domingo, 12 de agosto de 2012

O “SANTA MARIA MANUELA” PELA PRIMEIRA VEZ NO PORTO DO DOURO


O SANTA MARIA MANUELA passa diante do centro piscatório da Afurada, vendo-se ao cimo da encosta o bairro dos pescadores / foto gentilmente cedida por R. Delgado, Blogue NAVIOS E NAVEGADORES /.

Porto Comercial de Aveiro, 05/08/2012, da esquerda para a direita NTM CREOULA e o SANTA MARIA  MANUELA, incorporados no Festival Marítimo de Ílhavo / Foto de José Rui Amaro /.

Lugar da Ribeira, Porto, lugres e palhabotes à descarga de "stockfish" para os armazenistas locais /postal ilustrado da cidade /.

Na verdade na passada quarta-feira, dia 8, pelas 17h50, foi a primeira vez que o famoso lugre SANTA MARIA MANUELA se fez à barra do Douro e subiu o rio até ao cais do Terreiro/Estiva, no lugar da Ribeira, ali junto à ponte D. Luís, passando diante do centro piscatório da Afurada, com o seu bairro dos Pescadores lá no cimo, onde residiram tantos e tantos homens do "one man dory" e do “trawl” e muitos deles devem ter embarcado no SANTA MARIA MANUELA, e talvez em navios da conceituada armadora Pascoal & Filhos, da praça de Aveiro, que presenteou as cidades do Porto e Gaia com tal surpresa, aproveitando o périplo Aveiro, Vigo, Porto, Aveiro. Pena foi a escala ter sido tão curta, pois o belo lugre largou do Douro na quinta-feira, dia 9, pelas 13h30.
Pois nem no tempo em que pertenceu à Empresa de Pesca de Viana veio ao Douro, porque transbordava o produto das suas campanhas aos Grandes Bancos e Gronelândia, na bacia do porto de Leixões para batelões ou na doca nº 1 para seguir por via rodoviária, a fim de aliviar carga para ter água suficiente para demandar a doca de Viana, ou aguardar melhor maré na barra.
O único navio daquela empresa que escalou o Douro, foi o arrastão VASCO D' OREY que descarregou toda a carga para o cais de Gaia, e por conseguinte saiu em lastro, talvez o bacalhau tivesse sido vendido para a seca de Lavadores ou para Aveiro.
Infelizmente por motivos de tratamento hospitalar não me desloquei à Ribeira para melhor apreciar aquele “cisne dos gelos”, mas viajando no autocarro da carreira 500, pelo enfiamento da rua da Alfandega (Velha), que dá acesso ao cais do Terreiro/Estiva, ainda vislumbrei o seu pau do gurupés, se bem que no passado domingo, dia 5, o apreciei exteriormente atracado à muralha do porto comercial de Aveiro, juntamente com os outros navios integrados no Festival Marítimo de Ílhavo, nomeadamente com os gémeos ARGUS e CREOULA, mas nem tentei ir para a imensa fila das visitas, porque a minha idade e maleita que me aflige, já não me permite aventuras, é que a minha idade é igual à daqueles três veteranos dos mares gelados do Noroeste do Atlântico, construídos em 1937.
O SANTA MARIA MANUELA como acima se relata atracou ao cais do Terreiro/Estiva, no lugar da Ribeira, local onde em tempos longínquos, vapores, lugres e palhabotes Ingleses da Terra Nova, Dinamarqueses, Noruegueses e alguns Portugueses, tais como o FAYAL, CATALINA e OUREM, traziam o fiel amigo, “stockfish”, carregado em vários portos da Terra Nova e Labrador, Gronelândia, Islândia e Noruega, para os armazenistas de bacalhau da Ribeira e da rua de S. João, ali junto ao rio, onde hoje em dia há muitos restaurantes, que certamente incluem nas ementas produtos alimentares "Pascoal”, passe a publicidade.
Obrigado â firma Pascoal & Filhos, SA, por ter trazido ao “meu rio Douro” o seu SANTA MARIA MANUELA, e queira Deus, que um dia tragam o ARGUS também, que será prenúncio de mais e grande desenvolvimento das suas indústrias.
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s)neste Blogue, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on this Blog, which will be very much appreciated. 

