sábado, 30 de novembro de 2013

PAQUETE PORTUGUES “GUINÉ” (2) EX "SAN MIGUEL"

 Paquete GUINÉ (1) da CCN, ex LA PLATA, ex PELOTAS / autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto /.legenda alterada de acordo com as duas últimas mensagens. 

Paquete GUINÉ (2) durante a 2ª guerra mundial ostentando os sinais de navio neutro Português / autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto /.

Paquete GUINÉ (2)  pintado com as novas cores da CCN / autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto /.

Paquete SAN MIGUEL durante a 1ª guerra mundial, mostrando-se com pintura de camuflagem / autor desconhecido - Página Açores 1914/18 - Memórias da História 

Patrulha NRP AUGUSTO DE CASTILHO / autor desconhecido - colecção F. Cabral, Porto /

Submarino Alemão U-139 / U-Boat Net /.

Paquete Português GUINÉ (2), imo 5602521/ 96m/ 2.557gt/ dois hélices/ 12nós/ 135 passageiros; 04/ 1905 entregue por Sir Raylton, Dixon & Co., Ltd., Middleborough, como SAN MIGUEL à Empresa Insulana de Navegação, Lisboa; 23/03/1918, enquanto em trânsito Funchal/Ponta Delgada, transportando 206 passageiros, escoltado pelo patrulha NRP AUGUSTO DE CASTILHO, que foi originalmente o arrastão bacalhoeiro ELITE, construído em 1909/ 48,76m/ 801tb/ 09nós/ propulsionado por uma máquina alternativa de vapor com a potência de 704 HP, que havia sido mais antigo arrastão bacalhoeiro Português e mais tarde passou para a pesca do Cabo Branco; 13/06/1916 foi requisitado pela Marinha de Guerra Portuguesa, e inicialmente foi equipado com uma peça de artilharia de 47 milímetros Hotchkiss. Mais tarde, também foi montada uma segunda peça, um retiro e mais tarde o jogo de frente foi substituído por um Hotchkiss de 65 milímetros. Na patrulha marítima, o NRP AUGUSTO DE CASTILHO teve uma série de encontros com submarinos Alemães. A 23/03/1918, durante a saída do porto de Lisboa para o Funchal, comandado pelo primeiro-tenente Augusto Teixeira de Almeida, escoltando o paquete LOANDA, abriu fogo a cerca de 500m contra um submarino inimigo que de imediato escapou-se submergindo. A 21/08/1918, navegava ao largo da costa de Cabo Raso, comandado pelo primeiro-tenente Fernando de Oliveira Pinto, atacou com artilharia, disparando contra um grande submarino Alemão que desapareceu rapidamente. A 14/10/1918, enquanto navegava do porto do Funchal para  Ponta Delgada, comandado pelo primeiro-tenente José Botelho de Carvalho Araújo, o NRP AUGUSTO DE CASTILHO escoltava o paquete SAN MIGUEL, propriedade da Empresa Insulana de Navegação, que por sua vez era comandado pelo capitão Moniz Caetano de Vasconcelos e transportava 206 passageiros e muitas toneladas de carga diversa. Ao início da manhã, os dois navios Portugueses, foram avistados pelo submarino Alemão U-139, que tentou alcançar o paquete, o submarino não conseguiu porque o destemido NRP AUGUSTO DE CASTILHO se interpôs entre o U-139 e o seu protegido SAN MIGUEL.
Na batalha desigual que se seguiu, e que incrivelmente durou mais de duas horas, perdeu a vida o heroico comandante Carvalho Araújo, que fora atingido pelo último disparo Alemão, e outros seis elementos da sua guarnição de 42 homens.
A desproporção de poder era tão grande que o resultado da luta foi traçada apenas desde o início, a olhar para o potencial ofensivo de cada um dos adversários.
O navio patrulha Português, com duas peças de artilharia Hotchkiss, com um calibre de 65 milímetros. e outra de 47 milímetros, enquanto o submarino U- 139, era um dos maiores e mais modernos da Marinha Imperial Alemã, e estava equipado com duas peças de artilharia de 150 milímetros e seis tubos lança torpedos.
O paquete SAN MIGUEL tinha aumentado a sua velocidade ao máximo e por outro lado a coragem e tenacidade do comandante Carvalho Araújo, de colocar o seu navio entre o submarino e o paquete, este chegou a Ponta Delgada com seus 206 passageiros e os seus 54 tripulantes ilesos e suas muitas toneladas de carga intacta.
No NRP AUGUSTO DE CASTILHO as munições esgotaram-se e como tal foi forçado a render-se, sem que no combate seus artilheiros também atingissem o submarino, que sofreu avarias graves. Os Alemães após a rendição conseguiram saquear tudo que puderam do NRP AGUSTO DE CASTILHO, e foi afundado com cargas de demolição colocadas a bordo pelos Alemães. Talvez o seu destino tivesse sido outro, se os navios Portugueses, durante a guerra, tivessem sido equipados com peças de artilharia de maior calibre, como em várias ocasiões, afirmaram vários comandantes.
O comandante do submarino era Lothar von Arnauld de la Perière, com 194 navios e 453.716 toneladas de arqueação brutas afundadas. Ele foi o ás de submarinos de maior sucesso de sempre.
36 sobreviventes alojados num barco salva-vidas danificado e numa jangada improvisada, comandados pelo guarda-marinha Armando Ferraz, imediato do patrulha, chegaram à Ponta do Arnel, Ilha de São Miguel, a 20/10/1918, após 48 horas do desfecho do combate.
Em 1920, o relatório do comandante do U-139, onde teceu grande elogio à coragem do comandante Carvalho Araújo, um facto, que aparentemente permitiu que o Parlamento Português concedesse uma pensão à sua viúva de valor significativo.
1930 GUINÉ, Companhia Colonial de Navegação, Lisboa, que a empregou na carreira Lisboa/Las Palmas/ Ilhas de Cabo Verde/Guiné Portuguesa; durante a 2ª guerra mundial fez algumas viagens aos portos da costa leste dos EUA; 07/03/1950 chegava a Barrow para desmantelamento.
Fontes: Miramar Ship Index, U boat Net, Militaryphotos Net.
Rui Amaro

