tarde que o resto da frota.