sábado, 4 de agosto de 2012

UMA DIVISÃO DA ARMADA PORTUGUESA SAUDA A RAINHA ISABEL II AO LARGO DAS BERLENGAS QUE VIAJAVA A BORDO DO “HMY BRITANNIA” EM 1954

Isabel II e o Duque de Edimburgo / publicação do Diário da Manhã - 1957 /.

Com o HMY BRITANNIA à vista desarmada, os marinheiros Portugueses erguem as sete saudações do estilo à soberana da Grã-Bretanha / jornal O Comércio do Porto /.

11/05/1954 – Constituíram um grande momento de emoção e tiveram expressivo significado as homenagens prestadas pela nossa Marinha de Guerra em representação do Governo e da Nação à rainha Isabel da Grã-Bretanha que a bordo do iate real HMY BRITANNIA, vindo de Gibraltar de regresso a Londres, ontem passou em águas Portuguesas a NW do pequeno arquipélago das Berlengas.
É a segunda vez que a soberana navega em águas Lusas. A primeira vez foi em 08/02/1947, quando como princesa herdeira acompanhou seu pai na visita que o falecido rei Jorge VI fez à Africa do Sul a bordo do cruzador HMS VANGUARD, que então numa manhã de tempestade passou também à vista das Berlengas.
Desta vez, porém, tudo se passou de maneira diferente e a homenagem de Portugal â soberana da sua mais velha aliada pode revestir-se duma solenidade que há 7 anos mercê do temporal que caiu sobre o Atlântico não foi possível.
No começo da madrugada de ontem largaram de Cascais as fragatas NRP NUNO TRISTÃO e NRP DIOGO GOMES e o contratorpedeiro NRP DÃO com uma guarnição total de 500 marinheiros constituindo a flotilha que sob o comando do almirante Nuno de Brion, comandante-chefe da frota Portuguesa ia prestar à rainha de Inglaterra as homenagens de Portugal. Com o almirante Nuno de Brion seguiam o seu chefe de estado-maior, capitão-de-fragata Guilherme Martins de Magalhães, o comandante Pedro Zilhão e o comandante Norman Todt, adido naval Inglês à embaixada Britânica de Lisboa.
À frente abria a marcha a fragata NRP NUNO TRISTÃO, logo seguida da NRP DIOGO GOMES e finalmente pelo contratorpedeiro NRP DÃO. Cerca da 07h30 a flotilha estava à vista das Berlengas.



Dois dos três vasos de guerra Portugueses que prestaram honras militares à familia real Britânica ao largo das Berlengas, neste caso o NRP NUNO TRISTÃO em cima e o NRP DIOGO GOMES em baixo / Photoship Co., UK e Jornal de Noticias /.