ATENÇÃO: Se houver alguém que se ache com direitos sobre as imagens postadas neste blogue, deve-o comunicar de imediato. a fim da(s) mesma(s) ser(em) retirada(s), o que será uma pena, contudo rogo a sua compreensão e autorização para a continuação da(s) mesma(s) em NAVIOS Á VISTA, o que muito se agradece.
ATTENTION. If there is anyone who thinks they have “copyrights” of any images/photos posted on this blog, should contact me immediately, in order I remove them, but will be sadness. However I appeal for your comprehension and authorizing the continuation of the same on NAVIOS Á VISTA, which will be very much appreciated.

5 comentários:

martin cruise disse...

O que esconde o Estado Português sobre o naufrágio do Bolama? Veja o Blog de Investigação: naviobolama.blogspot.pt

Anónimo disse...

tanta teoria acerca do Bolama!!Não era sabido que era um pesqueiro de má construçao, com caimento (balanço) forte, perigoso e que , depois de alteraçoes ficou com estabilidade ainda mais precária.Os noruegueses trataram de se desvencilhar de uma coisa velha e perigosa...Quem comprou lixo..lixou-se.

Rui Amaro disse...

...lixou-se e lixou o pesssoal que ia bordo!
Olá caro Martin Cruise
A minha opinião sobre o naufrágio do BOLAMA, que dizem de nacionalidade luso-guineense (essa de luso- Guineense tem piada. O que marca a nacionalidade de um navio é a bandeira e o que está exarado no registo), será muito simples, como aqueles que têm ocorrido por esse mundo fora, nomeadamente com embarcações de pesca por redes de arrasto. Segundo julgo saber o BOLAMA saíu a barra do Tejo sem ser despachado e vistoriado pela Capitania, uma falta grave do seu capitão, ainda para mais com convidados, que têm de ter uma autorização pelo menos da Policia Maritima, e foi para experiências de mar, especialmente testar as redes de arrasto. O navio nas reparações parece que foi alteado, e estava reclassificado para a sua função de pesca, pela Rinave aqui em Portugal, o que também já sucedera na Dinamarca um alteamento, onde já surgiram problemas de estabilidade, deve ter lançado ao mar as redes, e força toda avante na máquina, e aquelas pegaram bem em qualquer pedra ou engenho submerso ou semi-submerso, por ali existente, e com a força que o BOLAMA levava, este perdeu a estabilidade, e automaticamente adornou de tal forma rápida, que não houve tempo de lançar os meios de salvamento, e lá se foram todos aqueles infelizes.
Quanto ao rombo no costado, dizem que o navio foi atacado, talvez por um submarino, que originou o rombo, mas também o navio poderia levar junto ao lugar onde aparece o buraco, substâncias químicas, próprias para trabalhos a bordo, que ao contacto com a água possam ter provocado uma explosão e originado o rombo.
No porto de Leixões já vi um navio que estava a começar a descarga, e numa destas, tambores com substâncias químicas, sem mais nem menos começaram a explodir, sem que ninguém as tivesse manuseado, felizmente os bombeiros acabaram por extinguir o fogo.
Mais intrigante é o caso ANGOCHE em Moçambique.
È tudo que se me oferece esclarecer.
Saudações marítimo-entusiásticas
Rui Amaro

Ricardo Matias disse...

Por acaso estava a ver este post e noto que a primeiro foto, não é do Guiné Ex San Miguel, mas do primeiro Guiné (Ex La PLata, Ex Pelotas) da Colonial comprado em 1922 e perdido em 1930. Era maior pois tinha 1101 metros e 4.072 Tab.

Ricardo Matias

Rui Amaro disse...

Amigo Ricardo Matias
Tem razão, na verdade a primeira imagem é do GUINÉ (1) da CCN, ex LA PLATA, ex PELOTAS, de bandeira germânica.
Obrigado pela chamada de atenção.
Saudações marítimo-entusiásticas
Rui Amaro