Depois de estar a navegar já a algumas milhas a NNW das Berlengas a flotilha Portuguesa mudou de rumo passando a navegar em direção a sul a fim de se cruzar com o HMY BRITANNIA.
Pouco depois das 08h00 eram içadas as bandeiras Portuguesas a bordo dos nossos navios.
São 09h00 quando vindo do sul surge no céu das Berlengas voando o mais baixo possível um grande quadrimotor da escolta da rainha.
Pouco tempo passado, às 09h30 precisas, da ponte do NRP NUNO TRISTÃO avista-se o iate real.
A bordo dos três navios Portugueses começa dentro de pouco tempo a formação das guarnições.
Quando a flotilha estava a uma milha do HMY BRITANNIA foi içado nos mastros dos três navios Portugueses o pavilhão nacional Britânico.
As duas forças navais, o iate real e a sua escolta e a flotilha Portuguesa reduzem a marcha. Está-se a 18 milhas a NW das Berlengas.
O encontro entre as duas formações estava marcado para as 10h00. Cinco minutos antes, ou seja, às 09h55 soa o primeiro tiro de salva a bordo da NRP NUNO TRISTÃO.
Os marinheiros posicionados na tolda e nas sobrestruturas da ponte e da artilharia erguem os bonés e gritam os sete vivas da ordem.
São 10h00. O iate real passa então pelo través de bombordo. O espetáculo assume então grande imponência e solenidade.
Foi então, que numa magnífica e perfeita manobra sob as ordens do comandante Pedro Zilhão, a nossa força naval passou apenas a cem metros do HMY BRITANNIA.
Então à vista desarmada. Vê-se claramente num dos extensos “spardecks”, junto ao mastro da mezena, a figura da rainha ladeada pela princesinha Ana e pelo loiro príncipe Carlos, junto dos quais se destaca a figura esguia e distinta do duque de Edimburgo.
A rainha vestia um casaco beije pondo na cabeça um lenço de seda cinzento e acenava constantemente em saudação amiga e agradecida aos marinheiros Portugueses. A seu lado o príncipe Carlos e a princesa Ana envergam casacos verdes e gorros da mesma cor. Encostados à balaustrada acenam também aos nossos marinheiros.
Por sua vez o duque de Edimburgo à paisana e em cabelo saúda também os nossos navios.
A banda de música do iate, muito bem alinhada e de instrumentos reluzentes, ataca o “Rule Britannia”. Na ponte do navio, em continência, hirtos, vão o almirante Abel Smith e toda a casa militar da rainha.
Entretanto o comandante da nossa flotilha, almirante Nuno de Brion expede para bordo do HMY BRITANIA a seguinte mensagem para a rainha Isabel II:

«O Governo Português e a Armada Nacional com grande respeito e estima têm a honra de aproveitar esta oportunidade de saudar Sua Majestade nas águas Portuguesas apresentando a Sua Majestade e aos membros da família real que a acompanham os melhores votos pela continuação feliz da sua memorável viagem».

E prossegue o desfile da escolta do HMY BRITANNIA, o cruzador HMS GLASGOW, os contratorpedeiros HMS DUCHESS, HMS SAINTES e HMS BARFLEUR.
Momentos depois chega a bordo do NRP NUNO TRISTÃO a mensagem de agradecimento dirigida ao Presidente da Republica, do seguinte teor:

«Agradeço sinceramente a V.Exa., e aos membros do Governo Português a amável mensagem que nos foi transmitida pelo almirante comandante chefe da Força Naval da Metrópole.
Apreciei profundamente o aparecimento da eficiente Força Naval que veio esta manhã ao meu encontro, esperando que V.Exa., faça ciente o almirante da entusiástica admiração de meu marido e minha pela esplendida apresentação dos seus navios e das suas guarnições – a) Elisabeth, R.»

Momentos depois as duas formações começam a afastar-se. Estava terminada o interessante e histórico espetáculo em que Portugal afirmará mais uma vez o seu respeito pela soberana de nação que é a nossa mais velha e querida aliada.
Era desejo do Governo Português que duas formações das bases aéreas nºs 3 e 4 fossem também ao encontro do HMY BRITANNIA saudar a rainha de Inglaterra.
Essa resolução ficou, porém, sem efeito, porque um avião saído de manhã e que apenas por radar localizou cerca das 09h00 aquele navio e respectiva escolta, verificou que as condições atmosféricas não o permitiam.
O chefe do Estado Maior da Força Aérea Portuguesa transmitiu para bordo do HMY BRITANNIA a seguinte mensagem:

«Lamento ser obrigado a cancelar o voo devido às condições meteorológicas, mas peço o favor de endereçar a Sua Majestade os nossos melhores cumprimentos de boa viagem»


O HMY BRITANNIA navegando junto da costa Portuguesa em 1968 / cortesia de Petroc, SN /.

HMY BRITANNIA – imo 6123244/ 125,7m/ 5.769tb/ 12.000hp/ 21,5kn/ autonomia 2.000mn/ guarnição 298 elementos dos quais 19 eram oficiais; 14/01/1954 entregue por John Brown & Co., Clydebank, à Marinha Real Britânica como iate da família real Britânica, em especial da Rainha Isabel II, sendo o 83º navio a servir a monarquia desde a coroação de Carlos II em 1660. E substituiu o velho HMY VICTORIA AND ALBERT. Transportou a família real em várias viagens oficiais durante mais de 30 anos, entre as quais a Portugal, Setúbal/Lisboa.
O HMY BRITANNIA foi, como acima se relata, construído no Clydebank, e lançado oficialmente a 16/04/1953 pela rainha Isabel II, se bem que chegou a existir um projecto de um novo iate real em 1936. O seu projecto inclui três mastros: o mastro de vante de 41m, o mastro principal de 42m, e o mastro de ré de 36m. Curiosamente, o iate real foi também delineado para ser convertido em navio-hospital durante uma eventual situação de guerra.
Durante a sua carreira como iate real, o HMY BRITANNIA transportou a família real em 696 visitas em território da “Commonwealth”, totalizando 1.087.623 milhas navegadas. Em 1959, realizou uma das suas maiores derrotas, atravessou, o então recém inaugurado canal de São Lourenço, durante uma viagem para Chicago, fazendo da rainha o primeiro monarca Britânico a visitar a cidade. O presidente Dwight D. Eisenhower também embarcou no navio junto à família real. Anos depois os presidentes Gerald Ford e Ronald Reagan também se acomodariam no iate real.
Em 1997 foi retirado do serviço, devido aos altos custos de manutenção e às dificuldades económicas que começavam a surgir na Grã-Bretanha, se bem que uma nova construção esteve para ser projectada, tendo seguido de Portsmouth para Leith, Edinburgh, Escócia, onde se encontra como navio museu, aberto ao público.   

Fonte: Jornal O COMÉRCIO DO PORTO, Wikipedia, Miramar Ship Index
Rui Amaro

PS – Na visita que os Soberanos Britânicos realizaram a Portugal em 02/1957, mais propriamente à cidade Invicta a 21, depois das cerimónias oficiais no Palácio da Bolsa do Comércio do Porto, e na visita à Feitoria Inglesa, na zona do Infante, Isabel II e seu marido, o príncipe Filipe, romperam com o protocolo, e em lugar de viajarem para o aeroporto de Pedras Rubras num luxuoso “Chevrolet” cedido pelo grande industrial Nortenho Delfim Ferreira, preferiram ser transportados numa velha camioneta aberta de transporte de forças da PSP, segundo consta como homenagem à efusiva manifestação, que a população Nortenha lhe prestou, a qual ainda há poucos anos o seu filho Carlos fazia lembrar.
E assim, a comitiva régia seguiu pela marginal do Porto e Matosinhos, a caminho do aeroporto de Pedras Rubras, a fim de tomar o avião para Londres, e eis que quando o “veículo real” passava na rua da Senhora da Luz, à Foz do Douro, mais propriamente no nº 437, e o meu avô Manuel Picarote, já de idade bastante avançada e muito debilitado, da janela de sua casa, arremessa um pequeno ramo de flores, que foi apanhado pela Rainha, e não é que Filipe de Mountbaten, pede ao motorista para parar, e apeando-se da camioneta dirige-se ao meu avô e devolve-lhe o ramo de flores, e dizendo um muito obrigado em Português, mais algumas palavras em língua inglesa, que como é obvio, o meu avô não entendeu. Pois o meu avô Picarote não mais esqueceu tão inesperado episódio.   
  
A camioneta aberta de transporte de forças da PSP que serviu de "veículo real" aos soberanos Britânicos na sua ida do Porto para o aeroporto de Pedras Rubras, mostra-se aqui transportando estudantes universitários de regresso ao Porto, após homenagem no aeroporto à rainha e ao príncipe consorte./ jornal Diário do Norte /.

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sexta-feira, 22 de junho de 2012

REBOCADORES A VAPOR DAS ANTIGAS ADMINISTRAÇÕES PORTUÁRIAS DO PORTO DE LISBOA – EPL e AGPL


O CABO RASO assistindo o paquete Francês FRANCE nas manobras de acostagem no porto de Lisboa, década de 60 / Imprensa diária - colecção Nuno Bartolomeu, Almada /.

CABO DA ROCA (1) – Imo_______/ 35,56m/ 198,54tb/__nós/ 500 ihp; 04/1910 entregue por JP Rennoldson & Sons, Ltd., South Shields, Tyne, a Exploração do Porto de Lisboa – EPL; 1934 Administração Geral do Porto de Lisboa – AGPL; 196_ vendido a sucateiro com estaleiro instalado algures no estuário do Tejo.


 
CABO DA ROCA (1) - em cima: mostrando as cores da EPL e em baixo com as primitivas cores  da AGPL / Autor desconhecido - imagem gentilmente passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.

FIGUEIRA DA FOZ, detalhes e história ainda não encontrados.

CABO ESPICHEL (2), rebocador salvadego/ imo 5956757/ 46,2m/ 394tb/ 12nós/ 1.500hp; 28/03/1928 entregue por Harland & Wolff, Belfast, a Exploração do Porto de Lisboa – EPL; 1934 Administração Geral do Porto de Lisboa – AGPL; 02/1973 vendido a sucateiro com estaleiro instalado algures no estuário do Tejo. Rebocadores gémeos: CABO SARDÃO e CABO RASO, se bem que as suas dimensões e deslocamento eram menores do que as do CABO ESPICHEL (2).


 
O CABO ESPICHEL (2) assistindo um navio na largada, década de 50 / Autor desconhecido - imagem gentilmente passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.

CABO RASO – rebocador salvadego/ imo 5956757/ 41,7m/ 230tb/ 12,5nós/ 900hp; 02/08/1928 entregue por Harland & Wolff, Belfast, a Exploração do Porto de Lisboa – EPL; 1934 Administração Geral do Porto de Lisboa – AGPL; 1970 vendido a sucateiro com estaleiro instalado algures no estuário do Tejo. Rebocadores gémeos: CABO SARDÃO e de dimensões e deslocamento um pouco superiores o CABO ESPICHEL (2).

 
O CABO RASO no estuário do Tejo, década de 50 /  Autor desconhecido - imagem gentilmente passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.

CABO SARDÃO – rebocador salvadego/ imo______/ 41,7m/ 230tb/ 12,5nós/ 900hp; 17/08/1928 entregue por Harland & Wolff, Belfast, a Exploração do Porto de Lisboa - EPL; 1934 Administração Geral do Porto de Lisboa - AGPL; 16/08/1939 afundou-se no Tejo por colisão do paquete Inglês RMS VANDYCK, da Lamport & Holt Line, de Liverpool, quando colaborava nas manobras de acostagem daquele paquete ao cais da Rocha. Meses mais tarde foi posto a flutuar e depois de reparado voltou ao serviço normal. 1969 vendido a sucateiro com estaleiro instalado algures no estuário do Tejo. Rebocadores gémeos: CABO RASO e de dimensões e deslocamento um pouco superiores o CABO ESPICHEL (2).

 

 
CABO SARDÃO - em cima mostra-se no estuário do Tejo por volta de 1930, e em baixo durante as operações de reflutuação, vendo-se por perto o CABO DA ROCA (1) / Autor desconhecido - imagem gentilmente passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.

Estes foram os rebocadores a vapor das antigas administrações portuárias do porto de Lisboa, a nível estatutário, cuja razão social se denominava Exploração do Porto de Lisboa – EPL, a qual em 1934 foi alterada para Administração Geral do Porto de Lisboa – AGPL, e em 1987 sofreu nova alteração, desta vez para Administração do Porto de Lisboa – APL, e em 1998 passa Administração do Porto de Lisboa SA – APL, conforme hoje se denomina. Dos quatro rebocadores, os três últimos eram considerados como salvadegos.
Na página Miramar Ship Index, Wellington, Nova Zelândia, uma magnífica fonte de informação dedicada a entusiastas de navios e navegação, encontrei um rebocador denominado CABO ESPICHEL, IDno. 8873, 268tb, construído em 1914 pelo estaleiro Verschure & Co's, de Amesterdão, infelizmente sem grandes detalhes, incluindo o seu armador, que leva a crer tenha sido encomendado pela autoridade portuária da altura, a EPL, e como assim, terá sido o CABO ESPICHEL (1). Se alguém tiver pormenores desse rebocador seria interessante de os revelar.
Os quatro rebocadores a vapor perduraram até à década de 60, e em 1939 aparece o CABO DE SINES, o primeiro rebocador a gasóleo da AGPL, gémeo do SOURE da SG, e em 1949 surge o rebocador de alto mar DOM LUIZ comprado â US Navy, juntamente com o rebocador portuário SERRA DE SINTRA. Em 1953 chega o duo SERRA DE PORTALEGRE e SERRA DE PALMELA, e em 1956 aparecem os dois gémeos SERRA DE MONTEJUNTO e SERRA DE PALMELA, e finalmente em 1973, ainda no reinado da AGPL chegam os excelentes e potentes rebocadores portuários CABO ESPICHEL e CABO DA ROCA, que ainda continuam em actividade, o primeiro denominado BOULONNAIS, propriedade do armador Boulenaise de Remorquage, Boulogne-sur-Mer, França, e o segundo ostentando o primitivo nome, sob o armamento Sadino Rebosado – Rebocadores Fluviais do Sado.

O CABO DE SINES e o FIGUEIRA DA FOZ no estuário do Tejo, tendo por fundo a fragata D. FERNANDO E GLÓRIA, década de 50 /  Autor desconhecido - imagem gentilmente passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.


O CABO DE SINES acostado ao cais do estaleiro da CUF, década de 50  Autor desconhecido - imagem gentilmente passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.
 
 
O DOM LUIZ no estuário do Tejo, década de 50 / Autor desconhecido - imagem gentilmente passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.
  
O SERRA DE PORTALEGRE no estuário do Tejo década de 60 / Autor desconhecido - imagem gentilmente passada por Nuno Bartolomeu, Almada /
  
 
O SERRA DE PALMELA no estuário do Tejo, década de 60 / Autor desconhecido - imagem gentilmente passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.

 
O SERRA DE MONTEJUNTO no estuário do Tejo, década de 60 / Autor desconhecido - imagem gentilmente passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.

SERRA DE MONTEJUNTO, SERRA DE PALMELA  e o MILHAFRE PRIMEIRO na doca da Rocha / Autor desconhecido - imagem gentilmente passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.

Da esquerda para a direita vê-se o CABO ESPICHEL (3), SERRA DE PORTALEGRE e o CABO DA ROCA (2), e ainda ao centro as lanchas BARRETE VERDE e CACILHAS / Autor desconhecido - imagem gentilmente passada por Nuno Bartolomeu, Almada /.
 
Fontes: Miramar Ship Index, Diário da República, Nuno Bartolomeu.
Rui Amaro

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quarta-feira, 23 de maio de 2012

DUTCH M/V "ZEPHYR"



Dutch m/v ZEPHYR, imo 5398454/ 51,5m/ 500gt/ 9kn; 25/02/1957 by Gebroeders Bodewes Gruno "Volharding"m Foxhol, for L.J. Kas & A vab Hassel, Dekfzijl; 1969 LISBETH, G. Leinerca, Delfzijl; 1975 APOLLONIA III, Apollonia Shipping & Trading Ltd, Piraeus; 1976 APOLLONIA III, Ionian Shipping Co., Ltd., Piraeus; 1980 SIDON, Farouk Ali Laben, Beirut; 1996 deleted from LR, existence in doubt.

Author unidentified - signature imperceptible.

This drawing was given to me by someone on board of the m/v ZEPHYR in the 60's, when she was in the river Douro, Oporto, loading a full cargo of quartz ore for Switzerland with transhipment in Rotterdam. I was her water clerk.
Rui Amaro

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sábado, 12 de maio de 2012

A TRAINEIRA "PASSOS MANUEL I" EM SITUAÇÃO CRITICA DEVIDO Á FORTE CHEIA DO RIO DOURO


A traineira PASSOS MANUEL I já a salvo na Afurada

A 23/02/1969, em consequência da forte corrente que o rio levava, provocada pela cheia no rio Douro, rebentaram as amarras da traineira PASSOS MANUEL I, amarrada junto do lugar do cais Capelo Ivens, margem esquerda, onde aguardava ocasião de subir ao plano inclinado do estaleiro da Cruz, ali perto, para efeitos de reparação. A bordo encontravam-se de prevenção o motorista António Marques da Silva, residente em Matosinhos, e os ajudantes José Henrique Viana (Vianinha) e José Cardoso dos Santos, ambos domiciliados na Cantareira, Foz do Douro.
Madrugada alta, cerca das 04h00, um "borbulhão" de água, formado pelo caudal do rio, sacudiu violentamente a traineira, provocando o rebentamento dos três ferros, que a sustinham, e ainda as retenidas de reforço estabelecidas para terra. Ao principiar a ser impelida pela corrente, bateu com o leme numas pedras, retirando-lhe a possibilidade de o manobrar, pelo que foi arrastada rio abaixo, sem governo. Mesmo assim, o três motoristas conseguiram pôr a funcionar o motor e, ora com marcha à ré, ora com marcha avante, foram manobrando a embarcação, desviando-a do fieiro da barra, pois se seguisse nesse rumo, seria o fim!
O rebentamento das amarrações – que provocou estrondo – alertou o guarda do estaleiro, que avisou de imediato as autoridades marítimas. Na capitania foram tomadas imediatas medidas, na tentativa de socorrer a embarcação sinistrada. Da Estação de Socorros a Náufragos da Foz do Douro, saíram de imediato os serviços dos Bombeiros Voluntários Portuenses, ali instalados. A guarnição do salva-vidas da Afurada, também foi posta de sobreaviso.
Na impossibilidade de fazer sair o salva-vidas para a água, devido a uns pesados paus da carreira de um estaleiro terem sido arrastados pela corrente contra a Estação de Socorros a Náufragos, o patrão Maximino Gomes Ferreirinha tentou prestar auxílio pelo lado de terra. Entretanto levada pelo turbilhão das águas, a traineira ficou varada em terra, no sítio do largo do Linho, já próximo do lugar de São Paio.
Acudiu gente do bairro piscatório, atraída pelos sinais de socorro. Os Bombeiros Voluntários Portuenses, também ali chegaram com o seu material. Para bordo da PASSOS MANUEL I foi, então, passado um cabo virador, sendo pouco depois retirados de bordo, na chalandra da traineira, os três marítimos, que na realidade, embora habituados à tempestades no mar, não deixaram de passar um mau bocado. No cais do Marégrafo, na Cantareira, onde se tomaram precauções de emergência, compareceram o Comandante Carlos Carreira, chefe do Departamento Marítimo do Norte.
Na preia-mar, a traineira PASSOS MANUEL I foi retirada do local do encalhe e puxada à sirga, por pescadores locais, para junto do estaleiro da Afurada, onde pelas 13h00 ficou fundeada, sem mais percalços, carecendo, entretanto de vistoria, para se detectar qualquer avaria de vulto.
Fonte e imagem: Jornal "O Primeiro de Janeiro"
Rui Amaro